Um novo estilo de filme?

Dizem que um livro ou filme depende muito mais do seu leitor ou espectador do que do criador.

Concordo. A interpretação é essencialmente algo individual, dependente muito mais do histórico de quem absorve o conhecimento do que de quem o compartilha.

Em tempos que tem na palavra “compartilhamento” algo muito mais literal, no entanto, o próprio conceito de se contar histórias muda.

E se, ao invés de ver um filme, pudéssemos vivê-lo, caminhando entre seus personagens e cenas? Nesse caso, cada espectador teria invariavelmente uma experiência única: veríamos apenas na direção que nossas pupilas estivessem apontando, ignorando o que estivesse se passando atrás ou mesmo ao nosso lado. 

Vi uma experiência desse conceito recentemente em um filme 360 graus sobre tubarões feito com uma GoPro por Jeb Corliss. 

Recomendo fortemente a todos que cliquem no link abaixo: é uma maneira simplesmente diferente de se contar histórias.

Dica: esse vídeo funcionará apenas se visto a partir de um IPhone.

Dica 2: quando ele começar, gire o IPhone para todos os lados para viver melhor a experiência.

https://www.facebook.com/gopro/videos/10153908208786919/ 

https://www.facebook.com/gopro/videos/10153908208786919/

A palavra, o momento e uma previsão triste para o futuro próximo

Não acredito que os tempos que vivemos hoje sejam particularmente diferentes do passado, ao menos do ponto de vista de tumultos e conturbações sócio-políticas.

Sim: temos toda uma crise de imigrantes deixando o Oriente Médio rumo à Europa, temos grupos terroristas poderosíssimos e alguns insanos soltos por aí se explodindo e ceifando dezenas ou centenas de vidas inocentes. Não quero menosprezar nada disso, mas o fato é que o foco no presente costuma deixar o passado turvo.

Desgraça por desgraça, passamos anos em uma Guerra Fria que, apenas para citar dois dos seus efeitos oficiais – as Guerras do Vietnã e do Afeganistão – foi muito mais assassina do que qualquer evento da última década.

Não que estejamos vivendo em uma era necessariamente melhor – nossos tempos são apenas mais claros, transparentes, informatizados. O efeito disso é duplo: por um lado, conseguimos saber mais do que sabíamos antes – e em tempo real; por outro, o excesso de informação nos faz interpretar como mais intenso qualquer fato que se depare perante nossos olhos.

Excesso de realidade é perigosa.

Tomemos a questão dos imigrantes: a falta de capacidade do mundo em absorver milhões de refugiados de países em colapso gerou todo um movimento de “defesa” por parte dos cidadãos europeus ao ponto de ter rachado o próprio conceito de União Europeia.

O “queremos continuar prósperos” rapidamente se transformou em “os imigrantes são os nossos inimigos” que, por sua vez, se metamorfoseou no mesmo instante no mais puro preconceito.

Preconceito pode ser algo burro por natureza – mas, se há algo que a história da humanidade já comprovou, é que ele sempre encontra quórum. A partir do momento em que um perfil de humanos é considerado como fator de risco para a prosperidade, o conceito do preconceito ganha uma força inimaginável.

Em nossos tempos de comunicação instantânea, princípios segregacionistas conseguem ser mais fortes do que o próprio alvo da segregação. Quer um exemplo prático?

Um dos principais efeitos da crise de refugiados árabes está se desenhando a milhares de quilômetros de distância da Europa, no continente norteamericano.

É lá que o clima de ódio mais tem se instaurado, tomando forma oficial nas palavras do pre-candidato republicano Donald Trump.  Populista perigosamente habilidoso, ele tem culpado o que define como “raças específicas” (no caso, latinos) por boa parte dos problemas econômicos de seu país – e pregado a segregação como remédio. A mesma segregação pregada, às claras ou às escuras, na Europa, embora mirando outras vítimas – e que ganha a força que apenas as ideias mais abstratas tem.

O resultado disso?

O discurso de culpabilização racial de Trump ganhou rapidamente contornos próprios e desenhou cisões ainda mais fortes nos Estados Unidos, país que já convivia faz séculos com   problemas raciais graves.

Na semana passada, em Dallas, um negro (que, lá, não pode ser chamado de negro, e sim de “afro-americano”) disparou contra diversos policiais brancos (que, a propósito, podem ser chamados de brancos)  alegando estar cansado de ver injustiças raciais.

Foi apenas mais um dos casos de crime racial – nada perto de uma notícia discretamente publicada aqui pelo Globo (clique aqui para ver): o ressurgimento da Ku Klux Klan, grupo que ficou célebre na primeira metade do século XX por queimar negros vivos no sul dos Estados Unidos.

O perigo maior mora justamente nesse ponto: quando ideias abstratas começam a dar margem a grupos organizados. Um mau presságio.

Em resumo: o caos, como sempre comento por aqui, pede ordem – e ordem, do ponto de vista de uma sociedade, é traduzida pelo surgimento de organizações com propósitos bem definidos.

No futuro próximo, provavelmente nos depararemos com uma série de grupos organizados escalando o discurso de ódio e disseminando o conceito de terrorismo para muito além do oriente médio da Jihad tradicional.

Teremos, infelizmente, dias sangrentos pela frente.

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Mais sobre inteligência artificial

Na semana passada fiz um post sobre porque os computadores jamais serão mais criativos do que os humanos (veja aqui). Continuo mantendo a mesma opinião e pelos mesmos motivos – mas há uma palestra sensacional sobre como os computadores estão aprendendo a ser criativos que vale muito ser vista.

Ei-la abaixo, infelizmente apenas em inglês:

https://embed-ssl.ted.com/talks/lang/en/blaise_aguera_y_arcas_how_computers_are_learning_to_be_creative.html

 

O que o processo de impeachment está nos ensinando sobre os millennials?

Uma das maiores dificuldades políticas que tenho hoje é entender como, dada a situação catastrófica que o Brasil está, alguém consegue se erguer a favor da presidente afastada chamar de golpe um processo de impeachment previsto na constituição e seguindo todos os trâmites estabelecidos por todos os três poderes da república que compõem a nossa democracia. 

Essa dificuldade não vem de ideologias políticas ou nada do gênero – vem de uma das mais básicas características do ser humano moderno: a interpretação de textos.  

Sendo extremamente prático: independentemente de qualquer viés político que, obviamente, sempre existirá em qualquer processo traumático de troca de governo, o que se questiona é a legitimidade ou não do impeachment. Certo? 

A constituição diz o seguinte (e tiro um print da tela para evitar qualquer acusação de parcialidade): 


Apenas reforçando: o artigo IV deixa claro, no item VI, que atentar contra a lei orçamentária é um crime de responsabilidade. Não há nada insinuado aqui: isso é claro, objetivo. 

Vamos então à lei orçamentária, com novo print: 

Nesse caso, basta ler os itens 4 a 12. Todos foram descumpridos inclusive de acordo com a perícia realizada pelo TCU. 
O resultado desse descumprimento é patente: basta olhar os níveis de desemprego e o tamanho da crise. 

E qual a pena para isso? De acordo com a constituição, a perda de cargo.  

Recapitulando: 

  1. A Constituição tem regras cristalinamente claras e expressas sobre o que não pode ser feito sob pena de impeachment
  2. A Presidente descumpriu essas regras
  3. O descumprimento originou a maior crise econômica da história do Brasil
  4. A Presidente está afastada e deve ser destituída do cargo com julgamento que inclui o Congresso e seguindo ritos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal – exatamente como manda a Constituição
  5. Há ainda milhares de pessoas nas ruas dizendo que tudo isso é um “golpe”

A pergunta que fica é: como? Isso é a tal cegueira deliberativa? 

Não. 

Cegueira deliberativa pode até atingir uma parcela mais velha da população – aquela que já carrega a paciência e o estilo de raciocínio da Geração X. Muitos destes são os “órfãos da esquerda”: cresceram defendendo ideais próximos do socialismo e do modelo de bem-estar social, são ideologicamente irmãos do bolivarianismo, acreditam que os inimigos são os Estados Unidos (e não os nossos esdrúxulos governantes) e, deparados com os resultados desastrosos da economia somados às quantias assombrosas de corrupção de uma era dominada pelo partido que melhor representava seus pensamentos, o PT, preferiram tomar o atalho fictício de cerrar os olhos para o óbvio e culpar o resto do mundo. 

Não é isso que acontece com as novas gerações, os millennials, muitos dos quais seguem bradando críticas contra “o golpe” e ignorando que as medidas impopulares que precisam ser tomadas para se combater a crise (como corte de investimentos em áreas sociais, por exemplo) não são causa do novo governo que não está no poder sequer a 2 meses, e sim consequência do antigo que lá ficou por 13 anos.

E aqui entra o “x” da questão, o motivo pelo qual este post está sendo feito em um blog sobre caos, inovação e estratégia como um todo: o entendimento de como funcionam os millennials. 

Vamos a alguns dados interessantes que refletem seus comportamentos – primeiro, de acordo com a Eventbrite (jul/2015):

  • 78% dos millennials escolheriam gastar dinheiro com experiências ao invés de com objetos
  • 77% afirmam que suas melhores experiências foram obtidas em eventos ao vivo
  • 69% dizem se sentir mais conectados ao mundo e à comunidade pelo simples ato de se engajar e participar ativamente em algo
  • 69% dos millennials afirmam ter FOMO (Fear of Missing Out), uma fobia de perder alguma experiência qualquer que poderia vir a ser memorável

Para fechar, de acordo com o Wall Street Journal (mar/ 2014):

  • 61% dos millennials se informam por acidente, via opiniões de amigos em redes sociais, em grande parte com o objetivo de terem assunto para poderem se expressar e se manter sociáveis 

O que isso tudo quer dizer? 

Que exigir de um millennial que ele leia a Constituição Brasileira antes de sair gritando “golpe” é, na melhor das hipóteses, estupidez. Millennials querem se engajar – e discursos inflamados propiciam isso com uma qualidade muito, mas muito maior do que qualquer texto chato escrito em juridiquês (como a constituição). 

Chamo atenção para um ponto importante deste texto – possivelmente o mais importante de todos: os errados não são os millennials e a “nova” forma de se interagir com o mundo. Não se pode culpar uma geração inteira por ela não pensar da mesma forma que as gerações passadas. Os errados são justamente os comunicadores que insistem em usar racionalidade enfadonha contra emotividade pulsante. 

Isto posto, a possibilidade do processo de impeachment como um todo ser considerado como constitucional pela quase totalidade da população brasileira é, em minha opinião, nula – mesmo se tratando de um processo que segue rigorosamente todas as regras jurídicas. 

Isso também nos ensina algo importantíssimo: o abismo de comunicação entre as gerações que estão no poder (seja do governo ou nas grandes corporações) e as que estão formando o novo mercado de trabalho e de consumo é gigante. 

Quem nasceu, portanto, antes de 1980, tem uma missão fundamental se quiser continuar ativo no mercado: reaprender a se comunicar e a pautar seus argumentos mais pelo estômago do que pelo cérebro.

Robôs e fascínio tecnológico

Na última quarta fiz um post sobre inteligência artificial e sobre os riscos que a própria humanidade corre ao tentar corrigir justamente o caos que alimenta a sua própria evolução. Robôs, afinal, são seres inteligentes aperfeiçoados, que não cometem erros de lógica e que vivem seguindo raciocínios essencialmente binários.

São, portanto, tão perfeitos e encantadores quanto chatérrimos. Quer um exemplo? Veja esse vídeo abaixo, de um dos robôs da Boston Dynamics:

Porque inteligência artificial jamais ganhará da inteligência humana

Robôs foram concebidos, mesmo nos filmes de ficção científica, para funcionarem como entidades perfeitas e sem os defeitos inerentes à biologia humana. Até aí, nenhuma novidade.

Filmes mais fatalistas (como o Exterminador do Futuro ou Matrix) criaram toda uma visão de futuro em que robôs, dotados de inteligência lógica maior e mais poderosa que os humanos jamais teriam, acabaram concluindo que nós éramos a grande praga do mundo e buscaram destruir a nossa espécie.

Não sei se um dia chegaremos a isso – mas tenho sérias dúvidas quanto à superioridade real que entidades artificias podem conseguir ter. Explico.

Todo e qualquer sistema de inteligência artificial se baseia em uma espécie de lógica unidirecional: ao encontrar um problema, ele buscará resolver este problema. Sim: parte das tentativas de resolução resultarão em falhas, naturalmente – e sistemas inteligentes aprenderão a não repetir mais estas falhas enquanto engendram outras possibilidades de solução. Seja por matemática ou tentativa e erro, o objetivo de um robô sempre será resolver um problema colocado diante de si, algo que eventualmente ele conseguirá fazer com uma velocidade e qualidade muito maior que o mais genial dos humanos. Robôs são eficientes.

O problema é justamente este: sistemas de inteligência artificial estarão sempre atrelados a um objetivo (e, portanto, desconectados de um ambiente caótico como é o funcionamento do cérebro humano).

Recorro a um exemplo simples, quase besta, para me explicar melhor: o Post-it. A criação deste que é um dos mais rentáveis produtos do mundo foi uma espécie de erro de cálculo, de falha. Na prática, os seus criadores estavam buscando desenvolver uma cola hiper-resistente, chegando, obviamente que por uma falha de percurso, no que se pode considerar uma pseudo-cola fraca o bastante para ser quase inútil.

Se o processo criativo estivesse sendo determinado por um robô, ele rapidamente aprenderia com o erro, descartaria a cola fraca e seguiria tentando criar a sua super-cola, provavelmente com um sucesso mais rápido que seus pares humanos. Seu objetivo seria esse, afinal – e robôs não mudam de rota.

O humano que viu essa “pseudo-cola” gerada por um erro, no entanto, acabou criando um novo produto, com um novo propósito, a partir de todo um conjunto caótico de sinapses que ocorreram no fundo do seu cérebro. Deve ter pensado em papéis soltos na sua mesa de trabalho; no quanto seria útil se ele conseguisse colar lembretes em seu computador; na necessidade desses lembretes serem descartados facilmente no instante em que fossem resolvidos; e assim por diante. Deve ter pensado em todo um conjunto de problemas humanos que computadores jamais teriam – e foi desse conjunto de pensamentos absolutamente desconectados do objetivo de desenvolver a super-cola que ele acabou concebendo o Post-it.

Ao invés de mudar a fórmula da invenção que buscava para atender ao desafio originalmente colocado diante de si, ele mudou o objetivo para encaixar a fórmula “falha” que criou por acidente de percurso. Inverteu-se a lógica em um processo que, sob a ótica do propósito original, foi absolutamente ineficiente.

O que o humano fez que um robô jamais faria? Ele mergulhou fundo no caos de seus pensamentos, ainda que de maneira inconsciente, e teve o estalo de se desconectar de seu objetivo primário e fugir de toda uma linha própria e estabelecida de raciocínio. Ele mudou de raia, por assim dizer, e preferiu adotar uma espécie de caminho ilogicamente mais longo, torto, quase conscientemente “errado”.

E é precisamente isso que robôs jamais conseguirão fazer por um motivo simples: eles não tem inconsciência e nem consciência, elementos fundamentais para que consigamos raciocinar de maneira livre e caótica. Sim: sistemas de inteligência artificial são solucionadores de problemas muito, mas muito mais eficientes que os humanos (e precisamente pela mesma falta de consciência e inconsciência que nos caracteriza e nos faz “mudar de raias” de maneira tão fácil). Só que inovação não é pautada pela habilidade de se resolver problemas: ela é, antes de mais nada, pautada pela capacidade de se detectar os problemas.

E isso sim requer algo que vai muito além de um conjunto de fórmulas programadas em um computador.

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Vendo um futuro melhor

Não, este não é um post sobre política, sobre altruísmos de organizações quaisquer ou mesmo de economia. É, na verdade, um post sobre uma daquelas sacadas óbvias e perfeitamente inovadoras: o desenvolvimento de uma solução que realmente fará milhões de pessoas enxergarem – no sentido literal – um futuro melhor.

Serve para nos lembrar de que oportunidade de inovação está sempre logo ali.

E-Commerce conversacional

O título deste post vem de um termo cunhado em 2015: conversational commerce, ou comércio eletrônico intermediado por sistemas de troca de mensagens. 

Gosto de termos novos, que começam a ganhar espaço na mídia: eles tem o efeito imediato de criar tendências e gerar inovação como nada mais no mundo. Nesse caso, no entanto, há mais do que uma simples palavra nova sendo utilizada. 

Quando o e-commerce nasceu, há tantos anos, sua principal característica era a de permitir compras imediatas, simples, agregando o máximo possível de racionalidade à relação do consumidor com a marca. Quando o usuário já está interessado em um livro – e, portanto, já sabe o que quer ou mais ou menos quanto pretende gastar – é muito mais fácil comprar com um clique do que com um passeio ao shopping mais próximo. Não foi à toa que o comércio eletrônico começou a sua primeira decolagem com livros e CDs, diga-se de passagem. 

Com o tempo, o processo de compra foi ficando tão sofisticado e complexo quanto os produtos vendidos. Há mais opções concorrentes, mais oportunidades de personalização, mais serviços acoplados, mais especificidades a serem entendidas. Trabalhar com excessos é sempre diferente de trabalhar com escassez: o excesso, afinal, é o pai da insegurança. 

E como lidar com insegurança? Conversando, convencendo. 

Dificilmente uma página estática conseguirá fazer isso sozinha, claro – mas o e-commerce já está muito mais evoluído. 

Dois exemplos simples: 

Facebook Messenger Inteligente

É até óbvio que muitos dos desejos de consumo nascem de conversas entrer amigos. E amigos, hoje, conversam tanto ao vivo quanto via aplicativos. O Facebook já entendeu isso faz tempos e, desde 2015, liberou para desenvolvedores sua API que permite integrar ofertas diretamente ao messenger. Está pensando em ir a uma festa de aniversário? Hoje, já é possível comprar flores e até pedir um Uber sem sequer precisar sair do aplicativo. 

E-Commerce conversacional é exatamente isso: contextualizar a oferta e fazer a venda de dentro de uma determinada situação impulsiva.


Operator

Outro serviço sensacional é o Operator, criado por um dos fundadores do Uber. O que ele faz? Conecta qualquer usuário a uma espécie de “rede de concierges”, profissionais especializados nos mais diversos serviços com o objetivo de ajudar o consumidor a se decidir. A aposta da empresa é “destrancar” os quase 90% de dinheiro do comércio que, hoje, trafega fora da Internet. O caminho: mercadologizar o conselho. 


Novamente, um brilhante exemplo de como gerar negócios a partir das complexidades de um comércio que, embora possa ser eletrônico, tem sido cada vez menos binário. 
 

O Índice de Miséria

Na segunda passada eu fiz um posto sobre a situação dramática em que estamos. Às vezes perdemos um pouco a referência em relação ao resto do mundo por nos acostumarmos a sobreviver, sabe-se lá como, em meio a tempestades tão intermináveis. quando terremotos se transformam em cotidiano, acabamos estranhando mais a calmaria do que os tremores.

Pois bem: em um esforço para definir o quão desastrosa está a situação do país, o Instituto Cato criou um Índice de Miséria Global. Sua formula: Taxa de Desemprego + Taxa de Juros +  Inflação – Crescimento do PIB.

Sim: pode-se questionar por dias a escolha desses indicadores específicos – mas reforço que a ideia é apenas ter algum comparativo mais generalizado com o restante do mundo.

O resultado está abaixo: o Brasil é terceiro lugar no Índice de Miséria.

E sabe qual o pior? Quando vi essa figura abaixo pela primeira vez, quase comemorei por não estarmos tão ruins quanto a Venezuela :-/

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