Livro Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas

Vim publicando, ao longo das últimas semanas, todo o meu novo livro aqui no blog. Pois bem: certamente há quem se contente com o material em forma de post mesmo – e que sempre estará por aqui.

No entanto, se preferir adquirir o livro inteiro de maneira organizada, estruturada, seja em forma impressa ou digital, ele está já à venda no Clube de Autores.

Para saber mais e comprar, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente neste link: https://www.clubedeautores.com.br/book/215122–Algoritmos__Robos

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Espero que gostem!

 

O caos só pede um pouco de sensação de ordem

Quando se observa qualquer situação de caos, costuma-se ficar desesperado pelo emaranhado de confusão posto à nossa frente. Desespero, aliás, é a melhor palavra para isso: como não se sabe sequer a dimensão de um determinado problema, criar uma solução parece ser tão impossível quanto entender como chegamos até um determinado ponto.

Sim, sei que posso estar me perdendo na abstração do pensamento. Exemplifico, então.

Vamos à crise brasileira.

Por todo o primeiro semestre, ficamos colecionando números atrás de números que gritavam os efeitos catastróficos do desastroso governo Dilma.

  • Na economia, os dados foram tão estapafúrdios que esse nosso momento ímpar está sendo comparado à Grande Depressão que assolou o mundo no final da década de 20.
  • O desemprego, filho mais velho da crise, atingiu níveis comparáveis aos de países em guerra. Só a região metropolitana de Salvador, por exemplo, registrou 23% no índice que mede a desocupação. 23%!
  • Na saúde, epidemias que sequer conhecíamos no passado recente vieram sublinhar a ineficiência do sistema brasileiro.
  • Na educação, pequenas implosões generalizadas nas esferas municipal, estadual e federal apontaram para o mais puro colapso.
  • Finalmente (e digo finalmente não por ter chegado ao fim de todos os pontos problemáticos, mas sim para evitar que esse post vire um livro à parte), a inépcia política do então governo petista somada à divulgação apartidária da praga da corrupção eliminou do imaginário popular a mera existência de uma figura de líder capaz de nos fazer atravessar mares tão revoltos.

Como caos é insustentável por natureza, o governo inteiro caiu. Foi-se a Era PT.

Tudo mudou? Basta olhar as quedas dos ministros e ler nomes já conhecidos como Alves, Jucá e Geddel para se entender que, nesse aspecto, tudo permaneceu igual. Os mesmos criminosos que trouxeram o país para onde ele chegou permanecem no poder: eles apenas mudaram de ideologia.

E, aparentemente, isso funcionou. Com a mudança na condução ideológica das finanças, veio a até então inexistente perspectiva de melhora. Perspectiva, ressalto: até o momento, as grandes medidas apenas foram para o papel e nem tiveram como surtir efeitos de ordem técnica, prática, efetiva.

É aqui que entra a magia de se aniquilar o caos: o remédio para um problema, a solução definitiva, nunca é essencial em um primeiro momento.

Caos é a consequência febril, estomacal, emocional, de um desarranjo prático qualquer. Caos é o desespero que transforma adultos racionais em pequenas crianças que se perderam de seus pais.

E como eliminá-lo? Basta o dedo indicador apontando para alguma direção. Da mesma maneira que uma criança perdida se acalma imediatamente quando alguém aponta para o lugar em que seus pais estiverem mesmo antes de os enxergar, populações inteiras diminuem suas palpitações cardíacas quando conseguem crer na proximidade de uma mudança, de uma melhora.

Hoje, pouco mais de um mês se passou desde a posse de Michel Temer como presidente interino. Sabe o que aconteceu?

  • A previsão da queda do PIB de 2016 passou de 4% para 3,5%.
  • A queda na venda de alimentos passou de 4,08% para 3,73%.
  • Especialistas já consideram que a SELIC deva cair de 14,25% para 10% em um horizonte próximo.
  • Para 2017, a projeção de crescimento do PIB feita pelo BNP Paribas foi de zero para 2%.
  • E, indo além de qualquer projeção estatísticas, já se sente no próprio mercado um crescimento de demandas que estavam represadas pela absoluta falta de definição quanto aos rumos do país.

Como explicar tanta mudança e perspectiva em tão pouco tempo – menos tempo, reforço, que o necessário para se colocar qualquer medida de ordem prática em vigor?

Confiança.

O que define a economia do mundo não é um conjunto de resultados: é a confiança pelos agentes do mercado de que determinadas medidas levarão a um resultado. É, portanto, a mera perspectiva de resultado.

Nesse aspecto, o Governo Temer conseguiu iniciar um processo claro de ordenação do caos mesmo desafiando toda a lógica e formando uma equipe ministerial tão escandalosamente enlameada.

Aliás, paradoxalmente, a própria demissão imediata de alguns dos ministros por suspeitas de corrupção, se grifou a evidência de que a podridão permanece presente no governo, também sublinhou a disposição do mesmo governo em tomar atitudes concretas para “se limpar”. Seria melhor se os nomeados não fossem vilões célebres? É óbvio. Mas o fato de estarem caindo, um a um, já marca uma diferença do governo Dilma que, em seus melancólicos atos finais, tentou fazer o exato oposto ao nomear o ex-presidente Lula como ministro apenas para ajudá-lo a fugir das grades.

No final das contas, o remédio para o caos não nasce de soluções práticas: nasce de promessas emocionais que abrem viabilidade para a tomada de decisões práticas.

Ou alguém questiona a genialidade da escolha do novo slogan, “Ordem e Progresso”, para um país que, hoje, se enxerga perdido, diminuído, envergonhado e francamente desesperado?

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A verdade criada

Se a verdade, enquanto conceito, é – como considerei nos dois últimos posts – algo essencialmente inexistente por depender da forma com que ela chega a nós e como a interpretamos, ela é minimamente relevante?

A resposta é simples: não.

E quando abrimos mão dessa necessidade de saber o que é e o que não é verdade, abrimos também todo um espectro de possibilidades absolutamente incríveis.

Podemos, por exemplo, passear pelo espaço, nos transformar em feiticeiros, enfrentar dragões ou desvendar os grandes mistérios da humanidade. Estaremos fazendo isso “de verdade”? Pouco importa – desde que saibamos construir uma experiência capaz de nos transportar para mundos além da nossa enfadonha realidade táctil.

Nada disso é novidade: livros, afinal, são um compilado de verdades criadas, embora umas inegavelmente carreguem um potencial de credibilidade maior que outras.

Ainda assim, uma coisa é ler uma história; outra é vivê-la, testemunhando algo em primeira pessoa.

Se tem dúvida de como, veja o vídeo abaixo (infelizmente, apenas em inglês) apresentando Oculus, lançado recentemente em parceria com a Samsung e que, lá fora, custa algo em torno dos US$ 200. É só colocar o óculos e interagir com um mundo virtual usando basicamente todos os sentidos de percepção que usamos no “mundo real”.

Uma observação de quem já utilizou: dificilmente um vídeo de demonstração permitirá se sentir a “realidade” viabilizada por esse equipamento, que é simplesmente inacreditável.

Fantasia e realidade, afinal, sempre foram a mesma coisa. Só estamos reduzindo a nossa necessidade de abstração.

 

 

 

Provas da evolução em nosso corpo

Evolução é um tema distante por natureza. Na maior parte dos casos, entendê-la significa olhar para o passado remoto e deixar a mente desenrolar toda uma série de conclusões que fará o macaco virar humano, por assim dizer.

Só que, da mesma forma que tudo na vida, evidências estão por todo lado – basta saber observá-las. Veja esse vídeo abaixo: ele nos “ensina” evolução a partir de observações simples do nosso próprio corpo.

Esse assunto, claro, pode entrar na temática de “curiosidade” – mas também pode ser interpretado como uma espécie de “dica” da biologia, nos alertando para o fato de que realidades sempre estão mais próximas do que imaginamos.

 

 

Devemos ter esperança quanto ao futuro do Brasil?

Se olharmos o noticiário político, a desesperança de um dia ter o país mudado é grande. Imensa. 

Mas devemos ir além das análises estomacais. Aliás, sempre que qualquer tipo de previsão de futuro é necessária, basta olhar o passado. 

Já falei em posts passados sobre a Revolução Francesa. Hoje, quem anda pelas ruas de Paris dificilmente consegue imaginar as tantas cabeças expostas nos postes ao longo da Notre-Damme ou vislumbrar a situação de fome que abatia a vasta maioria da população. Hoje, a França é um dos mais desenvolvidos países do mundo.

A Revolução Americana também entra nessa análise: quebrar as correntes entre colônia e metrópole foi essencial para que nossos irmãos norte-americanos conseguissem se posicionar como principal potência mundial. 

Mesmo nós, aqui no Brasil, que ficamos independentes de Portugal quase que inaugurando o conceito de “jeitinho brasileiro”, certamente evoluímos muito desde então. 

Revoluções só acontecem quando a instabilidade – o caos – é exageradamente grande. Revoluções nascem de um volume tão generalizado de inquietação que se prefere contrariar a “lei do menor esforço” e sacudir estruturas e crenças com toda a veemência que pode ser carregada nas veias.  

Nós estamos em plena revolução, por mais que insistamos em acreditar que são apenas manifestações e protestos. Puxados por um judiciário que raras vezes funcionou, estamos questionando e prendendo, um a um, os principais líderes políticos. Estamos deixando claro que a maneira com que o país era administrado não cabe mais. Não estamos pintando as nossas ruas com o sangue das revoluções de outros tempos – mas isso é porque estamos em outros tempos.

Só que revoluções não são pontes entre um passado indesejado e um futuro almejado: por mais que imagens utópicas sejam sempre invocadas nos discursos mais inflamados, elas não passam de pura utopia. Revoluções são justamente o oposto: a quebra total das pontes existentes, a destruição de ordens estabelecidas sem que haja construções de novos modelos. 

Sim, elas são fundamentais para que se mude cenários indesejados – mas não são o fim em si mesmas. Com o tempo, as revoluções viram o problema ao impedir que as sociedades em que se instauraram virem a página da história e caminhem para a frente. Com o tempo, o clamor por mudança se transforma no desejo pela ordem.

O que faz essa mudança acontecer? A instauração efetiva de algum novo modelo de gestão que funcione aos olhos de um público cansado da guerra. Reforço o conceito-chave aqui: um modelo que funcione – obviamente mais que o anterior. 

E, partindo do princípio de que uma revolução só termina depois que essa nova ordem é “aceita” pelos cidadãos – e que não temos como viver em estado revolucionário por toda a eternidade – há motivos para sermos otimistas. 

A França do século XVIII virou a França que iluminou o mundo já no século seguinte. A colônia inglesa disforme, perdida pela América do Norte, se transformou em uma das maiores potências mundiais em poucas décadas. Mundo afora, as sociedades evoluíram dramaticamente, sempre embaladas por revoluções.

Pode ser que leve algum tempo e que ainda não tenhamos uma linha de chegada em vista, mas certamente o Brasil sairá dessa revolução muito, muito melhor do que entrou. 

  

 

Há espaço para bibliotecários na era digital?

Imaginar que, em plena era da informação, com ebooks e catálogos impressos disponíveis sob demanda, o papel de um bibliotecário será o mesmo de 30 anos atrás, é certamente um erro grosseiro. Por outro lado, acreditar que não há mais espaço para este profissional é também outro erro.

O principal motivo é que o papel do bibliotecário – de certa maneira, assim como o do professor – deixou de ser o de organizar conhecimento de maneira quase procederam e passou a ser o de guiar o interessado em um tema pela selva de conteúdo em torno dele. Em nossos tempos, conteúdo deixou de ser escasso e passou a ser abundante – o que apenas mudou a cara do problema (e não o eliminou).

Exemplifico: imagine que voce queira pesquisar um determinado assunto, seja para escrever um livro novo, seja para estruturar um trabalho acadêmico ou seja por pura curiosidade. Sim: você pode sempre ir ao Google e nadar por conta própria.

Mas e se voce pudesse ir a um espaço contar com um profissional experiente, capaz de te guiar pelas fontes mais relevantes e pelos autores mais experientes? E se ele conseguir ainda garantir um espaço praticamente feito para se absorver conhecimento, como são algumas das mais modernas bibliotecas do mundo? Nesse aspecto, o bibliotecário é uma espécie de curador ultra dinâmico de conteúdo: e sempre haverá papel para bons curadores.

E por que estou escrevendo isso? Nos Estados Unidos, o Wall Street Journal publicou uma matéria que praticamente enterrou bibliotecários, condenando-os ao mais certo ostracismo. E é claro que isso gerou um debate poderoso, incluindo uma carta resposta da American Libraries Magazine.

Debates são sempre bons, são sempre positivos. Nos permitem ver ambos os lados, instigam a mente, nos fazem pensar. Infelizmente, os artigos estão apenas em inglês: mas recomendo fortemente para quem conseguir lê-los que o faça. Os links estão neste próprio post, no parágrafo de cima, e também podem ser acessados clicando na imagem abaixo.

A pergunta que fica é: o que deve mudar na maneira com que nos guiamos pelo conhecimento em tempos tão dinâmicos quanto os nossos? Quais instituições devem sobreviver – e que adaptações elas terão que fazer, no melhor estilo do darwinismo, para se salvar da extinção?

  

Vídeo: 2015 em imagens

No espaço de um ano, vidas inteiras podem acontecer carregando toda sorte de dramas, celebrações, choros e risos. 365 dias, principalmente em uma era dominada pelo caos, é um intervalo gigante de tempo. 

Ainda assim, é sempre possível traduzir esse período em imagens que deram o tom, em escala global, de tudo o que aconteceu. E sabe o mais impressionante? Apesar de termos vivido ou testemunhado tudo, é impossível não ficar embasbacado com as tantas voltas que o mundo dá em um ano. 

Com vocês, 2015: