Livro Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas

Vim publicando, ao longo das últimas semanas, todo o meu novo livro aqui no blog. Pois bem: certamente há quem se contente com o material em forma de post mesmo – e que sempre estará por aqui.

No entanto, se preferir adquirir o livro inteiro de maneira organizada, estruturada, seja em forma impressa ou digital, ele está já à venda no Clube de Autores.

Para saber mais e comprar, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente neste link: https://www.clubedeautores.com.br/book/215122–Algoritmos__Robos

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Espero que gostem!

 

[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] Os robôs nas redes sociais

Não é preciso dizer que um robô dificilmente conseguiria a capacidade intelectual necessária para escrever uma obra como Guerra e Paz. Apenas repetindo o óbvio: no passado, na era de escassez de conteúdo, obras densas assim eram fundamentais para mudar a opinião de pessoas que, em geral, tinham em suas mãos muito tempo, poucos contatos e poucas opções de conteúdo.

Quando tudo muda… bem… tudo muda.

Com tanto conteúdo e tantos amigos por aí, basta ser simples e preciso para formar uma opinião.

O caso Lajello

Em 2009, Luca Maria Aiello e alguns amigos da Universidade de Turim, na Itália, resolveram estudar o comportamento das pessoas em uma rede social local chamada aNobii.com, focada em indicações de livros.

Pelas regras da rede, cada pessoa tinha uma página de perfil aberta e podia escolher ficar amigo de quem quisesse. Uma rede absolutamente tradicional, portanto.

Para mapear a aNobii, Aiello desenvolveu um crawler – uma especie de “robô rastreador” – que começava visitando o perfil de uma pessoa e, partir dela, cada uma de suas conexões, visitando em seguida as conexões de cada conexão e assim por diante.

E, claro, para ter acesso à rede, a equipe precisou criar um perfil próprio para este robô, que ela batizaram de Lajello.

Em julho de 2010, a própria rede social alterou a sua política de privacidade permitindo que todos os usuários pudessem ver as pessoas que visitaram as suas páginas de perfil, o que acabou tirando Lajello do anonimato.

De maneira quase instantânea, a página de perfil de Lajello começou a receber visitas de usuários curiosos por saber quem estava interessado neles – um tipo de contrafluxo inesperado. Luca Aiello então se fez uma pergunta: seria possível transformar um robô em um indivíduo popular e influente?

Para responder a essa pergunta, Lajello primeiro foi programado para não interagir com ninguém exceto por meio das visitas rotineiras às páginas de perfil. O objetivo, claro, era medir as consequências de um volume mínimo de interação social. A partir daí, eles começaram a registrar as respostas dos usuários na página de Lajello.

A cada rodada de visitas que o robô fazia ele ganhava diversas mensagens em seu mural; quando as visitas cessavam, a atividade também desaparecia.

Como as visitas eram muitas, no entanto, os números registrados foram impressionantes: até dezembro de 2011 (um ano e meio depois do começo do experimento, portanto), a página de Lajello somava 2.435 mensagens deixadas por mais de 1.200 pessoas em 66 mil visitas. Ninguém sabia que se tratava de um robô.

Para se ter ideia da expressividade desses números, Lajello já era o segundo perfil mais popular de toda a rede.

Mas, se a popularidade havia sido alcançada, faltava ainda transformar o robô em um indivíduo influente.

Para fazer isso, o time programou Lajello para recomendar amigos randomicamente – ou seja, sugerindo que um usuário conectado a ele se conectasse a outro usuário. Resultado: 52% das suas recomendações foram seguidas.

O caso de Lajello acabou sendo aberto e discutido em toda a Itália e, eventualmente, a aNobii tirou o seu perfil do ar. O experimento, no entanto, funcionara: um robô comprovadamente conseguiu se transformar em um indivíduo popular e formador de opinião.

O livro: Como Gerir Marcas na Era dos Micromomentos

Nas últimas semanas, vim publicando aqui no blog capítulo a capítulo do meu novo livro. Pois bem: ei-lo, agora, no ar, devidamente publicado e disponível em formatos impresso e ebook.

Para quem quiser, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link https://www.clubedeautores.com.br/book/208830–Como_Gerir_Marcas_na_Era_dos_Micromomentos

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A partir da semana que vem retomo as postagens aqui no blog 🙂

 

[Como gerir marcas na era dos micromomentos] Capítulo 14: Entram em cena os millennials

Toda era é, em grande parte, definida por uma determinada demografia. No caso da Era dos Micromomentos, seus principais atores são os millennials: pessoas nascidas entre 1980 e 2000 e que, portanto, formam a maior parcela da população economicamente ativa do mundo.

São pessoas que, se não nasceram coladas a monitores de celulares e tablets, aprenderam desde cedo que informação existe em abundância e que basta um clique para ter acesso a ela.

A importância disso? A mera existência de informação abundante impõe, quase que como ferramenta de sobrevivência social e mercadológica, que o tempo de cada um seja mais utilizado para passear por um volume maior de conteúdo em detrimento de um aprofundamento menor.

Troca-se qualidade por quantidade, em outras palavras.

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A origem da Era dos Micromomentos é precisamente esta: como não há tempo ou disposição para se adensar em grandes temas, as populações como um todo se satisfazem com um mínimo necessário – o que quer que seja isso – para formar a sua opinião e se mostrar socialmente ativo, relevante.

Vamos a algumas estatísticas básicas sobre os millennials:

Dado Reflexo no comportamento
78% preferem gastar dinheiro com experiências do que com objetos[1] A felicidade não está em bens materiais, mas na coleção de experiências de vida
77% afirmam que suas melhores experiências foram obtidas ao vivo[2] O momento ideal é sempre o agora
69% dizem se sentir mais conectados ao mundo e à comunidade pelo simples ato de se engajar e participar ativamente de algo[3] Conexão = protagonismo
69% alegam ter FOMO (Fear of Missing Out) – uma fobia de perder alguma experiência qualquer que poderia ser memorável[4] O ideal é ser onipresente
Em média, um americano consome hoje 18 horas diárias de mídia[5] Não existe algo como “consumo excessivo de mídia”
82% se informam predominantemente online. 60% dos millennials “topam” com a informação por canais sociais e 39% buscam ativamente – em grande parte para terem assunto para conversar com os amigos[6] Notícias servem para se poder expressar opiniões com agilidade, não para compreender o mundo
Em média, cada millennial usa 3,7 redes sociais diferentes[7] Não há um único canal: hoje, estar presente na maior rede não é o mesmo que falar com a maioria.

[1] Fonte: EventBrite, jul/ 2015

[2] Fonte: EventBrite, jul/ 2015

[3] Fonte: EventBrite, jul/ 2015

[4] Fonte: EventBrite, jul/ 2015

[5] Fonte: The Wall Street Journal, mar/ 2014

[6] Fonte: The Wall Street Journal, mar/ 2014

[7] Fonte: The Wall Street Journal, mar/ 2014

Os caminhos binários para uma nova ordem social

Para quem gosta de estratégia, analisar a crise política brasileira é um prato cheio. Primeiro, pelo espectro: estamos falando de um país de 200 milhões de habitantes como palco de uma guerra política.

Segundo, pela facilidade de análise de resultados: no momento em que estamos, todo o destino do país depende de uma saída “binária”: ou há ou não há impeachment. Claro: todo um mundo de coisas pode se desenrolar a partir de cada hipótese – mas tudo depende de qual dos dois caminhos tomaremos nos próximos dias.

E aí chegamos à questão do julgamento político.

O grupo pro-impeachment precisa de 342 votos de uma câmara com 513 deputados. O grupo governista precisa de 171 votos ou abstenções.

E o que determinará a escolha de um caminho ou outro? Excluindo as questões mais ideológicas e partidárias (como posições óbvias dos principais partidos antagônicos, PT e PSDB), o voto dos indecisos.

E esse voto depende de se pesar, essencialmente e a grossíssimo modo, dois fatores: dinheiro versus pressão popular.

Não é exatamente segredo para ninguém que o governo está tentando comprar, com cargos, dinheiro e promessas, todo o apoio que precisa para escapar da deposição.

Por outro lado, também não é segredo que o principal opositor do governo não é a oposição política, também antagonizada pela população descontente: é a enorme pressão popular. Os deputados que que migrarem para o grupo pro-impeachment, portanto, provavelmente o estarão fazendo por medo de perderem a elegibilidade futura.

Quais são, portanto, os motores que determinarão a nova ordem da política brasileira?

  1. A aposta em ganhos fisiológicos de curto prazo, confirmando, portanto, que pelo menos por mais algum tempo a mesma maneira de fazer política perdurará
  2. O temor da pressão popular, abrindo uma possibilidade de mudança na maneira de se fazer política no Brasil (que, ainda assim, certamente não será fácil)

Antes que me acusem de ingenuidade, é óbvio que certamente há negociações bem pouco ideológicas, para colocar de maneira eufêmica, rolando no grupo pro-impeachment. Mas é também óbvio que, quando o objetivo é extorquir alguém, as chances de sucesso tendem a ser maiores quando a “vítima” está mais enfraquecida.

Seja em qual for o caso, a onda de migrações pro e contra impeachment tem sido mapeada diariamente pelo Estadão e pelo VemPraRua. A cada nova notícia na imprensa, a cada novo pico de manifestações e a cada nova oferta de cargos, há mudanças no fluxo que determinará o resultado final dos indecisos.

Estamos no curiosíssimo lugar de protagonistas que conseguem acompanhar, em tempo real, o processo de decisão dos seus próprios destinos. Para quem não conhece, vale acessar o http://mapa.vemprarua.net.

Pelo menos até o final desse processo que nos redefinirá enquanto país.

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Percepção vs. Realidade 2

Veja esse gráfico abaixo:
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Ele compara a percepção com a realidade no cenário do crime nos Estados Unidos. A linha de baixo é a realidade, que se manteve relativamente estável desde o começo da década de 90. A linha de cima é a percepção, sempre muito pior que ela.

Curiosidade: desde que a Internet efetivamente explodiu, tornando a comunicação muito mais dinâmica e instantânea, a percepção de criminalidade cresceu quase ano a ano.

Há uma explicação para isso: prestamos muito mais atenção a notícias ruins do que a boas, em grande parte pelo mesmo fator genético que comentei no post de ontem. E, com mais notícias sendo espalhadas via redes sociais, a nossa capacidade de fixação em um volume tenebroso de más notícias apenas aumenta.

Há também uma observação muito importante aqui: é a percepção que dita os rumos de uma sociedade uma vez que a demanda, enquanto conceito, depende dela. Para ficar em um exemplo: a não ser que estejamos falando de um soldado em plena zona de guerra, ninguém compra um carro blindado porque precisa dele, e sim porque tem a percepção de precisar. São coisas diferentes.

Ainda assim, é essa percepção – e apenas ela – que cria (ou destrói) mercados inteiros.

 

 

Os padrões nos nossos céus

Este post não é exatamente nada de muito disjuntivo. Para falar a verdade, ele beira a mais completa inutilidade, bem na linha da “cultura inútil”.

Veja o gif abaixo:

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O que tem nele? Um ano de migração de pássaros pelas américas. E por que, exatamente, isso é interessante? Porque mostra padrões claros, repetitivos e comuns a diversas diferentes espécies.

É onde cabe uma metáfora quase delicada de tão sutil: no fim das contas, todas as espécies acabam migrando padronizadamente em busca de conforto. Para pássaros, esse conforto realmente pode ser expressado em forma de temperaturas mais adequadas – mas, para outros seres, o propulsor pode ser a busca de riqueza, de tranquilidade, de alimento e assim por diante.

Se olharmos as revoadas de pássaros nos nossos céus, facilmente teremos a impressão de que apenas o caos determina os seus comportamentos. O mesmo acontece quando olhamos pessoas sempre apressadas cruzando as ruas das nossas grandes metrópoles.

No entanto, basta afastar um pouco os olhos e se debruçar por estatísticas e veremos que não há quem se comporte ou aja fora de padrões tediosamente estipulados.

E esse é um dos ingredientes mais importantes para a inovação: saber detectar esses padrões.

 

O mapeamento de Connectomes e a previsão precisa da inteligência individual

Olhe para esta imagem:

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Ela é um exemplo do Connectome, ou rede de conexões neurais feita pelas pessoas com base em suas experiências de vida, que comentei no post de ontem. E sabe o que é mais impressionante? Como o Connectome é absolutamente individual – cada um tem a sua – é possível isolar e interpretar pessoas a partir de uma análise.

Na verdade, é um pouco pior: analisar o Connectome permite se prever a inteligência de uma pessoa. Por inteligência, não estou falando aqui de medir QI: estou falando de coisas bem mais abstratas como a capacidade de raciocínio sobre determinado tema, a propensão a violência, a capacidade de concentração e de solução de problemas cotidianos etc. Ou seja: inteligência mesmo.

O estudo publicado pela Nature (veja aqui) deixa claro que há, de fatos, mentes melhores que outras pela simples maneira com que as suas conexões são estruturadas.

A maneira mais fácil de entender esse modelo é olhando novamente para a imagem deste post. Perceba que, nela, há conexões mais fortes e conexões mais fracas. Para efeito de puro entendimento, considere o cérebro como o seu bíceps. Se você levantasse peso diariamente, certamente seu bíceps seria mais avantajado, forte… certo? Pois é.

Quanto mais fortes as conexões entre diferentes áreas do cérebro, mais desenvolvidas essas conexões ficam. Em um exemplo dado no estudo: uma conexão mais forte entre os lobos frontal e parietal indica uma inteligência mais sofisticada uma vez que essas duas áreas do cérebro são responsáveis por atividades mentais de altíssimo nível.

E para que serviria tudo isso? Simples: em um futuro hipotético, escolas poderiam usar uma análise de Connectome para colocar os seus alunos em ambientes realmente ideais para desenvolver determinadas conexões.

Na outra ponta, empresas poderiam pedir Connectomes  de candidatos a empregos ao invés de currículos para decidir quem é mesmo ideal para ela.

Sim: há toda uma leva de questionamentos éticos envolvendo privacidade aqui. Na medida em que a ciência avança, aliás, os grandes paradigmas da humanidade tendem a ser mais éticos do que técnicos.

Mas o fato é que há a possibilidade real, concreta, de prevermos a inteligência de indivíduos. Que podemos utilizar essa informação das mais diversas maneiras, para o bem ou para o mal, isso é claro. Se queremos mesmo, como sociedade, invadir os cérebros de todos os indivíduos, isso é outro questionamento.

Somos o que fomos programados para ser?

Se nos debruçarmos sobre a vasta literatura relacionada a genética, encontraremos explicações lógicas e racionais sobre tudo o que nos faz ser o que somos. Há uma sigla mágica para isso, inclusive: DNA.

De acordo com muitos, muitos cientistas, 100% do nosso comportamento é definido pela nossa estrutura genética que já carrega toda uma gama de características comportamentais. Há uma outra maneira de se ler essa informação: se todos realmente temos os nossos comportamentos pre-carregados em nosso DNA, então não somos muito diferentes robôs. Certo?

Não de acordo com o cientista Sebastian Seung. Ele tem um outro conceito chamado de Connectome. Segundo ele, nós nos definimos não (apenas) pelo nosso DNA, mas principalmente pela somatória de experiências de vida – memórias – expressadas em nossa rede neural.

O conceito é não apenas disruptivo, mas também um alívio. Sermos fruto das nossas próprias vivências é algo que consegue agregar um tipo de caos na identidade de cada ser humano. Nos deixa mais imprevisíveis, menos chatos e muito, muito mais surpreendentes.

Vale conferir o vídeo abaixo: