Um novo estilo de filme?

Dizem que um livro ou filme depende muito mais do seu leitor ou espectador do que do criador.

Concordo. A interpretação é essencialmente algo individual, dependente muito mais do histórico de quem absorve o conhecimento do que de quem o compartilha.

Em tempos que tem na palavra “compartilhamento” algo muito mais literal, no entanto, o próprio conceito de se contar histórias muda.

E se, ao invés de ver um filme, pudéssemos vivê-lo, caminhando entre seus personagens e cenas? Nesse caso, cada espectador teria invariavelmente uma experiência única: veríamos apenas na direção que nossas pupilas estivessem apontando, ignorando o que estivesse se passando atrás ou mesmo ao nosso lado. 

Vi uma experiência desse conceito recentemente em um filme 360 graus sobre tubarões feito com uma GoPro por Jeb Corliss. 

Recomendo fortemente a todos que cliquem no link abaixo: é uma maneira simplesmente diferente de se contar histórias.

Dica: esse vídeo funcionará apenas se visto a partir de um IPhone.

Dica 2: quando ele começar, gire o IPhone para todos os lados para viver melhor a experiência.

https://www.facebook.com/gopro/videos/10153908208786919/ 

https://www.facebook.com/gopro/videos/10153908208786919/

Percepção vs. Realidade 2

Veja esse gráfico abaixo:
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Ele compara a percepção com a realidade no cenário do crime nos Estados Unidos. A linha de baixo é a realidade, que se manteve relativamente estável desde o começo da década de 90. A linha de cima é a percepção, sempre muito pior que ela.

Curiosidade: desde que a Internet efetivamente explodiu, tornando a comunicação muito mais dinâmica e instantânea, a percepção de criminalidade cresceu quase ano a ano.

Há uma explicação para isso: prestamos muito mais atenção a notícias ruins do que a boas, em grande parte pelo mesmo fator genético que comentei no post de ontem. E, com mais notícias sendo espalhadas via redes sociais, a nossa capacidade de fixação em um volume tenebroso de más notícias apenas aumenta.

Há também uma observação muito importante aqui: é a percepção que dita os rumos de uma sociedade uma vez que a demanda, enquanto conceito, depende dela. Para ficar em um exemplo: a não ser que estejamos falando de um soldado em plena zona de guerra, ninguém compra um carro blindado porque precisa dele, e sim porque tem a percepção de precisar. São coisas diferentes.

Ainda assim, é essa percepção – e apenas ela – que cria (ou destrói) mercados inteiros.

 

 

Percepção vs. Realidade

Quando você olha a seu redor, tem a sensação de que o mundo está piorando ou melhorando? Em geral, a maior parte das pessoas tende a acreditar em um futuro mais sombrio do que ele realmente deve ser. E não é preciso traçar um raciocínio tão sofisticado assim para se chegar a essa conclusão: há pouco mais de 200 anos, seria difícil visitar Paris sem se deparar com cabeças guilhotinadas exibidas em postes ao longo do Sena; some poucos séculos a mais e você estará em um passado com a Igreja queimando pessoas vivas em praça pública, com estupros sendo largamente aceito (uma vez que mulheres eram meros pertences dos homens) e assim por diante. O mundo já foi muito, muito pior.

E, se embora algumas dessas atrocidades continuem acontecendo em lugares como a região entre o Iraque e a Síria, dominado pelo Estado Islâmico, elas estão nitidamente distantes da “normalidade social global”.

Ou seja: o mundo não está ficando pior. Ao contrário: ele está ficando cada vez melhor e a ritmos galopantes.

O problema é que a nossa percepção é muito mais pessimista do que otimista. A explicação para isso talvez esteja na genética: para sobreviver, a raça humano precisou ter o pior cenário sempre em mente – algo fundamental para se proteger de ataques de animais selvagens ou de tribos rivais. O problema é que acabamos vítimas desse pessimismo, desenvolvendo uma projeção invariavelmente sombria de futuro mesmo quando tudo aponta para o lado oposto.

Para ficar mais próximos da nossa realidade: é muito provável que a corrupção no Brasil, hoje, esteja proporcionalmente em níveis muito menores do que na época do Império. Mas – embora não haja estudos comparativos – certamente se acredita que nunca antes na história deste país a corrupção foi tamanha.

Agora considere o seguinte: o que move as nossas ações, o que gera protestos, o que ergue e destitui governos, o que faz com que empresas surjam e morram, não é a realidade: é a percepção popular.

E isso, por si só, cria quase que um universo paralelo onde o que se vê não é o que se é.

Do ponto de vista prático, a percepção é a realidade.

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Pequeno exemplo de como o caos pode gerar oportunidades

Status da página no Facebook de House of Cards, série que retrata os bastidores da política americana, no mesmo dia em que os áudios comprometedores de Lula e Dilma foram liberados para a imprensa: 
Em 24 horas foram mais de 15 mil reações espontâneas de usuários. 

  
Tá: é um exemplo simples, quase pequeno demais frente ao tamanho do caos que estamos vivendo. Mas, ainda assim, foi uma oportunidade gerada por conta desse momento e muito bem aproveitada por eles. 

Além disso, em tempos de crise, qualquer estratégia de marketing que ajude a manter vendas e audiência certamente é mais que bem vinda. 

Estudemos juntos.

Ideologia, dinheiro e cegueira deliberada

Certa vez, vi um podcast com um dos maiores investidores da área digital, Jason Calacanis, em que ele dizia que a melhor maneira de aniquilar uma rede social era remunerando os seus membros pela participação. 

A crítica dele foi em uma época em que muitas pequenas redes tentavam pagar os seus membros de acordo com níveis de engajamento e por meio de modelos de member-get-member. Quais redes estavam fazendo isso? Honestamente, não lembro: todas acabaram falindo, o que provou o ponto do Calacanis. 

Sua tese, que passei a encarar como um dogma, pregava que dificilmente qualquer quantia de dinheiro poderia se equivaler a uma ideologia, a um senso de comunidade, de orgulho de participação. Ou, em outras palavras: o bolso nunca ganhará do coração. 

Busquemos um exemplo bem prático diretamente no nosso país e no partido do governo, o PT. O PT é uma rede social. 

Ele pode não ter “funções” de curtir e compartilhar, pode ser muito mais tácita do que explícita, mas tem uma corrente ideológica poderosa que une seus partidários com uma força impressionante. 

Quando no poder, o PT tratou de articular um outro tipo de rede social, por assim dizer: a sua base de apoio no congresso. Esta, no entanto, não foi movida por ideologia e sim sustentada pelo dinheiro do Mensalão e do Petrolão. Por mais de uma década, essa rede funcionou viabilizando importantes aprovações que levaram o governo a níveis recorde de popularidade. Como pregava Calacanis, no entanto, redes que se estruturam pela remuneração de seus membros são pouco sustentáveis: com o tempo, as práticas de corrupção acabaram quebrando a Petrobrás e secando os cofres públicos na mesma medida em que o país acabou se afundando por uma política econômica desastrosa. 

Resultado: essa mesma basem até então de fidelidade inquestionável, começou a abandonar o barco com a mesma veemência que costumava defender o populismo petista. Acabou o dinheiro? Acabou também o apoio. Simples assim. 

Por outro lado, mesmo com tantas denúncias de corrupção e escândalos, a rede social de cidadãos partidários, principalmente com maior radicalidade ideológica, permanece firme como pedras. Há corrupção na Petrobrás? Certamente ela se iniciou no governo FHC. Há áudios da Presidente e do Lula conspirando para obstruir a justiça? Não se discute o conteúdo, mas sim um eventual crime do juiz em liberá-lo. 

Ou seja: ideologias radicais viabilizam uma cegueira deliberada que dificilmente o dinheiro consegue comprar. 

Que seja uma lição para todos os estrategistas.

  

Infográfico com tendências do design para 2016

Tendências de design são sempre uma excelente fonte de informação sobre a comunicação de forma geral. O motivo é óbvio: comunicação, hoje, se dá através do design. A maneira com que uma história é contada, as “armadilhas” para se capturar a atenção e a maneira com que os olhos do usuário são induzidos a caminhar por um determinado percurso narrativo dependem da construção visual da peça. 

Com tanta informação presente nos nossos tempos, com tantas histórias paralelas a serem contadas, era de se esperar algum tipo de tendência hiperpoluída. Só que o contrário está se desenhando no nosso futuro, em grande parte impulsionado pelo sempre crescente hábito de se ler e interagir nas minúsculas telas de smartphones. 

Minimalismo talvez seja a mais importante das mensagens do infográfico abaixo – um desafio para profissionais da área que são cobrados cada vez mais para socar informações no menor espaço visual possível. 

Vale ver esse infográfico abaixo – por si só uma peça de design semi-minimalista. 

  

Marketing cirúrgico e os 3 D’s

Lá pela década de 90, planejamento de mídia era algo relativamente simples: com praticamente nenhum meio de comunicação realmente nichado, bastava que os profissionais entrassem em negociações financeiras simples e tecessem cálculos quase grosseiros baseados em siglas como GRP ou TRP.

Mas, na prática, a mecânica era simples: usar um canhão (como TV ou revista) para atingir uma massa de públicos. E sim: parte desse público era irrelevante para a marca – mas pagar para atinge-los era parte do custo de se fazer comunicação. Ao menos no passado.

Não vou chover no molhado aqui e dizer o quanto tudo mudou. Há um conceito, no entanto, que transcende a massa de nichos que se popularizou tanto ao longo dos anos 2000 e 2010: o marketing cirúrgico.

E o que é isso? A capacidade de se focar todo o investimento de comunicação – tanto criativo quanto midiático – exclusivamente nos indivíduos que não apenas fazem parte do público-alvo, como também estão no momento perfeito de decisão de compra.

Não se trata mais de dar um tiro de canhão em todo mundo – um conceito que transformava o erro em algo quase impossível, embora fosse também absolutamente custoso. Trata-se de identificar precisamente quem é o público, onde ele está e em que ponto ele se encontra no seu ciclo de convencimento de demanda.

E há 3 elementos – os 3 D’s – fundamentais nesse processo:

1) Descobrimento de Dados

Investir em CRM, em monitoramento de redes sociais e em processos capazes de acumular e interpretar dados de consumidores é cada vez mais importante. E por que? Porque, na maior parte dos casos, o público-alvo de uma determinada empresa já entrou em contato com ela.

Hoje, se esse contato foi feito, é perfeitamente possível se envolver de maneira íntima com o usuário por meio de redes sociais ou de processos de inbound marketing. O ponto, aqui é tão simples quanto óbvio: fazer de tudo para transformar um contato em dados armazenados sobre um determinado indivíduo.

A partir daí dá até para cruzá-lo com outros perfis, gerando um modelo de persona mais rico e muito mais dinâmico, para se estruturar planos de mídia muito mais assertivos do que os baseados em pesquisas ultrapassadas e analógicas de comportamento.

2) Detecção do ponto e decisão

Se você tem um determinado usuário em seu banco de dados, consegue também segmentar suas informações em duas grandes categorias: as frias e as quentes, dinâmicas.

Dados frios são aqueles que dificilmente mudam, como nome, aniversário, sexo etc. Precisamos deles para traçar o básico da comunicação e do relacionamento, claro.

Mas os quentes são os mais divertidos. Por meio de postagens em redes sociais, conseguimos saber se o usuário está buscando um determinado produto, pensando em viajar, passando por alguma dificuldade, de bom ou mau humor, se divorciando ou começando um namoro etc. Dá para saber tudo.

E sim: há todo um questionamento ético relacionado à privacidade que pode ser levantado aqui – mas deixemos isso para um outro momento.

O ponto é: se conseguirmos transformar um modelo tradicional de CRM em um sistema que nos diga quais usuários estão se comportando de que maneira – cruzando isso depois com um lançamento de produto ou uma promoção qualquer de um produto perfeito para ele – então temos um mapa perfeito da mina. E isso nos leva ao terceiro D.

3) Distribuição de conteúdo

De nada adianta saber tudo sobre um usuário se não tivermos como nos relacionar com ele. E esse como se chama “estratégia de conteúdo”.

Ela pode (e deve, na maior parte dos casos) incluir presença constante em redes sociais, produção de insumos para inbound marketing, ebooks, artigos e tudo mais que possa interessar. Tudo.

Conteúdo, afinal, forma uma espécie de base de informação relevante, algo que nunca é demais quando o interesse por um determinado tópico está em alta.

E conteúdo é também a língua comum entre o usuário e a marca, algo que vai muito além de promoções ou propostas comerciais demasiadamente diretas.

O que fazer com os 3 D’s? 

Receitas não nascem de ingredientes: elas nascem da maneira com que eles são utilizados. Essa maneira se chama estratégia.

E essa estratégia de entregar o conteúdo perfeito, no momento exato às pessoas corretas é precisamente o que define o marketing cirúrgico – um modelo tão revolucionário que, mesmo com tantas empresas dedicadas a ele, a maior parte dos marceneiros segue acreditando se tratar de pura ficção científica.

Não é. E, se você tem algum dúvida quanto a isso, está na hora de pesquisar mais e mudar a forma de pensar sobre o relacionamento entre marcas e consumidores.

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O papel mais investigativo e estratégico do monitoramento de redes sociais

Monitorar redes sociais deixou de ser uma tarefa processual, mecânica, há um bom tempo.

No passado, empresas estruturavam os seus times ou contratavam agências para fazer o trabalho clássico e estereotipado de um consultor: olhar o relógio no braço do cliente e dizer a ele que horas eram. Traduzindo: usar uma ferramenta simples de monitoramento para coletar dados especificamente relacionados a menções sobre a empresa e gerar um punhado de quantificações óbvias, traduzindo números em indicadores.

Não me entenda errado: não que essas quantificações não fossem (ou continuem sendo) importantes. Saber exatamente como uma marca é percebida pelo seu público ainda é absolutamente fundamental. É como ter em mãos um mapa, ferramenta importante para qualquer um que quiser navegar pelo sempre traiçoeiro, escorregadio e enevoado mercado.

Mas mapas, por sí só, não resolvem. É preciso saber onde está o norte.

E é aí que entra a investigação.

O norte, para uma estratégia corporativa, pode ser dividido em 3 grandes indicadores:

1: Os movimentos gerais do mercado.

Para onde caminham os meandros de pensamentos dos públicos de uma determinada empresa? Quais temas passaram a ser mais ou menos relevantes, o que os engaja mais, o que desperta a ira coletiva ou o amor incondicional?

As respostas para todas essas (e muitas outras) questões está, obviamente, na segunda casa de praticamente todo cidadão conectado: a rede social. A questão é: como obter uma direção precisa, clara, a partir de uma massa de menções tão gigantescamente abstrata? Ou, exemplificando de maneira prática, imagine que você seja uma empresa do ramo de automóveis. Como saber quais as tendências que estão capturando esse público, amplo o bastante para ser definido por “adultos das classes sociais A, B e C”? Monitorar o mundo em uma ferramenta clássica como Scup, LiveBuzz ou qualquer outra será uma perda de tempo, claro: a massa de dados que se avolumará será, em uma única palavra, inviável.

No entanto, há atalhos para se entender movimentos de mercado. Por sorte, atalhos abertos: Trending Topics do Twitter, veículos de informação como Brainstorm9 que coletam cases e mais cases com excelentes resultados, Google Trends, apontando pesquisas relacionadas a pesquisas e assim por diante.

A questão aqui não é ferramenta: é o olhar do estrategista. É a capacidade do profissional de mergulhar no mar de informações e sair dele com observações práticas, diretas, quase definitivas que apontam para onde o mercado caminha naquele instante.

Simples? Nem de longe. Saber detectar os movimentos do mercado está mais para arte do que para ciência, sendo que cabe a empresas que quiserem estar à frente em seu jogo detectar e escolher os melhores “artistas”.

2: Os movimentos dos concorrentes.

A não ser que você seja o governo, você tem algum concorrente. E, considerando que todos estão brigando por um maior lugar ao sol, esse – ou esses – concorrentes estão dividindo a mesma arena de guerra, formulando e colocando em prática as suas estratégias para puxar para si o maior número possível de clientes.

Monitorar concorrentes, no entanto, é bem mais fácil hoje que no passado: basta observar quais de suas ações estão repercutindo mais ou menos nas redes sociais, analisar estilos de postagens, ambientes de presença, interações com os seus usuários. Dá para perceber estratégias, crises, casos de sucesso e de fracasso de cada um dos players da maneira mais aberta possível.

E mais: dá para se quantificar a presença de cada concorrente tendo a sua própria marca inserida no quadro, formando assim uma visão de Social Market Share a partir da proporção de menções em redes sociais que cada um detém. Suponha que você tenha 2 concorrentes principais e que, em um determinado mês, os três (você e eles) tenham somado 10 mil menções em redes sociais. Suponha que o concorrente A tenha recebido 5 mil menções, o B, 3 mil e você, 2 mil. Do ponto de vista de share, isso significa que 50% das menções estão indo para o seu maior concorrente; que 30% estão com o menor e que você está na lanterna com 20%.

Claro: dá para deixar essa análise bem mais sofisticada ao classificar as menções de todos, mesmo que usando uma amostra, por sentimento (positivo/ negativo/ neutro) e tema. Com isso, fica muito claro como cada um está se saindo.

3: Os resultados dos seus movimentos

Somando os movimentos do mercado aos movimentos dos seus concorrentes, um cenário muito claro começa a se desenhar. Mais do que entender, de maneira autista, como uma marca está se comportando, passa a ser possível apontar se ela está ou não aproveitando o máximo possível de seu potencial.

Mas ainda resta um ingrediente: analisar-se a si mesmo.

E essa análise acaba entrando no modelo mais clássico, por assim dizer, do monitoramento de redes. De tudo o que estiver sendo falado sobre você, quais os temas que mais se sobressaem? O quanto do total de menções postadas sobre a sua marca são influenciadas pelos conteúdos que você gera no cotidiano? Em geral, como está a sua saúde social – ou seja, a proporção de menções positivas, elogiosas, que tem recebido?

Triangulando a sua posição

No final das contas, um monitoramento moderno de redes sociais funciona mais como uma espécie de triangulação: consegue-se observar os movimentos do público em geral (detectando fatores relevantes do sempre dinâmico comportamento coletivo), mapear as reações de cada concorrente e analisar os resultados de suas próprias ações.

Consegue-se analisar o passado, apontar o presente e mirar o canhão para o futuro mais provável.

Consegue-se, por exemplo, perceber que alguma anomalia específica de um dia para outro possa representar uma crise institucional ou uma ação surpreendente de um concorrente; consegue-se um maior grau de assertividade ao se planejar uma estratégia para um novo produto ou serviço; consegue-se estimar a rapidez de reação de cada player do mercado para algua investida sua.

Foi-se o tempo em que monitorar redes sociais era um trabalho braçal ou protocolar: hoje, esse trabalho é provavelmente a disciplina mais importante na definição e execução de uma estratégia corporativa.

A desconfortável ausência da zona de desconforto

Há alguns meses, uma blogueira chamada Sílvia Pilz acabou tirando a sua coluna do ar na Globo.com. O motivo: a polêmica que ela costumava gerar estava em níveis tão estratosféricos que o veículo desistiu de apoiá-la e acabou jogando a toalha.

Não vou defender e nem condenar a Sílvia Pilz. O ponto aqui é outro, mesmo porque o nome do blog dela – Zona de Desconforto – já deixa bem claro que a temática jamais seria plácida e florida, para dizer o mínimo. O que importa aqui é entender como o processo de neo-censura acaba se dando em nossos tempos.

O estopim do estresse com a blogueira foi um post chamado “O plano cobre”. Apenas para citar um trecho:

“Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de pressão. Em churrascos, não”. 

O texto inteiro se desenrola dessa maneira, satirizando o comportamento de uma classe social a partir de sua ótica. Mas, verdade seja dita, não há nenhum crime em nada que ela escreveu. Foi apenas uma sátira relacionada a comportamentos – uma sátira que, embora tenha incomodado a muitos, vive dentro da mais perfeita legalidade e coberta pelo manto de liberdade de expressão ao qual todos temos direito. 

Temos direito de falar o que quisermos, o que não se traduz na obrigação de concordar ou gostar de tudo o que lermos ou ouvirmos. 

Ainda assim, imediatamente depois da sua coluna, a blogueira foi bombardeada com comentários que incluíam até mesmo ameaça de morte. Ela mesma escreveu um artigo em seu blog pessoal sobre o caso (veja aqui) onde também fala sobre como isso acabou fazendo a sua coluna na Globo sair do ar.

Sim: não se discute que ela praticamente caçou polêmica e que, considerando que tenha algum mínimo bom senso, já podia prever o mar de críticas que seu artigo suscitaria. Mas ela acabou provando um ponto.

Em nossa sociedade não tão democrática quanto acreditamos, todos podem ter as suas opiniões – mas desde que elas concordem com as opiniões da maioria. Quanto mais “minoritária” for uma opinião expressada, mais violenta será a reação a ela ao ponto de fazê-la se calar, sendo cortada pela raiz.

E isso é perigoso. Muito.

Opiniões contrárias, afinal, são fundamentais para engrossar o caldo de caos que define o mundo das ideias. Sem conflitos (ou com conflitos mínimos) há pouca dialética, há pouca “pensática”, há pouca “crise ideológica”.

E crises ideológicas fortes – ou seja, um contexto definido pelo caos quase anárquico de opiniões – são fundamentais para se poder gerar pensamentos inovadores, sejam eles aplicados a uma sociedade inteira ou a um produto ou serviço.

Sim, sei que relacionar a resposta a um post polêmico de uma blogueira a toda a capacidade de inovação de uma sociedade pode ser um exagero. Mas, na medida em que expressar opiniões mais contundentes gerem reações que culminam em uma censura, tirando-as do ar, todos acabamos ficando reféns de uma expectativa de aprovação da maioria para sequer nos manifestarmos.

E, em uma visão de longo prazo, como esperar inovação sem incentivar a contradição?


 

Storytelling: 5 dicas para o uso corporativo do Instagram

O uso que as mais variadas empresas fazem do Instagram é quase igual: tirar (ou usar) algumas fotos semanais que fortaleçam, ao menos teoricamente, a imagem ditada pelos seus manuais de marca, integrar tudo ao Facebook e ponto final. São raros e louváveis os exemplos de quem faz algo diferente.

Fazendo uma comparação direta, é como criar um post no Facebook apenas citando, aleatoriamente, palavras-chave corporativas relevantes. O impacto prático que isso teria no usuário? Mínimo.


Talvez a marca consiga um punhado de seguidores pela qualidade das imagens; talvez gere alguns comentários úteis na integração da rede com o Facebook; talvez algum esforço de mídia consiga uma arrancada enganosa da rede em meio a seu mix social. Mas, em qualquer que seja a situação, essa estratégia tende ao fracasso certo por um simples motivo: a falta de enredo.

O Instagram não é uma rede de outro universo, que se guia por leis diferentes das que regem o relacionamento entre empresas, usuários e amigos. É apenas mais uma rede com o diferencial de ter o seu modelo unicamente focado em mídias visuais – principalmente fotos.

E o que está ocorrendo com todas as marcas, em todos os outros meios e em outras redes? Cases de sucesso se amontoam na medida em que elas passam a adotar uma estratégia de contar e compartilhar histórias. Na medida em que elas passam a narrar casos ao invés de “cuspir” cenas.

Vamos a exemplos práticos:

– Se você é uma empresa de bebidas, por que não usar o Instagram para narrar festas ou eventos, nos mais variados e curiosos detalhes, que estão ocorrendo sob a sua marca?
– Se é uma construtora, porque não narrar a construção de um empreendimento, incluindo uma mescla de histórias dos operários, dos planos, das expectativas dos primeiros compradores em receber as chaves?
– Se é um time de futebol, por que não narrar jogos inteiros a partir de imagens?
– Se é um veículo, por que não utilizar a rede de maneira ultra intensiva para contar todas as suas notícias mais importantes, empacotadas em “especiais visuais”?

Contar histórias interessantes pode não ser uma tarefa simples, mas é certamente facilitada quando se tem à disposição imagens quentes, filtros que profissionalizam qualquer foto e uma comunidade de seguidores interessados. No entanto, o formato de narrativa utilizado em tantas redes parece ser ignorado no Instagram por algum motivo qualquer – para o prejuízo tanto de empresas quanto de seus seguidores.

E, mesmo sem haver uma receita de bolo única, existe um conjunto de (pelo menos) cinco dicas importantes que, se seguidas, podem mudar decisivamente a presença de marcas no Instagram e nas suas comunidades de usuários como um todo. Vamos a elas:

1 – Histórias tem começo, meio e fim. Uma boa estratégia para o Instagram deve incluir uma somatória de casos, de enredos a serem explorados pelos fotógrafos (ou contadores de histórias visuais) da marca. Monte um cronograma de histórias relativamente curtas com base em ações da empresa e administre uma estratégia de campo.

2 – Histórias se desenrolam, fluem em seu próprio ritmo. Não se prenda a uma regra de volume de postagens diários: deixe o próprio enredo ditar o ritmo. Contar uma história por meio de fotos significa clicar todo o processo: lugares, pessoas, sorrisos, lágrimas, cenas. E, embora caiba às fotos a responsabilidade de contar a história de verdade, pequenos textos de apoio e hashtags ajudarão o usuário a entender o que estão vendo e a se posicionar cronologicamente no “conto”.

3 – Narrativas tem personalidade. Se você quer se engajar com o seu usuário, então é fundamental falar a mesma língua que ele – o que inclui, normalmente, uma informalidade natural, respostas ágeis e hashtags práticas que ajudem a contextualizá-lo.

4 – Fuja de bancos de imagens. Pessoas sorrindo em panos de fundo perfeitos podem funcionar em comerciais de margarina, mas não convencem ou engajam usuários em redes sociais. Não há como criar histórias originais sem usar imagens próprias, ideais justamente pelas suas imperfeições técnicas.

5 – Aproveite a integração social. Por pertencer ao Facebook, a integração do Instagram com a maior rede social do mundo – e a mais fácil de se somar hordas de fãs – é plena. Conecte uma com a outra sem medo de repetição de conteúdo. O que importa, afinal, é a história como um todo – não uma ou outra foto isolada. Usar o Facebook é o mesmo que aproveitar um excelente canal de distribuição.

A palavra-chave na construção de engajamento com usuários, dita e repetida incontáveis vezes aqui no SXSW, é narrativa.

E, se é mesmo verdade que uma imagem vale mais do que mil palavras, o Instagram pode ser a rede ideal para engajar os usuários em uma estratégia de storytelling simples, direta e, acima de tudo, absolutamente viciante.