Livro Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas

Vim publicando, ao longo das últimas semanas, todo o meu novo livro aqui no blog. Pois bem: certamente há quem se contente com o material em forma de post mesmo – e que sempre estará por aqui.

No entanto, se preferir adquirir o livro inteiro de maneira organizada, estruturada, seja em forma impressa ou digital, ele está já à venda no Clube de Autores.

Para saber mais e comprar, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente neste link: https://www.clubedeautores.com.br/book/215122–Algoritmos__Robos

Screen Shot 2016-08-09 at 11.23.21 AM

Espero que gostem!

 

[Como gerir marcas na era dos micromomentos] Capítulo 3: A dinâmica dos grandes momentos

Em tempos assim de grandes acontecimentos, mudar era muito mais consequência do que causa.

Poucos efetivamente iniciavam, com algum sucesso, movimentos revolucionários. Eram necessários anos, décadas, séculos de cansaço impregnado para cozinhar algum tipo de inquietação. Ainda assim, essa inquietação, esse inconformismo, vivia ainda enclausurada até que pequenos grupos clandestinos se formassem, dividindo e nutrindo os mesmos pensamentos.

Em um determinado ponto, depois de algum tempo, uma ideologia se via inevitavelmente esmagada entre a maturidade intelectual e a repressão sócio-política, esta última sendo todo um conjunto estruturado de forças articuladas com o único propósito de manter o status-quo, de evitar que qualquer mudança tomasse corpo.

Esse choque entre ideologias e repressões, entre o novo e o velho, costumava se materializar de maneira explosiva, em forma de revoltas e revoluções, de momentos únicos em que gritar por novos tempos passava a ser um ato de alívio quase fisiológico.

Vivia-se nutrindo ideais; morria-se defendendo-os.

E, nesse vai e vem de brados revolucionários, de choques de regimes, o mundo foi se moldando em poucos imensos acontecimentos.

Reforço aqui a palavra “poucos”: em que pese a relevância das duas revoluções citadas no início deste livro – a americana e a francesa – elas foram “apenas” duas, e em cerca de um século.

Reforço aqui também a palavra “imensos”: é impossível sequer imaginar como estaria o mundo hoje caso personagens como Washington, Marat, Danton e Robespierre não tivessem existido.

Eis a era dos grandes acontecimentos.

Exécution_de_Marie_Antoinette_le_16_octobre_1793

A verdade inexistente, parte 1

Graciliano Ramos costumava dizer que, ao escrever um livro, ele extraía dos acontecimentos pequenas parcelas e jogava o resto fora.

Isso é até meio óbvio: a verdade dos fatos, quaisquer que sejam eles, nunca será realmente conhecida uma vez que sempre dependerá do entendimento de quem os testemunhou ou protagonizou. Em outras palavras: na vida real, a linha que separa realidade da ficção é absolutamente inexistente – e nós só conhecemos a ficção.

O que está acontecendo com o Brasil em meio a essa crise? Pergunte a um petista e ele responderá: “uma tentativa de golpe”; pergunte a um oposicionista e ele responderá: “a deposição constitucional de uma presidente que praticou atos de ilegalidade”.

Vá a uma livraria e você encontrará a história deste nosso momento político contado em obras distintas e com versões opostas. E é até provável que, no futuro, apenas uma versão acabe se impondo como “a verdade” – mas dificilmente ela será uma fotografia perfeita do que efetivamente aconteceu, nos mínimos e mais precisos detalhes.

Fatos, afinal, nunca sobrevivem às suas próprias versões – e versões são enviesadas por natureza, por definição. O viés é o inimigo que sempre briga, derrota e assassina, sem maiores pudores, a “verdade”.

 

Esse exemplo sobre o Brasil chegou a este post por obra do puro acaso: em verdade, tudo o que conhecemos, da vida dos nossos presidentes, da história dos grandes herois da humanidade, das origens das religiões… tudo, claro, chegou e chega até nós a partir de histórias contadas por terceiros com a mesma “receita” explicitada pelo Graciliano Ramos.

Ironicamente, a única verdade que podemos confiar é que não conhecemos e jamais conheceremos o que realmente aconteceu em nosso passado: sabemos apenas o que nos contam.

O mundo, portanto, tem a sua história e o seu destino definidos não pelos grandes personagens – alguns dos quais podem sequer ter existido – mas sim pelos seus grandes historiadores agindo em causa própria.

Quer mudar o mundo? Aprenda a contar histórias.

Prisma-430

Reclamar demais programa o cérebro para a negatividade

Pode parecer piada, mas não é.

Esse tópico foi tema de um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Arkansas chamado “The Pseudopsychology of Venting in the Treatment of Anger: Implications and Alternatives for Mental Health Practice”, publicado também em 2007 no Scientific Review of Mental Health Practice.

O resumo é o seguinte:

O cérebro tem toda uma coleção de sinapses separadas por uma espécie de espaço vazio. Sempre que se tem uma ideia, por exemplo, uma sinapse faz um disparo químico por meio desse espaço vazio, construindo uma espécie de ponte sobre a qual o seu sinal elétrico possa atravessar carregando sua carga de informação (ou o pensamento em si). O que ocorre, no entanto, é que cada vez que sinapses semelhantes são disparadas, elas acabam ficando mais “juntas” como forma de diminuir o espaço a ser coberta por essa ponte elétrica. Parece meio complicado, mas o resumo é: quanto mais pensamentos negativos você tiver, mais o cérebro criará um ambiente propício para que pensamentos negativos cresçam.

É claro que o oposto também é verdadeiro: quanto mais positivo você for em relação à vida como um todo, mais inclinado à felicidade você será.

E é claro também que sinapses não se restringem a uma linguagem binária de felicidade versus tristeza: quanto mais você pensar em um determinado assunto, mais íntimo será dele; quanto mais estudar ou pesquisar, mais inteligente tenderá a ser; quanto mais criar, mais criativo se transformará; e assim por diante.

Muito disso é óbvio? Sim, sem dúvidas. Mas é sempre bom ver uma explicação científica sobre as coisas da vida com as quais estamos já tão acostumados.

Vale ler a matéria inteira, da Inc, aqui: http://www.inc.com/jessica-stillman/complaining-rewires-your-brain-for-negativity-science-says.html

getty_117233961_82181

E se dinheiro não fosse importante?

O que você faria se dinheiro não fosse um objetivo em si mesmo ou uma barreira? Que sonhos realizaria, que preconceitos abandonaria, que sorrisos perseguiria?

Esse texto, do filósofo Alan Watts, é inteiramente focado na tese de que todos devemos perseguir as nossas grandes paixões – e que a busca por dinheiro acaba atrapalhando, e muito, essa que é a melhor estrada para felicidade.

Guardando as pieguices de lado, há um certo sentido nisso tudo. Na maior parte, é justamente por dinheiro que acabamos deixando de perseguir os nossos grandes sonhos – e a história prova que os grandes nomes, aqueles que sedimentaram as suas biografias com um senso incomum de realização pessoal, foram os que dedicaram cada átomo de seus corpos às suas grandes paixões.

Dinheiro, de acordo com cada um deles, vem naturalmente quando se está fazendo o que mais se deseja fazer.

No mundo de hoje, com tantas facilidades comunicacionais, com tanta integração global e proximidade entre sonhos e realidades, essa verdade não poderia ser mais ululante.

Vale conferir o vídeo abaixo – e talvez repensar um pouco a vida.

Como tocar instrumentos ajuda o cérebro

Todo o Gene do Caos se baseia no conceito de que dependemos do caos para criar. Quanto mais disruptivo o ambiente, quanto mais repito de contrastes, quanto mais fora da zona de conforto estivermos, mais acabamos forçando o nosso cérebro a atuar na busca por uma espécie de normalização, de soluções.

Isso também significa que, muitas vezes, o melhor caminho até a inovação é esquecer, ainda que or algum tempo, o problema que busca solucionar, e se lançar em novos territórios apenas para exercitar a cabeça.

O cérebro, afinal, funciona como qualquer músculo: quanto mais exercício fizer, mais preparado e condicionado ficará.

Cabem alguns exemplos aqui que postarei ao longo dos próximos dias – mas já começo com este vídeo sobre como tocar instrumentos – portanto, ingressando no quase à parte universo da composição musical – ajuda a nossa mente. Confira abaixo:

 

 

A culpa social e o caos alimentando terrorismo

Em sua opinião, a atitude da maior parte dos países europeus de fechar as portas para os refugiados sírios está correta? Em uma rápida “pesquisa” informal, a maior parte das pessoas responde de pronto que não. Como pode, afinal, um país ser tão cruel ao ponto de proibir que seres humanos levados aos limites do sofrimento possam ter uma chance melhor em seus territórios – principalmente considerando que há, disponível, tanto espaço quanto dinheiro e oportunidade para isso?

O problema com esse raciocínio é que ele ignora que uma porta aberta é uma porta aberta – para quem quiser entrar. 
Desde o final do ano passado, materias tem circulado em sites como Deutsche Welle, BBC, CNN e outros abordando a maneira com que o Estado Islâmico tem transformado refugiados em alvos preferenciais de seu aliciamento. Faz sentido: são, afinal, pessoas no extremo da miséria, que batalharam duro para conseguir sair de seus lares destroçados e ser aceitos pelos europeus, alvo de preconceito generalizado e tendo que começar tudo de novo. 

E, quando se está no extremo da miséria, aceita-se mais facilmente qualquer caminho que seja pintado como um destino melhor. 

Só que esse contexto de miséria e sofrimento é tão cruel, desenhando um panorama tão caótico, que ele acaba se transformando no cenário ideal justamente para seus algozes. Perceba o “momentum” que a estratégia do EI acaba ganhando: 

  1. As tantas notícias circulando na mídia e nas redes sociais sobre o sofrimento dos refugiados acabam praticamente forçando a opinião pública a considerar como única alternativa humana a abertura de fronteiras pelos países ricos. 
  2. Abrir fronteiras significa causar uma disrupção no status quo, incluindo ampliar a oferta de mão de obra sem aumentar o mercado. O mesmo “bolo” que era dividido por uma população passa, agora, a considerar mais bocas.
  3. Expulsos pelas circunstâncias de seus lares,  os refugiados acabam portanto conhecendo um novo inimigo no seio de seus novos anfitriões: o preconceito. 

Agora imagine o resultado de tudo isso: um mar de pessoas sem perspectiva de futuro, com raiva do passado e dos seus anfitriões, mas com passaporte e livre trânsito pelas suas terras. 

Quer local melhor para que terroristas os aliciem e “eduquem”? Da mesma maneira perversa e desumana que caracteriza o Estado Islâmico como um todo, eles dependem do caos para crescer – e, com o movimento de refugiados, eles conseguiram levar o caos justamente para o “território inimigo”. 

A pergunta que abre o post, portanto, pode ser refeita da seguinte maneira: “a atitude da maior parte dos países europeus de fechar as portas para os refugiados sírios, muitos dos quais serão aliciados por uma rede terrorista, está correta?”

Agora considere as duas hipóteses:

  • Os países ricos fecham as suas fronteiras. Por um lado, isso certamente diminuiria o volume de refugiados aliciados em seus territórios, aumentando assim a sensação de segurança. Por outro, o ódio gerado contra eles cresceria brutalmente, radicalizando ainda mais os discursos. 
  • Os países ricos deixam as suas fronteiras abertas. A consequência é a já dita acima: aumenta-se assim o potencial de aliciamento. Para piorar, como nunca será possível receber todos de braços abertos por uma questão logística, sempre haverá um mar de críticas à disposição de quem quiser explorá-las.

Conclusão: seja qual for o caminho, haverá caos e sofrimento envolvidos como resultantes – e o simples fato deles existirem já coloca o EI em vantagem. 

Isto posto, há como vencer a guerra contra o terror? Ou trata-se apenas de escolher o “menos pior” dos caminhos?

Aparentemente, não há uma resposta definitiva para isso. Mas há a certeza de que, do contexto em que o debate tem acontecido, nada de efetivamente positivo sairá.

  

A obviedade da importância da pesquisa

Sabe o post que eu fiz no começo da semana sobre os padrões migratórios de pássaros? Pois é: a ideia foi justamente ressaltar o fato de que padrões, quaisquer que sejam eles, residem na obviedade de muitas das escolhas feitas.

O site HypeScience publicou, recentemente, o mapa do mundo com tamanhos de países alterados por conta dos investimentos que cada um deles faz em produção científica.

mapa-mundo-artigos-científicos

Depois de ver algo assim, alguém consegue ter alguma dúvida do quanto investir em pesquisa & inovação é fundamental para a geração de riqueza? Olhe o quão minguado está o Brasil e o quão imensos estão países como os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha.

E o pior não é isso. O pior é entender que, se este mapa reflete o investimento presente, então o futuro desses países será tão mais brilhante quanto o do nosso será obscuro.

Caos visto pela Nasa

Sabe aquela parte da Teoria do Caos que fala que o bater das asas de uma borboleta na Europa pode gerar um tufão na Ásia?

Esse vídeo incrível da Nasa é quase isso.

O que ele mostra? Os efeitos que a poluição gerada na Ásia estão tendo sobre o clima de toda a Terra. Pode-se até alegar que nada disso é novidade… mas o vídeo é tão esclarecedor que, até por isso, precisa ser conferido: