A realidade imitará a ficção nas cidades do futuro?

De maneira geral, é inegável que a nossa realidade tecnológica em muito se deve às imaginações de escritores que, empolgados, conceberam coisas como viagens interplanetárias e comunicadores instantâneos. Na vida real, a realidade imita a ficção – e parece haver pouca dúvida quanto a isso. 

Mas essa observação não significa, obviamente, que toda invenção efetivamente saia do papel e transforme o nosso mundo. Enquanto algumas servem para moldar os nossos destinos, outras servem apenas – se é que a palavra “apenas” pode ser utilizada – para nos inspirar. 

Pois bem: recentemente, a CNN publicou algumas imagens de um concurso de arquitetura chamado eVolo. Vale conferir a galeria de imagens que eles publicaram no site (clique aqui ou nas imagens abaixo): há desde prédios cobertos por drones a datacenters na Islândia (viabilizando o refriamento natural de servidores) e uma visão de um Central Park rodeado por um cenário absolutamente rural, capaz de fazer a mente acreditar que está em um local bem diferente de Nova York. 

Em geral, no entanto, as preocupações apontam para as mesmas tendências: sustentabilidade aliada a uma maior sensação de contato com a natureza. 

Confira por conta própria:

Vale conferir: Roberto Jefferson, o Macunaíma da política, no Roda Viva

Mário de Andrade escreveu, em uma semana, a obra que melhor expressa o que podemos considerar como brasileirismo. Em uma época em que o ideal cultural de qualquer povo era imitar os ares europeus, ele escreveu uma ode à falta de honradez e excesso de fisiologismo do nosso povo.

Eis Macunaíma: herói sem caráter, que sempre coloca as suas próprias necessidades em primeiro plano, que ignora qualquer outro e que, assim, encarna a verdade em sua forma mais crua, árida e, por consequência, pura.

Roberto Jefferson, político que estourou o Mensalão em que estava envolvido até o pescoço, é uma versão moderna de Macunaíma. Ele fala o que pensa, acusa quem quer, desfaz discursos na medida da própria vontade.

E por que estou postando esse vídeo aqui? Porque, justamente por ser um “insider”, Roberto Jefferson consegue fazer uma análise estratégica incrível sobre tudo o que aconteceu e está acontecendo no Brasil.

Confira abaixo – tendo em mente que essa entrevista foi ao ar em 11 de abril de 2016, quase uma semana antes da votação do impeachment pelo congresso.

 

O outro lado: os 5 passos de Dilma rumo ao Impeachment

No post de ontem, comentei aqui sobre a estratégia que Temer vem articulando (com óbvio sucesso) para chegar ao poder.

Vale também analisar o outro lado.

No caso da Presidente Dilma, no entanto, a análise não precisa ser tão racional. Ao contrário: basta conferir o vídeo abaixo, do primeiro pronunciamento feito por ela depois do congresso autorizar o encaminhamento do pedido de impeachment.

Pontos importantes a se observar:

1. Isolamento: Em todos os pronunciamentos – este sendo apenas mais um exemplo – ela aparece isolada. Em alguns casos ela aparece apenas acompanhada de um punhado de ministros – sempre os mesmos – que buscam aparentar algum tipo de amparo.

2. Vitimização: Desde que o impeachment começou a tomar corpo e passou a integrar o discurso petista, Dilma sempre se colocou como vítima. Vítimas podem até ganhar a simpatia do público – mas, em crises graves como a que estamos, esse mesmo público costuma preferir apoiar alguém com ares de vencedor (e não de perdedor).

3. Repetição de argumentos periféricos, auto-ataque: Quando se é acusado por algo, o único caminho é confrontar a acusação com fatos que comprovem a inocência. Em quase todos os discursos, a presidente ataca seus opositores, culpa o planeta inteiro pela crise e até repete que não cometeu crime uma vez que outros governantes fizeram o mesmo e saíram impunes. A saída para ela aqui é difícil pelo simples fato de que ela cometeu um crime, ao menos de acordo com o texto da constituição brasileira. Só que, ao evocar o argumento de que “se outros erraram, também posso errar”, ela acaba adotando uma estranhíssima estratégia de defesa que começa pelo auto-ataque.

4. Desconsideração com o outro lado: O problema de repetir xingamentos e acusações a opositores poderosos – principalmente quando se tem a população majoritariamente contrária a si – é que se ignora que não há um monopólio da mídia. Basta a presidente tecer um argumento mais estomacal que juristas e cidadãos aparecem, com igual poder de mídia, para responder de maneira mais racional.

5. Falta de articulação verbal: Não saber se comunicar é como uma doença autoimune para quem está na política. Nem preciso falar muito aqui: basta ver o vídeo abaixo para entender o quão difícil é para alguém com tão pouca capacidade de articular palavras conseguir se defender de um processo público dessa magnitude.

E esses são apenas alguns dos argumentos. Não dá para dizer que vencer uma guerra pelo poder de uma presidente em exercício, com toda a força que a caneta executiva a outorga, seja algo fácil. Mas para políticos mais experientes, dá sim para dizer que, de todos os presidentes que o país já teve, Dilma provavelmente foi o alvo mais fácil.

Não se ganha, afinal, apenas colecionando vitórias; é preciso contar com a capacidade do adversário de errar, impondo derrotas a si mesmo.

 

 

O estrategista: os 7 passos de Temer até o Planalto

Tenho para mim que, quando se quer tomar poder para si, em qualquer circunstância, não basta aproveitar uma oportunidade: é fundamental gerá-la.

Traduzindo: a melhor maneira de vender uma solução perfeita é criando (ou pelo menos ampliando ainda mais) um problema sem tamanho.

Não digo que o Temer ou o PMDB – alvos deste post – sejam os principais culpados da crise que o país vive. Tenho, aliás, dificuldade de entender como alguém pode não enxergar a culpabilidade do PT e da quase-ex-presidente Dilma dada a maneira publicamente desastrosa com que tocaram a economia e a protagonização absoluta nos esquemas de corrupção que implodiram os nossos cofres.

Mas, ainda assim, é sempre válido lembrar que o PMDB faz parte do governo desde a era Lula – e que teve o presidente do partido como vice-presidente do Brasil durante o governo Dilma.

A genialidade do Michel Temer em lidar com isso, que faz com que Frank Underwood pareça um ingênuo seminarista, é outra história. Vamos a uma breve recapitulação de seus sete passos rumo ao Planalto:

1. Usando a imagem de uma presidente arrogante

Não é segredo para ninguém que Dilma emanava arrogância. Sua interlocução política era tão frágil, perdia tanto espaço para a sua postura de ditadura em um país sem ditadura, que poucos foram os parlamentares que criaram algum elo confiável com ela.

Detalhe: essa arrogância era nítida para todo o país por meio de entrevistas ou declarações públicas dadas, quase todas sob olhos apertados e uma boca impaciente que teimava em deixar escapar absurdos como “mulher sapiens” e “homem-mandioca”.

Temer usou isso a seu favor: começou a disseminar, desde o começo do segundo mandato, quando ficou claro que a crise só pioraria, que estava isolado das decisões do executivo. Chegou até a contar com o apoio público do ex-neo-presidente Lula que, em uma ingenuidade incompatível com sua história, deu força ao argumento do pemedebista.

2. Criando recados que se viralizem

Faltava, no entanto, algo mais público, mais notório. Algo que deixasse claro à população brasileira que ele estava magoado com a maneira que era excluído das principais decisões. Nasceu a carta de dezembro que, justamente por ter sido ridicularizada nas redes sociais, acabou sendo conhecida por todos.

Perceba a quantidade de mensagens que a carta continha:

  1. Era ele que mantinha o PMDB unido em torno ao governo: ele colocava o seu poder à disposição dela
  2. Ela, por outro, ignorava tanto a ele quanto ao partido
  3. A culpa pela condução da política econômica era integralmente do governo do PT uma vez que ele e seu partido eram excluídos de todas as decisões
  4. Os indicados dele para ministérios foram os que mais geraram resultados
  5. Era ele quem nutria amizade por líderes de outras nações, e não ela
  6. Ainda assim, ele não estava rompendo com o governo – estava atestando, mais uma vez, a sua lealdade, ainda que sob protestos

Sim: o conteúdo era puro mimimi. Mas justamente por isso acabou dando recados claros para toda a população, ainda que de maneira pseudo-subliminar. Veja a íntegra da carta aqui.

3. Articulando em silêncio

Temer é conhecido por ser um profundo conhecedor da constituição e um excelente articulador. Polvilhando cuidadosamente declarações e frases, foi construindo uma narrativa de poder factível junto a seu partido e às duas bases no congresso: a oposição e a aliada, esta já farta da postura da presidente.

Quem melhor, aliás, do que um vice-presidente irritado para juntar apoio dos dois lados? Sua face governista atraía a atenção da situação; sua face indignada, da oposição. A ambos, seu conhecimento da carta magna brasileira e sua influência serviam de base para qualquer  tomada de decisão.

E, assim, aos poucos, ele foi somando deputado a deputado em silêncio.

4. Declarando guerra depois de ter disparado meia artilharia

Oficialmente, a ruptura do PMDB com o governo se deu no dia 29 de março – e por aclamação, passando a imagem a outros partidos de que havia uma união em torno dele.

Foi a declaração de guerra oficial, que acordou todo o planalto de uma só vez. Teria sido ele precipitado, como seu desafeto Renan Calheiros opinou? Dificilmente.

Com a ruptura ainda no mês de março, Temer conseguiu tempo para convencer quadros governistas do PMDB a ficarem do seu lado e conseguiu testar o almejado “efeito manada” dos partidos menores.

Se a ruptura tivesse esperado mais alguns dias, por exemplo, seria possível que o PP tivesse mantido o apoio ao governo e isso, por si só, teria enterrado o impeachment.

Não foi o que aconteceu. Em poucas semanas, a cada vez mais forte elite articuladora do PMDB entrou em cena para disputar com um cada vez mais fraco Lula o voto dos deputados.

5. Dando um recado claro a quem gosta de ficar ao lado dos vitoriosos

Ao mesmo estilo da carta de dezembro, Temer soltou uma outra bomba: a mensagem de Whatsapp em que ele lia um suposto discurso de posse no dia 11 de abril. Oficialmente, ele se enganou e enviou para um grupo errado; na prática, foi uma das táticas mais bem boladas de todo esse período.

Por quê? Em poucos minutos, ele:

  1. Deixou claro que confiava no impeachment ao ponto de treinar um discurso de vitória
  2. Deixou claro que a vitória do impeachment se daria por maioria considerável
  3. Deixou claro que estava preparado para um governo de união com todos os partidos para a “salvação nacional”
  4. Deixou claro que manteria os programas sociais
  5. Deixou claro que faria tudo diferente do PT

Era tudo o que todo mundo queria.

Além disso, ao alardear um discurso de vitória que contrasta com seu posicionamento sempre muito cauteloso, ele deixou claro aos deputados onde estaria o lado vitorioso. E o lado de quem ganham, sabemos, é o que todo deputado quer pertencer. Temer, presidente do PMDB, partido que fica no governo mesmo quando faz oposição, sabe bem disso.

Veja a íntegra aqui.

6. Administrando a vitória

A partir daí, bastou que ele mantivesse a sua articulação ativa, mas em fogo brando.

Resultado: no domingo, dia 17 de abril,a câmara dos deputados recomendou o impeachment por uma esmagadora maioria de 367 votos – apenas 1 voto de diferença para a previsão do próprio Michel Temer, diga-se de passagem.

Claro: há toda uma nova fase que se inicia agora no Senado – e certamente há mais articulação estratégica em franco andamento. O que muda agora é o inimigo: Dilma e Lula são carta fora do baralho.

A quase-ex-presidente, a julgar pelas suas recentes declarações, está vivendo a base de remédios; o ex-neo-presidente, por sua vez, está a poucos dias da cadeia.

Enquanto isso, Temer se mantem elegantemente calado, deixando seus inimigos espernearem, alardeando palavras como “golpe” e “injustiça” até que a população inteira fique exausta de ouvir sempre os mesmos argumentos.

7. Limpar o caminho

Hoje, restam dois no seu caminho: Renan Calheiros, desafeto político, e Eduardo Cunha, aliado fundamental na câmara. Ambos do PMDB, acrescente-se.

O primeiro pode até espernear, mas não terá opção que não deixar o jogo seguir e agir como uma espécie de motoboy do impeachment, como ele próprio se definiu.

O segundo precisará ser empurrado ao abismo por motivos óbvios: mais impopular ainda que Dilma Rousseff, a permanência de Eduardo Cunha no governo Temer será insustentável do ponto de vista do fundamental apoio da população brasileira. E, estrategista como é, o próximo presidente sabe bem disso.

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O otimismo engolido pela realidade

Há quase um ano, durante a Flip de 2015, o Clube de Autores promoveu uma série de palestras focada no mercado editorial brasileiro. Uma delas, proferida por Susanna Florissi – uma das maiores especialistas no segmento – intitulava-se “crise ou oportunidade?”.

Estamos em 2016. Nesses meses que se passaram, um boom de novas editoras realmente foi testemunhado – assim como o melancólico fechamento de livrarias tradicionais e marcas emblemáticas como a Cosac-Naify.

Depois de mais algum tempo, o boom de pequenas editoras também cessou, muitas das quais encerrando suas atividades ou encaixando-se naquela faixa de funcionamento pautada pela base da pirâmide de Maslow: persistiam em péssimas condições, já empurradas para a informalidade, e ainda assim exclusivamente por falta de opção melhor para seus idealizadores.

A temática da palestra da Susanna parece ter atravessado o ano fazendo de tudo para se fixar no imaginário esperançoso do empreendedorismo brasileiro. E faz um certo sentido: crises são situações em que o status quo se desmonta, em que velhos modelos se provam ineficazes, em que pitadas de caos abrem espaço para as pequenas inovações que fazem o mundo girar desde os tempos da peste bubônica. Crises geram questionamentos novos que, por sua vez, fazem brotar respostas novas.

Sob esse aspecto, crises eventuais devem até ser desejadas por uma sociedade que busque evoluir, se reestruturar, crescer. 

2008 foi assim para os Estados Unidos, da mesma forma que 2012 para os países Europeus. Hoje, todos estão melhores, em diversos aspectos, do que estavam antes. 

Mas há um problema com esse raciocínio: ele só funciona até o médio prazo. Sim, crises e caos são perfeitos para propiciar as tão fundamentais inovações em qualquer setor – mas há um ponto a partir do qual eles deixam de ser incentivadores da criatividade e passam a ser venenos letais para as suas sociedades. 

Há oportunidades em crises? Claro. Mas como aproveitá-las se não há dinheiro ou confiança de investidores, grandes ou pequenos, para colocar ideias de pé? Como vendê-las se não há consumidores minimamente dispostos a se arriscar experimentando produtos e serviços diferentes? Como nutrir uma iniciativa inovadora em um ambiente tão pessimista, em que mesmo a mais otimista visão enxerga pouca perspectiva de melhora no curto prazo?

A palestra de 2015 ficou em 2015, infelizmente. Ainda há espaço para inovações poderosas em 2016? É óbvio: sempre há. Mas o ecossistema de negócios está perigosamente estrangulado, impondo que essas mesmas inovações pautem-se mais pela necessidade de sobrevivência no mercado interno do que pela possibilidade de crescimento explosivo no mercado global. 

Por falta de fôlego, até as ambições dos inovadores brasileiros tem encolhido em um claro sinal de retrocesso como pouco se viu na nossa história.
Mudanças urgem para que o realismo não engula o pouco de otimismo que ainda resiste, embora já quase resignado, em nossos empreendedores. Realismo em uma recessão como a nossa, afinal, gera puro pessimismo – e pessimismo é o maior antagonista da inovação.

  

A vida definida em momentos

Se o que define uma vida é a somatória de decisões que tomamos, entender como essas decisões acontecem pode ser uma das maiores chaves para se destrancar a mente humana.

Não que seja algo fácil, claro: é impossível criar qualquer tipo de receita de bolo para se interpretar algo tão complexo e caótico quanto o ser humano. Mas informação bem estruturada sempre ajuda.

Recentemente, o Google fez um estudo que considerou que o que define a vida são pequenos – minúsculos, por vezes – momentos de decisão.

Vale conferir o estudo, cujos pontos altos estão aqui no post, neste link.

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Os caminhos binários para uma nova ordem social

Para quem gosta de estratégia, analisar a crise política brasileira é um prato cheio. Primeiro, pelo espectro: estamos falando de um país de 200 milhões de habitantes como palco de uma guerra política.

Segundo, pela facilidade de análise de resultados: no momento em que estamos, todo o destino do país depende de uma saída “binária”: ou há ou não há impeachment. Claro: todo um mundo de coisas pode se desenrolar a partir de cada hipótese – mas tudo depende de qual dos dois caminhos tomaremos nos próximos dias.

E aí chegamos à questão do julgamento político.

O grupo pro-impeachment precisa de 342 votos de uma câmara com 513 deputados. O grupo governista precisa de 171 votos ou abstenções.

E o que determinará a escolha de um caminho ou outro? Excluindo as questões mais ideológicas e partidárias (como posições óbvias dos principais partidos antagônicos, PT e PSDB), o voto dos indecisos.

E esse voto depende de se pesar, essencialmente e a grossíssimo modo, dois fatores: dinheiro versus pressão popular.

Não é exatamente segredo para ninguém que o governo está tentando comprar, com cargos, dinheiro e promessas, todo o apoio que precisa para escapar da deposição.

Por outro lado, também não é segredo que o principal opositor do governo não é a oposição política, também antagonizada pela população descontente: é a enorme pressão popular. Os deputados que que migrarem para o grupo pro-impeachment, portanto, provavelmente o estarão fazendo por medo de perderem a elegibilidade futura.

Quais são, portanto, os motores que determinarão a nova ordem da política brasileira?

  1. A aposta em ganhos fisiológicos de curto prazo, confirmando, portanto, que pelo menos por mais algum tempo a mesma maneira de fazer política perdurará
  2. O temor da pressão popular, abrindo uma possibilidade de mudança na maneira de se fazer política no Brasil (que, ainda assim, certamente não será fácil)

Antes que me acusem de ingenuidade, é óbvio que certamente há negociações bem pouco ideológicas, para colocar de maneira eufêmica, rolando no grupo pro-impeachment. Mas é também óbvio que, quando o objetivo é extorquir alguém, as chances de sucesso tendem a ser maiores quando a “vítima” está mais enfraquecida.

Seja em qual for o caso, a onda de migrações pro e contra impeachment tem sido mapeada diariamente pelo Estadão e pelo VemPraRua. A cada nova notícia na imprensa, a cada novo pico de manifestações e a cada nova oferta de cargos, há mudanças no fluxo que determinará o resultado final dos indecisos.

Estamos no curiosíssimo lugar de protagonistas que conseguem acompanhar, em tempo real, o processo de decisão dos seus próprios destinos. Para quem não conhece, vale acessar o http://mapa.vemprarua.net.

Pelo menos até o final desse processo que nos redefinirá enquanto país.

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Percepção vs. Realidade 2

Veja esse gráfico abaixo:
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Ele compara a percepção com a realidade no cenário do crime nos Estados Unidos. A linha de baixo é a realidade, que se manteve relativamente estável desde o começo da década de 90. A linha de cima é a percepção, sempre muito pior que ela.

Curiosidade: desde que a Internet efetivamente explodiu, tornando a comunicação muito mais dinâmica e instantânea, a percepção de criminalidade cresceu quase ano a ano.

Há uma explicação para isso: prestamos muito mais atenção a notícias ruins do que a boas, em grande parte pelo mesmo fator genético que comentei no post de ontem. E, com mais notícias sendo espalhadas via redes sociais, a nossa capacidade de fixação em um volume tenebroso de más notícias apenas aumenta.

Há também uma observação muito importante aqui: é a percepção que dita os rumos de uma sociedade uma vez que a demanda, enquanto conceito, depende dela. Para ficar em um exemplo: a não ser que estejamos falando de um soldado em plena zona de guerra, ninguém compra um carro blindado porque precisa dele, e sim porque tem a percepção de precisar. São coisas diferentes.

Ainda assim, é essa percepção – e apenas ela – que cria (ou destrói) mercados inteiros.

 

 

Percepção vs. Realidade

Quando você olha a seu redor, tem a sensação de que o mundo está piorando ou melhorando? Em geral, a maior parte das pessoas tende a acreditar em um futuro mais sombrio do que ele realmente deve ser. E não é preciso traçar um raciocínio tão sofisticado assim para se chegar a essa conclusão: há pouco mais de 200 anos, seria difícil visitar Paris sem se deparar com cabeças guilhotinadas exibidas em postes ao longo do Sena; some poucos séculos a mais e você estará em um passado com a Igreja queimando pessoas vivas em praça pública, com estupros sendo largamente aceito (uma vez que mulheres eram meros pertences dos homens) e assim por diante. O mundo já foi muito, muito pior.

E, se embora algumas dessas atrocidades continuem acontecendo em lugares como a região entre o Iraque e a Síria, dominado pelo Estado Islâmico, elas estão nitidamente distantes da “normalidade social global”.

Ou seja: o mundo não está ficando pior. Ao contrário: ele está ficando cada vez melhor e a ritmos galopantes.

O problema é que a nossa percepção é muito mais pessimista do que otimista. A explicação para isso talvez esteja na genética: para sobreviver, a raça humano precisou ter o pior cenário sempre em mente – algo fundamental para se proteger de ataques de animais selvagens ou de tribos rivais. O problema é que acabamos vítimas desse pessimismo, desenvolvendo uma projeção invariavelmente sombria de futuro mesmo quando tudo aponta para o lado oposto.

Para ficar mais próximos da nossa realidade: é muito provável que a corrupção no Brasil, hoje, esteja proporcionalmente em níveis muito menores do que na época do Império. Mas – embora não haja estudos comparativos – certamente se acredita que nunca antes na história deste país a corrupção foi tamanha.

Agora considere o seguinte: o que move as nossas ações, o que gera protestos, o que ergue e destitui governos, o que faz com que empresas surjam e morram, não é a realidade: é a percepção popular.

E isso, por si só, cria quase que um universo paralelo onde o que se vê não é o que se é.

Do ponto de vista prático, a percepção é a realidade.

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