[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] A matemática da formação de opinião

Toda essa volta dada até aqui foi para chegar a uma conclusão simples: se, no passado, nossa opinião era formada em decorrência de argumentos longos e exaustivamente aprofundados, hoje a nossa ansiedade e impaciência nos transformou em crentes ávidos pela conversão à crença mais popular que aparecer.

Em outras palavras, a vontade de chegar a alguma conclusão qualquer para poder tomar uma decisão rapidamente e começar a formar opiniões alheias é tamanha que a oportunidade costuma superar a necessidade.

Não é à toa que o consumismo cresce tanto em todo o mundo: convencer pessoas de que elas precisam desesperadamente de bens que elas sequer conheciam antes nunca foi tão fácil. O consumismo, aqui, deve ser visto não de maneira isolada e simplista, mas sim como parte de um traço social mais completo que inclui toda a maneira com que interpretamos o mundo à nossa volta.

Não se compra para ter; compra-se para mostrar.

Não devemos também subestimar o “mostrar”: hoje, esse tipo de exibicionismo não deve ser confundido com uma futilidade vazia. Exibir algo diferente, hoje, significa se inserir em um ciclo social em que formar opinião é mais importante do que ter uma opinião, por mais paradoxal que isso pareça.

O Modelo de Nódulos

Em 2008, um estudo sobre o modelo de formação de opinião foi publicado pelos pesquisadores Peter Klimek, Stefan Thurner (ambos da Universidade de Medicina de Viena) e Renaud Lambiotte (Universidade de Liege e Universidade Católica de Louvain) em parceria com o Instituto Santa Fé, nos EUA.

O modelo inteiro se baseou em questões binárias (como opiniões com base em sim vs. não, liberal vs. conservador etc.).

O resultado pode ser visto na imagem abaixo[1]:

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O modelo em si considera que cada nódulo é um ser humano com uma opinião formada.

Na figura “a”, o humano do nódulo central se relaciona duas pessoas que compartilham a mesma opinião que ele e com três que pensam o contrário. Em uma rede em que 3 pensam de uma forma e 3 pensam de outra, há uma tendência à estabilidade: mesmo com o passar do tempo, é maior a probabilidade de que ninguém convença ninguém a mudar de lado.

A figura “b”, no entanto, já é diferente. Nela, apenas duas pessoas pensam de uma forma enquanto quatro pensam de outra. Em uma situação assim, a maior probabilidade é que a pessoa no centro mude sua opinião para melhor se encaixar na sociedade em torno dela.

Essa força matemática que induz opiniões a serem mudadas (ou a permanecerem estáveis) é chamada pelos pesquisadores de Parâmetro de Laggard. De acordo com seus estudos, para que uma opinião seja formada é necessário que o parâmetro seja superior a 50% (como exemplificado na figura “b” em relação à “a”).

Tudo, no final das contas, é uma questão de quantidade.

Mas o que mudou do passado para o presente? Justamente a quantidade de conexões.

Se, digamos, em 1920, uma pessoa normal tinha no máximo algumas dezenas de “amigos”, hoje, um século depois, a média de “amigos” que cada um tem em uma rede social supera os 300.

E nem vale entrar aqui no conceito de amizade em si: na prática, são mais de 300 pessoas opinando sobre temas diversos – desconsiderando conteúdos produzidos por marcas para vender os seus produtos e serviços – que diariamente ocupam o campo visual de cada pessoa.

Esse alto volume de opiniões trafegando na velocidade do pensamento faz com que o modelo de nódulos ganhe um dinamismo como jamais visto antes, principalmente se considerarmos que cada nódulo conectado tem a sua própria rede de formação de opinião simultânea.

Mais conexões, portanto, representam mais opiniões. Em uma situação dessas, um bom formador de opinião é aquele que consegue expressar a sua opinião de maneira mais clara.

E, em uma era com tanta quantidade de opiniões, ser mais claro significa também ser mais “enxuto”, menos prolixo.

Traduzindo: o melhor formador de opinião é aquele que consegue falar de maneira mais simples e óbvia para a maior quantidade de pessoas, interferindo no Parâmetro de Laggard de cada um.

E é precisamente aqui que começam a entrar em cena os robôs.

[1] Fonte: http://phys.org/news/2008-04-physicists-opinions.html#jCp

Prevendo o tempo que nos resta de vida

Aos 37 anos, eu sou mais velho do que 62% dos demais seres humanos. Há 267.488 que nasceram na mesma data que eu e 11.145 na mesma hora.

Claro: dependendo da expectativa de vida em cada local do mundo, cada uma dessas pessoas morrerá em épocas diferentes. Eu? Ainda tenho 41,4 anos de vida. De acordo com as estatísticas, devo morrer em 6 de abril de 2057.

Dados são incríveis. Ninguém nega que a vida é caótica por essência: o bater das asas de uma borboleta, afinal, pode gerar um tsunami em algum lugar do mundo que altere qualquer tipo de cálculo de maneira cosmicamente irresponsável. Mas, ainda que a incerteza seja a principal força que guia o mundo, continuamos sujeitos a estatísticas.

E estatísticas levam em consideração tudo – incluindo padrões de ocorrências de tsunamis, terremotos ou outros desastres quaisquer com base em milhões de anos de análise.

Há uma parte da Teoria do Caos que fala sobre o métron – uma espécie de limite de acontecimentos caóticos que impõe algum grau de previsibilidade nas incertezas. Ou seja: O bater das asas de uma borboleta até pode iniciar uma cadeia de eventos que culmine em um tsunami varrendo as ilhas do Pacífico – mas essa cadeia de eventos estará restrita ao nosso planeta. Dificilmente, por exemplo, os efeitos de algo assim chegará a Marte, Júpiter ou a outra galáxia.

O métron é esse limite, esse conjunto de fronteiras que separam o incerto do seguro. Em outras palavras: nunca poderemos ter absoluta certeza do que acontecerá no segundo seguinte das nossas vidas – mas podemos ter uma certeza bem grande de que nada que aconteça aqui abalará, para pegar um exemplo mais ridículo, a vida em Alfa-Centauro.

Na matemática, estatísticas compõem o métron – e é justamente por isso que, ao menos sob o aspecto da predição fria de eventos, podemos nos basear nelas para tomar decisões.

Bom… ainda tenho 41,4 anos de vida. Melhor pensar melhor na minha.

Quer saber a sua? Veja nesse link aqui ou clique na imagem abaixo:

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