Livro Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas

Vim publicando, ao longo das últimas semanas, todo o meu novo livro aqui no blog. Pois bem: certamente há quem se contente com o material em forma de post mesmo – e que sempre estará por aqui.

No entanto, se preferir adquirir o livro inteiro de maneira organizada, estruturada, seja em forma impressa ou digital, ele está já à venda no Clube de Autores.

Para saber mais e comprar, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente neste link: https://www.clubedeautores.com.br/book/215122–Algoritmos__Robos

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Espero que gostem!

 

E-Commerce conversacional

O título deste post vem de um termo cunhado em 2015: conversational commerce, ou comércio eletrônico intermediado por sistemas de troca de mensagens. 

Gosto de termos novos, que começam a ganhar espaço na mídia: eles tem o efeito imediato de criar tendências e gerar inovação como nada mais no mundo. Nesse caso, no entanto, há mais do que uma simples palavra nova sendo utilizada. 

Quando o e-commerce nasceu, há tantos anos, sua principal característica era a de permitir compras imediatas, simples, agregando o máximo possível de racionalidade à relação do consumidor com a marca. Quando o usuário já está interessado em um livro – e, portanto, já sabe o que quer ou mais ou menos quanto pretende gastar – é muito mais fácil comprar com um clique do que com um passeio ao shopping mais próximo. Não foi à toa que o comércio eletrônico começou a sua primeira decolagem com livros e CDs, diga-se de passagem. 

Com o tempo, o processo de compra foi ficando tão sofisticado e complexo quanto os produtos vendidos. Há mais opções concorrentes, mais oportunidades de personalização, mais serviços acoplados, mais especificidades a serem entendidas. Trabalhar com excessos é sempre diferente de trabalhar com escassez: o excesso, afinal, é o pai da insegurança. 

E como lidar com insegurança? Conversando, convencendo. 

Dificilmente uma página estática conseguirá fazer isso sozinha, claro – mas o e-commerce já está muito mais evoluído. 

Dois exemplos simples: 

Facebook Messenger Inteligente

É até óbvio que muitos dos desejos de consumo nascem de conversas entrer amigos. E amigos, hoje, conversam tanto ao vivo quanto via aplicativos. O Facebook já entendeu isso faz tempos e, desde 2015, liberou para desenvolvedores sua API que permite integrar ofertas diretamente ao messenger. Está pensando em ir a uma festa de aniversário? Hoje, já é possível comprar flores e até pedir um Uber sem sequer precisar sair do aplicativo. 

E-Commerce conversacional é exatamente isso: contextualizar a oferta e fazer a venda de dentro de uma determinada situação impulsiva.


Operator

Outro serviço sensacional é o Operator, criado por um dos fundadores do Uber. O que ele faz? Conecta qualquer usuário a uma espécie de “rede de concierges”, profissionais especializados nos mais diversos serviços com o objetivo de ajudar o consumidor a se decidir. A aposta da empresa é “destrancar” os quase 90% de dinheiro do comércio que, hoje, trafega fora da Internet. O caminho: mercadologizar o conselho. 


Novamente, um brilhante exemplo de como gerar negócios a partir das complexidades de um comércio que, embora possa ser eletrônico, tem sido cada vez menos binário. 
 

O livro: Como Gerir Marcas na Era dos Micromomentos

Nas últimas semanas, vim publicando aqui no blog capítulo a capítulo do meu novo livro. Pois bem: ei-lo, agora, no ar, devidamente publicado e disponível em formatos impresso e ebook.

Para quem quiser, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link https://www.clubedeautores.com.br/book/208830–Como_Gerir_Marcas_na_Era_dos_Micromomentos

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A partir da semana que vem retomo as postagens aqui no blog 🙂

 

O estrategista: os 7 passos de Temer até o Planalto

Tenho para mim que, quando se quer tomar poder para si, em qualquer circunstância, não basta aproveitar uma oportunidade: é fundamental gerá-la.

Traduzindo: a melhor maneira de vender uma solução perfeita é criando (ou pelo menos ampliando ainda mais) um problema sem tamanho.

Não digo que o Temer ou o PMDB – alvos deste post – sejam os principais culpados da crise que o país vive. Tenho, aliás, dificuldade de entender como alguém pode não enxergar a culpabilidade do PT e da quase-ex-presidente Dilma dada a maneira publicamente desastrosa com que tocaram a economia e a protagonização absoluta nos esquemas de corrupção que implodiram os nossos cofres.

Mas, ainda assim, é sempre válido lembrar que o PMDB faz parte do governo desde a era Lula – e que teve o presidente do partido como vice-presidente do Brasil durante o governo Dilma.

A genialidade do Michel Temer em lidar com isso, que faz com que Frank Underwood pareça um ingênuo seminarista, é outra história. Vamos a uma breve recapitulação de seus sete passos rumo ao Planalto:

1. Usando a imagem de uma presidente arrogante

Não é segredo para ninguém que Dilma emanava arrogância. Sua interlocução política era tão frágil, perdia tanto espaço para a sua postura de ditadura em um país sem ditadura, que poucos foram os parlamentares que criaram algum elo confiável com ela.

Detalhe: essa arrogância era nítida para todo o país por meio de entrevistas ou declarações públicas dadas, quase todas sob olhos apertados e uma boca impaciente que teimava em deixar escapar absurdos como “mulher sapiens” e “homem-mandioca”.

Temer usou isso a seu favor: começou a disseminar, desde o começo do segundo mandato, quando ficou claro que a crise só pioraria, que estava isolado das decisões do executivo. Chegou até a contar com o apoio público do ex-neo-presidente Lula que, em uma ingenuidade incompatível com sua história, deu força ao argumento do pemedebista.

2. Criando recados que se viralizem

Faltava, no entanto, algo mais público, mais notório. Algo que deixasse claro à população brasileira que ele estava magoado com a maneira que era excluído das principais decisões. Nasceu a carta de dezembro que, justamente por ter sido ridicularizada nas redes sociais, acabou sendo conhecida por todos.

Perceba a quantidade de mensagens que a carta continha:

  1. Era ele que mantinha o PMDB unido em torno ao governo: ele colocava o seu poder à disposição dela
  2. Ela, por outro, ignorava tanto a ele quanto ao partido
  3. A culpa pela condução da política econômica era integralmente do governo do PT uma vez que ele e seu partido eram excluídos de todas as decisões
  4. Os indicados dele para ministérios foram os que mais geraram resultados
  5. Era ele quem nutria amizade por líderes de outras nações, e não ela
  6. Ainda assim, ele não estava rompendo com o governo – estava atestando, mais uma vez, a sua lealdade, ainda que sob protestos

Sim: o conteúdo era puro mimimi. Mas justamente por isso acabou dando recados claros para toda a população, ainda que de maneira pseudo-subliminar. Veja a íntegra da carta aqui.

3. Articulando em silêncio

Temer é conhecido por ser um profundo conhecedor da constituição e um excelente articulador. Polvilhando cuidadosamente declarações e frases, foi construindo uma narrativa de poder factível junto a seu partido e às duas bases no congresso: a oposição e a aliada, esta já farta da postura da presidente.

Quem melhor, aliás, do que um vice-presidente irritado para juntar apoio dos dois lados? Sua face governista atraía a atenção da situação; sua face indignada, da oposição. A ambos, seu conhecimento da carta magna brasileira e sua influência serviam de base para qualquer  tomada de decisão.

E, assim, aos poucos, ele foi somando deputado a deputado em silêncio.

4. Declarando guerra depois de ter disparado meia artilharia

Oficialmente, a ruptura do PMDB com o governo se deu no dia 29 de março – e por aclamação, passando a imagem a outros partidos de que havia uma união em torno dele.

Foi a declaração de guerra oficial, que acordou todo o planalto de uma só vez. Teria sido ele precipitado, como seu desafeto Renan Calheiros opinou? Dificilmente.

Com a ruptura ainda no mês de março, Temer conseguiu tempo para convencer quadros governistas do PMDB a ficarem do seu lado e conseguiu testar o almejado “efeito manada” dos partidos menores.

Se a ruptura tivesse esperado mais alguns dias, por exemplo, seria possível que o PP tivesse mantido o apoio ao governo e isso, por si só, teria enterrado o impeachment.

Não foi o que aconteceu. Em poucas semanas, a cada vez mais forte elite articuladora do PMDB entrou em cena para disputar com um cada vez mais fraco Lula o voto dos deputados.

5. Dando um recado claro a quem gosta de ficar ao lado dos vitoriosos

Ao mesmo estilo da carta de dezembro, Temer soltou uma outra bomba: a mensagem de Whatsapp em que ele lia um suposto discurso de posse no dia 11 de abril. Oficialmente, ele se enganou e enviou para um grupo errado; na prática, foi uma das táticas mais bem boladas de todo esse período.

Por quê? Em poucos minutos, ele:

  1. Deixou claro que confiava no impeachment ao ponto de treinar um discurso de vitória
  2. Deixou claro que a vitória do impeachment se daria por maioria considerável
  3. Deixou claro que estava preparado para um governo de união com todos os partidos para a “salvação nacional”
  4. Deixou claro que manteria os programas sociais
  5. Deixou claro que faria tudo diferente do PT

Era tudo o que todo mundo queria.

Além disso, ao alardear um discurso de vitória que contrasta com seu posicionamento sempre muito cauteloso, ele deixou claro aos deputados onde estaria o lado vitorioso. E o lado de quem ganham, sabemos, é o que todo deputado quer pertencer. Temer, presidente do PMDB, partido que fica no governo mesmo quando faz oposição, sabe bem disso.

Veja a íntegra aqui.

6. Administrando a vitória

A partir daí, bastou que ele mantivesse a sua articulação ativa, mas em fogo brando.

Resultado: no domingo, dia 17 de abril,a câmara dos deputados recomendou o impeachment por uma esmagadora maioria de 367 votos – apenas 1 voto de diferença para a previsão do próprio Michel Temer, diga-se de passagem.

Claro: há toda uma nova fase que se inicia agora no Senado – e certamente há mais articulação estratégica em franco andamento. O que muda agora é o inimigo: Dilma e Lula são carta fora do baralho.

A quase-ex-presidente, a julgar pelas suas recentes declarações, está vivendo a base de remédios; o ex-neo-presidente, por sua vez, está a poucos dias da cadeia.

Enquanto isso, Temer se mantem elegantemente calado, deixando seus inimigos espernearem, alardeando palavras como “golpe” e “injustiça” até que a população inteira fique exausta de ouvir sempre os mesmos argumentos.

7. Limpar o caminho

Hoje, restam dois no seu caminho: Renan Calheiros, desafeto político, e Eduardo Cunha, aliado fundamental na câmara. Ambos do PMDB, acrescente-se.

O primeiro pode até espernear, mas não terá opção que não deixar o jogo seguir e agir como uma espécie de motoboy do impeachment, como ele próprio se definiu.

O segundo precisará ser empurrado ao abismo por motivos óbvios: mais impopular ainda que Dilma Rousseff, a permanência de Eduardo Cunha no governo Temer será insustentável do ponto de vista do fundamental apoio da população brasileira. E, estrategista como é, o próximo presidente sabe bem disso.

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A vida definida em momentos

Se o que define uma vida é a somatória de decisões que tomamos, entender como essas decisões acontecem pode ser uma das maiores chaves para se destrancar a mente humana.

Não que seja algo fácil, claro: é impossível criar qualquer tipo de receita de bolo para se interpretar algo tão complexo e caótico quanto o ser humano. Mas informação bem estruturada sempre ajuda.

Recentemente, o Google fez um estudo que considerou que o que define a vida são pequenos – minúsculos, por vezes – momentos de decisão.

Vale conferir o estudo, cujos pontos altos estão aqui no post, neste link.

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Os caminhos binários para uma nova ordem social

Para quem gosta de estratégia, analisar a crise política brasileira é um prato cheio. Primeiro, pelo espectro: estamos falando de um país de 200 milhões de habitantes como palco de uma guerra política.

Segundo, pela facilidade de análise de resultados: no momento em que estamos, todo o destino do país depende de uma saída “binária”: ou há ou não há impeachment. Claro: todo um mundo de coisas pode se desenrolar a partir de cada hipótese – mas tudo depende de qual dos dois caminhos tomaremos nos próximos dias.

E aí chegamos à questão do julgamento político.

O grupo pro-impeachment precisa de 342 votos de uma câmara com 513 deputados. O grupo governista precisa de 171 votos ou abstenções.

E o que determinará a escolha de um caminho ou outro? Excluindo as questões mais ideológicas e partidárias (como posições óbvias dos principais partidos antagônicos, PT e PSDB), o voto dos indecisos.

E esse voto depende de se pesar, essencialmente e a grossíssimo modo, dois fatores: dinheiro versus pressão popular.

Não é exatamente segredo para ninguém que o governo está tentando comprar, com cargos, dinheiro e promessas, todo o apoio que precisa para escapar da deposição.

Por outro lado, também não é segredo que o principal opositor do governo não é a oposição política, também antagonizada pela população descontente: é a enorme pressão popular. Os deputados que que migrarem para o grupo pro-impeachment, portanto, provavelmente o estarão fazendo por medo de perderem a elegibilidade futura.

Quais são, portanto, os motores que determinarão a nova ordem da política brasileira?

  1. A aposta em ganhos fisiológicos de curto prazo, confirmando, portanto, que pelo menos por mais algum tempo a mesma maneira de fazer política perdurará
  2. O temor da pressão popular, abrindo uma possibilidade de mudança na maneira de se fazer política no Brasil (que, ainda assim, certamente não será fácil)

Antes que me acusem de ingenuidade, é óbvio que certamente há negociações bem pouco ideológicas, para colocar de maneira eufêmica, rolando no grupo pro-impeachment. Mas é também óbvio que, quando o objetivo é extorquir alguém, as chances de sucesso tendem a ser maiores quando a “vítima” está mais enfraquecida.

Seja em qual for o caso, a onda de migrações pro e contra impeachment tem sido mapeada diariamente pelo Estadão e pelo VemPraRua. A cada nova notícia na imprensa, a cada novo pico de manifestações e a cada nova oferta de cargos, há mudanças no fluxo que determinará o resultado final dos indecisos.

Estamos no curiosíssimo lugar de protagonistas que conseguem acompanhar, em tempo real, o processo de decisão dos seus próprios destinos. Para quem não conhece, vale acessar o http://mapa.vemprarua.net.

Pelo menos até o final desse processo que nos redefinirá enquanto país.

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Percepção vs. Realidade 2

Veja esse gráfico abaixo:
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Ele compara a percepção com a realidade no cenário do crime nos Estados Unidos. A linha de baixo é a realidade, que se manteve relativamente estável desde o começo da década de 90. A linha de cima é a percepção, sempre muito pior que ela.

Curiosidade: desde que a Internet efetivamente explodiu, tornando a comunicação muito mais dinâmica e instantânea, a percepção de criminalidade cresceu quase ano a ano.

Há uma explicação para isso: prestamos muito mais atenção a notícias ruins do que a boas, em grande parte pelo mesmo fator genético que comentei no post de ontem. E, com mais notícias sendo espalhadas via redes sociais, a nossa capacidade de fixação em um volume tenebroso de más notícias apenas aumenta.

Há também uma observação muito importante aqui: é a percepção que dita os rumos de uma sociedade uma vez que a demanda, enquanto conceito, depende dela. Para ficar em um exemplo: a não ser que estejamos falando de um soldado em plena zona de guerra, ninguém compra um carro blindado porque precisa dele, e sim porque tem a percepção de precisar. São coisas diferentes.

Ainda assim, é essa percepção – e apenas ela – que cria (ou destrói) mercados inteiros.

 

 

Pequeno exemplo de como o caos pode gerar oportunidades

Status da página no Facebook de House of Cards, série que retrata os bastidores da política americana, no mesmo dia em que os áudios comprometedores de Lula e Dilma foram liberados para a imprensa: 
Em 24 horas foram mais de 15 mil reações espontâneas de usuários. 

  
Tá: é um exemplo simples, quase pequeno demais frente ao tamanho do caos que estamos vivendo. Mas, ainda assim, foi uma oportunidade gerada por conta desse momento e muito bem aproveitada por eles. 

Além disso, em tempos de crise, qualquer estratégia de marketing que ajude a manter vendas e audiência certamente é mais que bem vinda. 

Estudemos juntos.

Como o ser humano se espalhou pelo mundo

Nós fomos (e somos), inegavelmente, a espécie mais importante do planeta. Sim: pode-se argumentar que estamos destruindo o nosso ecossistema, que não respeitamos os nossos “colegas de mundo” e assim por diante.

Mas, ainda assim, mesmo considerando que somos a espécie mais frágil de todas ao nascer, conseguimos crescer e nos impor – para o bem ou para o mal – no topo da cadeia alimentar.

Só essa ascensão extremamente ágil já é suficiente para que prestemos mais atenção na estratégia (embora acidental) que a humanidade adotou para dominar o planeta.

A Business Insider fez, recentemente, uma série de vídeos abordando esse e outros assuntos. Vale conferir o primeiro, abaixo: