[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] Os novos escravos

Curiosamente, o cenário que se põe à nossa frente hoje é o mesmo com o qual a humanidade se deparou desde que se definiu como espécie: a busca por mão de obra gratuita para executar tarefas braçais em grande escala.

Sistemas de inteligência artificial já assumem hoje o papel de escravos de seres humanos: eles operam de acordo com regras criadas pela nossa espécie, interferem na nossa produtividade e, da mesma maneira que nas eras passadas, já são maioria numérica.

O lado positivo dessa “evolução”, se assim pudermos considerar o novo modelo mercadológico e social no qual estamos inseridos, é que esses novos escravos são seres incapazes de sentir dores ou de se cansar. Eles obedecem aos comandos de seus mestres sem que estes mesmos mestres – nós – “precisem” recorrer a métodos tão sádicos e perversos como os que tanto caracterizaram a nossa história.

E como lidar com este novo público-alvo?

O primeiro passo é entender que, mesmo assumindo esse papel de “escravos de humanos”, algoritmos e sistemas são formadores de opinião e maioria dentre os perfis sociais com os quais lidamos em nosso cotidiano.

E, se estamos falando de um perfil ativo, de um influenciador, muitas das mesmas regras aplicadas aos humanos também devem ser seguidas quando focamos computadores.

Vamos a um exemplo hipotético simples: uma campanha feita para a venda de molhos de tomate cujos consumidores, obviamente, são todos humanos.

No passado, bastaria produzir campanhas de TV, rádio ou mídia impressa para impactar os espectadores.

Hoje, no entanto, as regras são outras, e a marca de molho de tomates deverá considerar os seguintes itens caso deseje ter um mínimo de sucesso:

  1. Será importante para este molho publicar, em um site próprio, uma série de receitas que o incluam como ingrediente. A escolha dessas receitas e mesmo os formatos utilizados (texto, imagens e vídeos) deverão ser definidos de acordo com regras práticas de SEO e visando amplificar a presença orgânica da marca nas buscas feitas no Google. Aqui, portanto, se estará trabalhando o algoritmo do buscador como público-alvo determinante.
  2. Em redes sociais, toda uma seleção de textos e imagens com chamadas específicas deverá ser feita para otimizar o engajamento instantâneo, interferindo diretamente, por exemplo, no Score de Relevância do Facebook. O motivo? Quanto maior a relevância, menos se pagará por impacto e, portanto, mais seres humanos se alcançará com a mesma verba. O conteúdo, em grande parte, será montado de acordo com o gosto do algoritmo do Facebook.
  3. A escolha de textos e peças para mídia em buscadores ou redes contextuais, por sua vez, também levará em conta as regras do Índice de Qualidade do Google como maneira de ampliar o alcance e baratear os custos.
  4. Mesmo no ponto de venda é possível desenvolver chatbots para dialogar com os consumidores no momento da compra, indicando mais ingredientes complementares para alguma receita especial.

Nunca é demais ressaltar: o objetivo do marketing é e sempre será o mesmo, de vender mais produtos. O que mudou de algum tempo para cá foi justamente o método.

Se, no passado, bastava investir na criação de uma linguagem impactante para o consumidor final, hoje é fundamental criar uma linguagem que influencie também o intermediário – o conjunto de robôs e algoritmos – que, por sua vez, influenciará diretamente na capacidade de entrega da mensagem.

Já vivemos hoje imersos no enredo de um filme de ficção científica.

Só nos damos muito pouca conta disso.

Mais sobre inteligência artificial

Na semana passada fiz um post sobre porque os computadores jamais serão mais criativos do que os humanos (veja aqui). Continuo mantendo a mesma opinião e pelos mesmos motivos – mas há uma palestra sensacional sobre como os computadores estão aprendendo a ser criativos que vale muito ser vista.

Ei-la abaixo, infelizmente apenas em inglês:

https://embed-ssl.ted.com/talks/lang/en/blaise_aguera_y_arcas_how_computers_are_learning_to_be_creative.html

 

O fim do caos é o fim da vida?

Há uma espécie de experimento a caminho que deve mudar muita coisa – inclusive tudo o que entendemos como sendo o caos. Lá na costa oeste americana, uma empresa – a Sentient Technologies – está trabalhando em um sistema de inteligência artificial muito mais poderoso e disruptiva do que os existentes. Em essência: trata-se de um sistema que consegue não apenas aprender, mas também criar outros sistemas.

E como ele faz isso? Analisando milhões de dados e detectando padrões a partir de históricos, algo que exige uma capacidade de processamento viável apenas pelo uso em rede de milhares de computadores em datacenters espalhados pelo mundo. Ou seja: há um computador parado em algum canto? Perfeito: sua capacidade de processamento é somada em uma espécie de nuvem ordenada que permite níveis de inteligência artificial dignos do Exterminador do Futuro.

E por que isso importa? Veja dois casos em que o sistema da Sentient deve ser testado:

  1. Prevendo o comportamento do próprio corpo humano em hospitais a partir de análises críticas de dados e padrões. O resultado: conseguir prever, com um bom tempo de antecedência, que um determinado paciente está na rota de uma parada cardíaca. Já imaginou quantas vidas poderiam ser salvas com isso?
  2. Na outra ponta, esse mesmo sistema consegue coletar informações históricas, notícias, menções em redes e conseguir prever o movimento das bolsas de valores em todo o mundo. Bolsas, por natureza, funcionam unicamente por conta do caos que permite ganhos e perdas, que viabiliza o “jogo”. Sem isso, não há surpresas; sem surpresas, não há jogo. Não há bolsa. Para-se, artificialmente, todo o motor que faz girar o sistema capitalista.

De todas as possibilidades trazidas por um sistema assim, o que mais assusta é a proximidade que o homem está de efetivamente eliminar o fator “caos” das nossas vidas. A pergunta que fica, no entanto, é outra: será possível haver vida sem este caos do qual somos todos filhos?

Vale conferir a reportagem da BBC abaixo sobre a Sentient no link abaixo ou clicando aqui:

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E chega o futuro com uma fazenda vertical

Para que, exatamente, precisamos de terra e espaço quando temos tecnologia? Sempre fiquei me perguntando isso: as áreas mais cultiváveis do mundo são parte de alguns dos países mais difíceis, corruptos, burocráticos e desiguais. Brasil, China, Índia, boa parte da África.

Para um mundo que tem fome crescente, depender de governos que parecem fazer de tudo para dificultar a vida dos seus cidadãos, extorquindo-os e pregando protecionismo neo-socialista como maneira de garantir a sua manutenção por meio de uma cegueira coletiva, simplesmente não faz sentido. 

E o que acontece quando algo não faz sentido? O mundo repensa seus conceitos, investe em inovação, cria soluções. 

Uma delas, até pouco tempo restrita a filmes de ficção científica, sairá do papel em outubro de 2015: a primeira AeroFarm do planeta, uma fazenda vertical com mai de 6,4 mil metros quadrados, com bandejas gigantes iluminadas por LED e com uma produtividade que chega a ser 75 vezes maior que uma fazenda tradicional e que, ainda por cima, consome 95% menos água. 

Resultado prático? Essa fazenda garantirá alimento para centenas de milhares de pessoas, produzindo mais de 900 mil quilos anuais de alimento de maneira ecologicamente sustentável e economicamente muito mais viável. 

Sim: certamente meio mundo reclamará de tudo isso, gritando que gerará desemprego e afundará ainda mais os países que dependem da agricultura para sobreviver. Mas, enquanto países subdesenvolvidos cismam em culpar terceiros pelas suas próprias incompetências, o fato é que só houve investimento em uma nova solução porque a que havia simplesmente não estava funcionando bem. 

Abaixo algumas imagens ilustrativas da AeroFarm. Para mais informações, o link é http://aerofarms.com