Livro Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas

Vim publicando, ao longo das últimas semanas, todo o meu novo livro aqui no blog. Pois bem: certamente há quem se contente com o material em forma de post mesmo – e que sempre estará por aqui.

No entanto, se preferir adquirir o livro inteiro de maneira organizada, estruturada, seja em forma impressa ou digital, ele está já à venda no Clube de Autores.

Para saber mais e comprar, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente neste link: https://www.clubedeautores.com.br/book/215122–Algoritmos__Robos

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Espero que gostem!

 

[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] Os novos escravos

Curiosamente, o cenário que se põe à nossa frente hoje é o mesmo com o qual a humanidade se deparou desde que se definiu como espécie: a busca por mão de obra gratuita para executar tarefas braçais em grande escala.

Sistemas de inteligência artificial já assumem hoje o papel de escravos de seres humanos: eles operam de acordo com regras criadas pela nossa espécie, interferem na nossa produtividade e, da mesma maneira que nas eras passadas, já são maioria numérica.

O lado positivo dessa “evolução”, se assim pudermos considerar o novo modelo mercadológico e social no qual estamos inseridos, é que esses novos escravos são seres incapazes de sentir dores ou de se cansar. Eles obedecem aos comandos de seus mestres sem que estes mesmos mestres – nós – “precisem” recorrer a métodos tão sádicos e perversos como os que tanto caracterizaram a nossa história.

E como lidar com este novo público-alvo?

O primeiro passo é entender que, mesmo assumindo esse papel de “escravos de humanos”, algoritmos e sistemas são formadores de opinião e maioria dentre os perfis sociais com os quais lidamos em nosso cotidiano.

E, se estamos falando de um perfil ativo, de um influenciador, muitas das mesmas regras aplicadas aos humanos também devem ser seguidas quando focamos computadores.

Vamos a um exemplo hipotético simples: uma campanha feita para a venda de molhos de tomate cujos consumidores, obviamente, são todos humanos.

No passado, bastaria produzir campanhas de TV, rádio ou mídia impressa para impactar os espectadores.

Hoje, no entanto, as regras são outras, e a marca de molho de tomates deverá considerar os seguintes itens caso deseje ter um mínimo de sucesso:

  1. Será importante para este molho publicar, em um site próprio, uma série de receitas que o incluam como ingrediente. A escolha dessas receitas e mesmo os formatos utilizados (texto, imagens e vídeos) deverão ser definidos de acordo com regras práticas de SEO e visando amplificar a presença orgânica da marca nas buscas feitas no Google. Aqui, portanto, se estará trabalhando o algoritmo do buscador como público-alvo determinante.
  2. Em redes sociais, toda uma seleção de textos e imagens com chamadas específicas deverá ser feita para otimizar o engajamento instantâneo, interferindo diretamente, por exemplo, no Score de Relevância do Facebook. O motivo? Quanto maior a relevância, menos se pagará por impacto e, portanto, mais seres humanos se alcançará com a mesma verba. O conteúdo, em grande parte, será montado de acordo com o gosto do algoritmo do Facebook.
  3. A escolha de textos e peças para mídia em buscadores ou redes contextuais, por sua vez, também levará em conta as regras do Índice de Qualidade do Google como maneira de ampliar o alcance e baratear os custos.
  4. Mesmo no ponto de venda é possível desenvolver chatbots para dialogar com os consumidores no momento da compra, indicando mais ingredientes complementares para alguma receita especial.

Nunca é demais ressaltar: o objetivo do marketing é e sempre será o mesmo, de vender mais produtos. O que mudou de algum tempo para cá foi justamente o método.

Se, no passado, bastava investir na criação de uma linguagem impactante para o consumidor final, hoje é fundamental criar uma linguagem que influencie também o intermediário – o conjunto de robôs e algoritmos – que, por sua vez, influenciará diretamente na capacidade de entrega da mensagem.

Já vivemos hoje imersos no enredo de um filme de ficção científica.

Só nos damos muito pouca conta disso.

[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] Robôs dominarão o mundo?

Como será o futuro de um mundo com seres inanimados, artificiais, influenciando cada vez mais em nossas decisões? Haverá um momento em que algum robô desenvolverá a consciência e passará a operar por regras próprias, mais de acordo com as suas próprias crenças do que com a maneira com que foi programado?

Por mais que nos inclinemos a acreditar nesse apocalipse cibernético – a humanidade sempre teve um quê de masoquista quanto a si mesma – tenho sérias dúvidas.

O poder do erro

Robôs foram concebidos, mesmo nos filmes de ficção científica, para funcionar como entidades perfeitas e sem os defeitos inerentes à biologia humana. Até aí, nenhuma novidade.

Filmes mais fatalistas (como o Exterminador do Futuro ou Matrix) criaram toda uma visão de futuro em que robôs, dotados de inteligência lógica maior e mais poderosa que os humanos jamais teriam, acabaram concluindo que nós éramos a grande praga do mundo e buscaram destruir a nossa espécie.

A questão é que todo e qualquer sistema de inteligência artificial se baseia em uma espécie de lógica unidirecional: ao encontrar um problema, ele buscará resolvê-lo da maneira mais eficiente possível. Sim: parte das tentativas de resolução resultará em falhas, naturalmente – e sistemas inteligentes aprenderão a não repetir mais essas falhas enquanto engendram outras possibilidades de solução. Seja por matemática ou tentativa e erro, o objetivo de um robô sempre será resolver um problema colocado diante de si, algo que eventualmente ele conseguirá fazer com uma velocidade e qualidade muito maior que o mais genial dos humanos. Robôs são eficientes.

O problema é justamente este: sistemas de inteligência artificial estarão sempre atrelados a um objetivo (e, portanto, desconectados de um ambiente caótico como é o funcionamento do cérebro humano).

Recorro a um exemplo simples, quase simplório, para me explicar melhor: o Post-it. A criação deste que é um dos mais rentáveis produtos do mundo foi uma espécie de erro de cálculo, de falha. Na prática, os seus criadores estavam buscando desenvolver uma cola hiper-resistente, chegando, obviamente que por uma falha de percurso, no que se pode considerar uma pseudo-cola fraca o bastante para ser quase inútil.

Se o processo criativo estivesse sendo determinado por um robô, ele rapidamente aprenderia com o erro, descartaria a cola fraca e seguiria tentando criar a sua super-cola, provavelmente com um sucesso mais rápido que seus pares humanos. Seu objetivo seria esse, afinal – e robôs não mudam de rota.

O humano que viu essa pseudo-cola gerada por um erro, no entanto, acabou criando um novo produto, com um novo propósito, a partir de todo um conjunto caótico de sinapses que ocorreram no fundo do seu cérebro. Deve ter pensado em papéis soltos na sua mesa de trabalho; no quanto seria útil se ele conseguisse colar lembretes em seu mural; na necessidade desses lembretes serem descartados facilmente no instante em que fossem resolvidos; e assim por diante. Deve ter pensado em todo um conjunto de problemas humanos que computadores jamais teriam – e foi desse conjunto de pensamentos absolutamente desconectados do objetivo de desenvolver a super-cola que ele acabou concebendo o Post-it.

Ao invés de mudar a fórmula da invenção que buscava para atender ao desafio originalmente colocado diante de si, ele mudou o objetivo para encaixar a fórmula “falha” que criou por acidente de percurso. Inverteu-se a lógica em um processo que, sob a ótica do propósito original, foi absolutamente ineficiente.

O que o humano fez que um robô jamais faria? Ele mergulhou fundo no caos de seus pensamentos, ainda que de maneira inconsciente, e teve o estalo de se desconectar de seu objetivo primário e fugir de toda uma linha própria e estabelecida de raciocínio. Ele mudou de raia, por assim dizer, e preferiu adotar uma espécie de caminho ilogicamente mais longo, torto, quase conscientemente “errado”.

E é precisamente isso que robôs jamais conseguirão fazer por um motivo simples: eles não tem inconsciência e nem consciência, elementos fundamentais para que consigamos raciocinar de maneira livre e caótica.

Sim: sistemas de inteligência artificial são solucionadores de problemas muito, mas muito mais eficientes que os humanos (e precisamente pela mesma falta de consciência e inconsciência que nos caracteriza e nos faz “mudar de raias” de maneira tão fácil). Só que inovação não é pautada pela habilidade de se resolver problemas: ela é, antes de mais nada, pautada pela capacidade de se detectar os problemas.

E isso sim requer algo que vai muito além de um conjunto de fórmulas programadas em um computador.

[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] A Revolução da Alfabetização Universal

Até que, de repente, as sucessivas revoluções sociais, das mais diversas correntes, acabaram se encontrando no aprimoramento da educação de seus povos.

Na medida em que o analfabetismo foi sendo erradicado do mundo, mais e mais pessoas foram descobrindo possibilidades além das velhas tradições, até então a única fonte de conhecimento que elas tinham.

Essa descoberta não pode ser subestimada: aprender a ler acabou transformando o ser humano em um ávido investigador de seus próprios problemas. Ler, enquanto sinônimo de se informar, passou a ser o ponto de partida para quem quisesse sair da pobreza, melhorar a saúde ou garantir um futuro melhor para seus filhos.

O efeito disso é inclusive matematicamente claro, como pode ser visto no gráfico abaixo que compara a expectativa de vida com a taxa de alfabetização de diversos países[1]:

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A tabela acima não deve ser interpretada, claro, de maneira simplistamente direta: saber ler não é causa única para viver mais. Por outro lado, saber ler significa estar dotado de uma capacidade mais sofisticada de buscar conhecimento – e é essa busca que acaba fazendo a diferença.

Na medida em que uma determinada sociedade ia se alfabetizando, a demanda por cultura escrita crescia mais e mais.

Considere este outro estudo, comparando a evolução na taxa de alfabetização de alguns dos países do mundo:

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Este outro gráfico, abaixo, ilustra a consequência do crescimento das taxas de alfabetização: o aumento da demanda por livros[1].

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Embora sejam dados referentes ao mercado norte-americano, pode-se considerar que as estatísticas representem uma realidade relativamente global principalmente nas primeiras décadas uma vez que autores europeus sempre estiveram entre os mais lidos dos Estados Unidos.

O que esses três gráficos indicam?

  1. O aumento das taxas de alfabetização mundo afora geraram um consequente aumento nas expectativas de vida das populações por dotarem-nas de mais meios para entenderem o mundo a seu redor (e saberem tirar melhor proveito dele)
  2. O aumento da taxa de alfabetização aumentou substancialmente a demanda por conteúdo escrito – o que acabou proporcionando uma verdadeira explosão de livros lançados

Esse é o ponto mais crucial de todo este livro, diga-se de passagem.

Uma sociedade como a de 1911 a 1919, com uma disponibilidade total de 94 mil novos títulos, era absolutamente diferente de uma sociedade como a de 2000 a 2011, com mais de 2 milhões de novos livros publicados.

No passado, poucas pessoas tinham acesso a poucos “conhecimentos” – o que demandava que estes “conhecimentos” fossem densos o bastante para permitir maiores aprofundamentos por parte do público e, portanto, um convencimento acerca de suas teses e teorias.

Em outras palavras, lia-se mais de menos.

Hoje, a grande quantidade de “conhecimentos” subverteu as regras por completo. Há simplesmente coisa demais para poder ler tudo com a devida profundidade.

Hoje, portanto, lê-se menos de mais.

[1] Fonte: Bowkers

[1] Fonte: CIA Factbook, 2009; alfabetismo considera pessoas com mais de 15 anos que sabem ler e escrever

As gracinhas da tecnologia

Tá: “gracinha” pode ser uma palavra meio descabida se você estivesse nadando em um oceano repleto de tubarões famintos. E sim: sei que humanos não estão no cardápio natural desses reis dos mares e que eles provavelmente matam menos do que cadarços desamarrados… mas, ainda assim, eles são um perigo.

Principalmente se você gosta de desafiar a sinalização e surfar nos mares de Recife ou se mora na Austrália onde, aparentemente, tudo é mortal.

Para situações assim, uma invenção nova (e que custa a bagatela de US$ 65) foi lançada com o objetivo de emitir sinais eletromagnéticos que funcionam como repelentes de tubarão. O vídeo explicativo está abaixo – mas o importante não é o produto em si.

O importante é que ele serve para comprovar que para todo e qualquer problema sempre há alguma inovação simples a ser concebida.

E, claro, para toda boa inovação, sempre há um bom mercado esperando para ser cultivado.

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Um novo estilo de filme?

Dizem que um livro ou filme depende muito mais do seu leitor ou espectador do que do criador.

Concordo. A interpretação é essencialmente algo individual, dependente muito mais do histórico de quem absorve o conhecimento do que de quem o compartilha.

Em tempos que tem na palavra “compartilhamento” algo muito mais literal, no entanto, o próprio conceito de se contar histórias muda.

E se, ao invés de ver um filme, pudéssemos vivê-lo, caminhando entre seus personagens e cenas? Nesse caso, cada espectador teria invariavelmente uma experiência única: veríamos apenas na direção que nossas pupilas estivessem apontando, ignorando o que estivesse se passando atrás ou mesmo ao nosso lado. 

Vi uma experiência desse conceito recentemente em um filme 360 graus sobre tubarões feito com uma GoPro por Jeb Corliss. 

Recomendo fortemente a todos que cliquem no link abaixo: é uma maneira simplesmente diferente de se contar histórias.

Dica: esse vídeo funcionará apenas se visto a partir de um IPhone.

Dica 2: quando ele começar, gire o IPhone para todos os lados para viver melhor a experiência.

https://www.facebook.com/gopro/videos/10153908208786919/ 

https://www.facebook.com/gopro/videos/10153908208786919/