Livro Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas

Vim publicando, ao longo das últimas semanas, todo o meu novo livro aqui no blog. Pois bem: certamente há quem se contente com o material em forma de post mesmo – e que sempre estará por aqui.

No entanto, se preferir adquirir o livro inteiro de maneira organizada, estruturada, seja em forma impressa ou digital, ele está já à venda no Clube de Autores.

Para saber mais e comprar, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente neste link: https://www.clubedeautores.com.br/book/215122–Algoritmos__Robos

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Espero que gostem!

 

Reclamar demais programa o cérebro para a negatividade

Pode parecer piada, mas não é.

Esse tópico foi tema de um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Arkansas chamado “The Pseudopsychology of Venting in the Treatment of Anger: Implications and Alternatives for Mental Health Practice”, publicado também em 2007 no Scientific Review of Mental Health Practice.

O resumo é o seguinte:

O cérebro tem toda uma coleção de sinapses separadas por uma espécie de espaço vazio. Sempre que se tem uma ideia, por exemplo, uma sinapse faz um disparo químico por meio desse espaço vazio, construindo uma espécie de ponte sobre a qual o seu sinal elétrico possa atravessar carregando sua carga de informação (ou o pensamento em si). O que ocorre, no entanto, é que cada vez que sinapses semelhantes são disparadas, elas acabam ficando mais “juntas” como forma de diminuir o espaço a ser coberta por essa ponte elétrica. Parece meio complicado, mas o resumo é: quanto mais pensamentos negativos você tiver, mais o cérebro criará um ambiente propício para que pensamentos negativos cresçam.

É claro que o oposto também é verdadeiro: quanto mais positivo você for em relação à vida como um todo, mais inclinado à felicidade você será.

E é claro também que sinapses não se restringem a uma linguagem binária de felicidade versus tristeza: quanto mais você pensar em um determinado assunto, mais íntimo será dele; quanto mais estudar ou pesquisar, mais inteligente tenderá a ser; quanto mais criar, mais criativo se transformará; e assim por diante.

Muito disso é óbvio? Sim, sem dúvidas. Mas é sempre bom ver uma explicação científica sobre as coisas da vida com as quais estamos já tão acostumados.

Vale ler a matéria inteira, da Inc, aqui: http://www.inc.com/jessica-stillman/complaining-rewires-your-brain-for-negativity-science-says.html

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A mente pode se auto-reparar?

Estresse, tédio, depressão: os efeitos desses sentimentos, todos fruto de um contexto em que problemas se fixam por tempos excessivos no nosso pensamento, são sempre dramáticos.

Já falei dos resultados disso em algum outro post: o cérebro se embota, chegando até a diminuir. Mas há alguma capacidade dele se reparar sozinho – da mesma forma que um músculo depois de um treinamento muito intenso? Aparentemente, há sim. 

Como memórias se formam e como as perdemos

Não são as memórias que nos diferem dos nossos companheiros de planetas – todos largamente abaixo dos humanos na cadeia evolutiva. É a capacidade da nossa espécie de raciocinar sobre essas memórias, de unir umas às outras em uma teia lógica em que observações são preenchidas com deduções, com fantasias ou com projeções quaisquer.

Mas, claro, a base de qualquer raciocínio continua sendo a observação constatada – e, portanto, a memória. Esse sentido, vale entender como as memórias e como perdemos algumas delas.

Perceba, novamente, que depressão e estresse, ambos fruto do tédio e da monotonia que definem uma situação de “anti-caos” crônica, são os principais vilões:

Por que o cérebro dos polvos é incrível?

A “qualidade” da nossa mente pode ser medida pela nossa capacidade de resolver problemas.

Não digo aqui apenas problemas gravíssimos, como os que afligem a humanidade e o futuro da espécie, mas também pequenas coisas como aprender a abrir portas, a ligar computadores e assim por diante.

Olhe em volta de si: tudo, absolutamente tudo relacionado à nossa interação com o ecossistema é feito de problemas que, mesmo sem nos darmos conta, acabamos resolvendo.

E, claro, quanto mais problemático o ecossistema, mais a nossa mente se força a trabalhar para resolvê-lo. Caos gera inovação.

Vamos agora aos polvos. Eles tem tentáculos repletos ventosas e uma cabeça quase do mesmo tamanho que o restante do corpo. Há um motivo para isso: em um ambiente hostil e com pouca capacidade de defesa, ele tem que usar a sua mobilidade “multimembrada” como chave para a própria sobrevivência.

O resultado? é uma das espécies mais inteligentes de todo o nosso planeta. Veja abaixo:

Como o estresse detona o cérebro

Já que o post de ontem abordou o papel da disrupção na potencialização criativa, vamos ver o que acontece quando a situação é inversa.

Antes, explico: por disrupção ou busca do caos, não entenda algo como uma briga ou uma situação agravada de estresse. Entenda o exato oposto: uma incursão por um universo diferente, seja no cenário cotidiano, no contato com outro idioma, com outros povos ou outros conhecimentos, que acaba invariavelmente te arrancando do seu normal e, portanto, fazendo o seu cérebro praticamente explodir em sinapses que acabam gerando aqueles sempre bem vindos insights.

O que entendemos por estresse, por outro lado, é o oposto. Estresse costuma ser resultado de uma situação repetitiva da qual não conseguimos nos livrar – uma espécie de tendinite mental, por assim dizer. Fica-se cronicamente estressado quando se trabalha 12, 14 horas por dia por um longo período; quando se está por tanto tempo endividado que não se consegue mais pensar no assunto; quando a relação com o parceiro de vida (ou de momento) está já recheada de dúvidas e questionamentos inconvenientes; e assim por diante.

Estresse é o estado crônico da fadiga, a normalização tediosa de uma situação qualquer por tanto tempo que minutos passam a parecer dias e dias, meses.

Estresse é o oposto, portanto, do estado hiperdinâmico e criativo do caos.

O seu efeito? Até encolhimento do cérebro acontece. Veja abaixo:

Percebendo a percepção

Sempre tive como verdade absoluta que percepção é tudo – e que percepção é sempre relativa.

Tudo, no final das contas, depende de como o nosso cérebro cruza informações e experiências para gerar opiniões. Não é por outro motivo, aliás, que todos sempre temos opiniões fortes sobre tantas coisas.

Um programa na BBC fez uma espécie de metáfora mais dura com isso, forçando o cérebro a enxergar em cores uma imagem em preto e branco. Veja o vídeo e abstraia esse experimento para as nossas visões de mundo.

Antes, uma explicação técnica: esse fenômeno que você testemunhará no vídeo tem a ver com nossas “células cone”, um dos dois tipos de fotoreceptores em nossa retina e responsáveis pela visão a cores.

Temos três tipos de cones sensíveis a ondas de luz azuis, verdes e vermelhas. Quando somos expostos em excesso a uma única cor, o cone ligado a ela fica superestimulado, “cansado” e deixa de “responder”. Isso te deixa apenas com os outros dois tipos de cone temporariamente, o que, consequentemente, o faz enxergar as cores complementares (como vermelho versus verde ou azul versus amarelo).

Depois de alguns segundos, os cones voltam a funcionar normalmente e pronto.

Abstraindo o experimento, é o mesmo que acontece quando ficamos expostos em demasia a uma única visão de mundo: nos cansamos e passamos a ver “o outro lado”. Lembra de Laranja Mecânica, que “tratou” o protagonista estuprador com uma overdose de cenas de sexo? A mecânica é a mesma.

Para ajudar: ao ver o vídeo abaixo, haverá um momento em que você verá uma bola azul no centro da imagem. Foque-se nela e percebe como verá a imagem “preto e branca”. o

 

Como transformar humanos em robôs: o MIT e o controle das memórias

OK: uma simples estrutura genética pode dizer muito sobre quem somos, mas nem de longe traz uma definição exata de cada pessoa. Essa definição exata e absolutamente individual depende, diretamente, da relação entre cada uma das experiências que acumulamos ao longo de cada segundo de vida. Falei um pouco disso quando o tema era Connecdomes (veja aqui e aqui).

Esse tipo de estrutura garantiria uma certa sobrevida à nossa espécie justamente por ser centrada na necessidade do caos. Afinal, se experiências e memórias são essencialmente individuais – e se são essas experiências e memórias que, em grande parte, ditam as nossas ações e reações, então um elemento de inusitado sempre estaria presente na humanidade.

Exceto, claro, se alguém conseguisse controlar as nossas memórias.

Sim: há todo um universo de filmes de ficção científica pautados pelo controle da mente – e parece que a realidade está se aproximando da arte.

Há duas pesquisas de grande porte sendo feitas no MIT que tem recebido pouca atenção, mas que podem mudar tudo. Por tudo, entenda ABSOLUTAMENTE TUDO, incluindo a nossa própria existência.

A primeira foi uma descoberta, anunciada em 2011, do gene Npas4. Sua função: controlar a formação de memórias. é simples assim: sem esse gene, memórias simplesmente não são formadas em nosso cérebro, causando limitações drásticas na nossa própria habilidade de sobrevivência. O MIT conseguiu “gerar” ratos sem o Npas4, diga-se de passagem.

A segunda pesquisa é mais nova: a descoberta do local exato das memórias. Até pouco tempo, se convencionava que memórias eram mais conceituais do que físicas, dependendo de toda uma rede de conexões. Pois é: aparentemente, elas tem endereço preciso e ficam encodadas em alguns neurônios.

Em um experimento, cientistas deram um choque elétrico em ratos para criar uma memória de medo na região do hippocampus (vide imagem). Em seguida, eles utilizaram iluminação a laser para ativar os neurônios onde a memória estaria armazenada. Adivinha? Imediatamente, os ratos se prostraram em posição de defesa, deixando claro que o medo havia sido ativado com sucesso.

OK… se já se sabe o gene responsável pela formação da memória e o endereço exato em que elas ficam, o que falta?

Controlá-la. Sabe-se o que e o onde, mas não o como.

O próximo passo, portanto, é óbvio: entender como, fisicamente, o cérebro aprende, para se testar a criação mecânica de memórias e forçar uma aprendizagem artificial. Há, claro, um lado bem obscuro nisso tudo: a instituição que conseguir controlar isso terá o domínio da humanidade ao seu alcance. Afinal, da mesma maneira que ela conseguirá criar superhumanos com uma inteligência capaz de aniquilar qualquer tipo de inimigo em praticamente qualquer campo de conhecimento, ela também conseguirá inserir códigos de comportamento e de subordinação em toda a nossa espécie.

E o mais impressionante é que esse tipo de pesquisa está em graus tão avançados que dificilmente poderá ser revertida a essa altura. O que isso significa?

Que talvez a humanidade esteja a um passo de aniquilar o caos que nos torna indivíduos valiosos – e, por consequência, a um passo de gerar uma nova espécie de humanos que certamente nos fará obsoletos.

Parece que o mundo que estamos criando terá pouco espaço para nós mesmos.

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Tóquio saturando os sentidos

Partindo do princípio de que a melhor – ou pelo menos a mais intensa – forma de se viver é mergulhando de cabeça no caos, as grandes cidades sao um prato cheio. 

Acompanhe o raciocínio: 

Se você passar todo o tempo que tiver em um ambiente calmo, relaxado, com paisagens plácidas e um estilo que possa ser definido como zen, terá poucos estímulos com os quais trabalhar. E, por estímulo, entenda tudo: cenas diferentes desfilando pelas córneas, comidas exóticas desafiando o paladar, cheiros que vão dos mais puros aromas aos mais repugnantes odores, materiais plasticamente distintos que chocarão o seu tato a cada toque. Cada uma dessas diferenças, dessas novidades, gerará alguma espécie de sinapse diferente em seu cérebro – algo que o tirará da zona de conforto que ele naturalmente busca o tempo todo. 

O resultado disso? Incômodos sucessivos. E o que incômodos buscam? Soluções capazes de aniquilá-los. 

Em outras palavras: o caos de sensações acabará forçando o seu cérebro a buscar algum tipo de ordem, de inovação que possa ser aplicada em uma vida pessoal ou como um produto para atender a toda uma sociedade. Já postei isso inúmeras vezes aqui no blog e repito: inovação nasce do caos – apenas do caos. Se tudo estiver calmo e ordenado, afinal, simplesmente não há motivo para se perder tempo pensando em nada novo. 

Esses dias eu me deparei com um vídeo que sintetiza exatamente esse pensamento feito por um cineasta amador. Em linhas gerais, é uma espécie de mini-documentário quase sensorial sobre um dia em Tóquio. Seu raciocínio: a metrópole é tão cheia de contrastes, tão forte e intensa, que ela impressiona pela soma de suas personalidades. 

O texto, infelizmente, não tem legenda em português – mas a música e a fotografia são mais do que o suficiente para que se entenda a mensagem. 

Uma coisa eu garanto: essa saturação de sentidos proporcionadas pelo gigante asiático é uma das coisas mais sedutoras que já vi. Dá vontade de voar imediatamente para lá e sorver toda essa vida que a capital japonesa oferece. 

(Mas, nessa mesma linha de raciocínio… não é também o mesmo estilo que grandes cidades como Nova York, Paris, Londres, Johannesburg e São Paulo também oferecem?)

Tokyo Roar from Brandon Li on Vimeo.

Somos todos peixinhos dourados

Uma das personagens mais marcantes do filme Nemo é a Dory, peixe cuja memória não durava mais do que um punhado de segundos. 

A nossa reação ao assistir cenas com ela costuma ser de riso, naturalmente. Mas o que quase ninguém se dá conta é que a Dory, na prática, é uma profetização do nosso próprio futuro (ou presente).

Veja: na vida real, a memória de um peixinho dourado dura apenas 9 segundos. É o tempo, por exemplo, dele ir de um lado a outro do aquário e esquecer completamente que estava lá, continuando indefinidamente a nadar sem jamais morrer de tédio. 

OK – mas o que isso tem a ver com a gente? 

No ano 2000, o tempo médio que uma pessoa conseguia se manter concentrado em algo era de 12 segundos. A partir daí ela já começava a se perder por entre outros pensamentos, lembranças e coisas do gênero. Pouco?

Pois é. Em 2013, esse tempo de concentração caiu para 8 (isso mesmo, OITO) segundos. Em média, a espécie humana consegue prender a sua concentração por menos tempo que um peixinho dourado. 

Um levantamento do National Center for Biotechnology Information, dos Estados Unidos, trouxe também outros dados bem interessantes: 

  • 25% dos jovens esquecem, completamente, detalhes importantes da vida de familiares e amigos mais próximos
  • 7% de todas as pessoas esquecem, ocasionalmente, a própria data de aniversário (!)
  • Um profissional checa a sua caixa de emails no trabalho, em média, 30 vezes POR HORA
  • Em média, só 28% do conteúdo de uma página Web normal (com 593 palavras) é lida

O que isso tudo significa? Que prender a atenção de qualquer um hoje, em meio ao caos de informação que caracteriza a vida moderna, está longe de ser uma tarefa simples. 

E, claro, esperar que todo um público-alvo consiga captar e interpretar direito uma mensagem minimamente complexa, seja uma propaganda ou mesmo uma notícia, é algo surpreendentemente frustrante. 

Talvez essa seja a próxima grande missão dos estrategistas de plantão: aprender a fisgar peixinhos dourados.