As gracinhas da tecnologia

Tá: “gracinha” pode ser uma palavra meio descabida se você estivesse nadando em um oceano repleto de tubarões famintos. E sim: sei que humanos não estão no cardápio natural desses reis dos mares e que eles provavelmente matam menos do que cadarços desamarrados… mas, ainda assim, eles são um perigo.

Principalmente se você gosta de desafiar a sinalização e surfar nos mares de Recife ou se mora na Austrália onde, aparentemente, tudo é mortal.

Para situações assim, uma invenção nova (e que custa a bagatela de US$ 65) foi lançada com o objetivo de emitir sinais eletromagnéticos que funcionam como repelentes de tubarão. O vídeo explicativo está abaixo – mas o importante não é o produto em si.

O importante é que ele serve para comprovar que para todo e qualquer problema sempre há alguma inovação simples a ser concebida.

E, claro, para toda boa inovação, sempre há um bom mercado esperando para ser cultivado.

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Robôs e fascínio tecnológico

Na última quarta fiz um post sobre inteligência artificial e sobre os riscos que a própria humanidade corre ao tentar corrigir justamente o caos que alimenta a sua própria evolução. Robôs, afinal, são seres inteligentes aperfeiçoados, que não cometem erros de lógica e que vivem seguindo raciocínios essencialmente binários.

São, portanto, tão perfeitos e encantadores quanto chatérrimos. Quer um exemplo? Veja esse vídeo abaixo, de um dos robôs da Boston Dynamics:

E-Commerce conversacional

O título deste post vem de um termo cunhado em 2015: conversational commerce, ou comércio eletrônico intermediado por sistemas de troca de mensagens. 

Gosto de termos novos, que começam a ganhar espaço na mídia: eles tem o efeito imediato de criar tendências e gerar inovação como nada mais no mundo. Nesse caso, no entanto, há mais do que uma simples palavra nova sendo utilizada. 

Quando o e-commerce nasceu, há tantos anos, sua principal característica era a de permitir compras imediatas, simples, agregando o máximo possível de racionalidade à relação do consumidor com a marca. Quando o usuário já está interessado em um livro – e, portanto, já sabe o que quer ou mais ou menos quanto pretende gastar – é muito mais fácil comprar com um clique do que com um passeio ao shopping mais próximo. Não foi à toa que o comércio eletrônico começou a sua primeira decolagem com livros e CDs, diga-se de passagem. 

Com o tempo, o processo de compra foi ficando tão sofisticado e complexo quanto os produtos vendidos. Há mais opções concorrentes, mais oportunidades de personalização, mais serviços acoplados, mais especificidades a serem entendidas. Trabalhar com excessos é sempre diferente de trabalhar com escassez: o excesso, afinal, é o pai da insegurança. 

E como lidar com insegurança? Conversando, convencendo. 

Dificilmente uma página estática conseguirá fazer isso sozinha, claro – mas o e-commerce já está muito mais evoluído. 

Dois exemplos simples: 

Facebook Messenger Inteligente

É até óbvio que muitos dos desejos de consumo nascem de conversas entrer amigos. E amigos, hoje, conversam tanto ao vivo quanto via aplicativos. O Facebook já entendeu isso faz tempos e, desde 2015, liberou para desenvolvedores sua API que permite integrar ofertas diretamente ao messenger. Está pensando em ir a uma festa de aniversário? Hoje, já é possível comprar flores e até pedir um Uber sem sequer precisar sair do aplicativo. 

E-Commerce conversacional é exatamente isso: contextualizar a oferta e fazer a venda de dentro de uma determinada situação impulsiva.


Operator

Outro serviço sensacional é o Operator, criado por um dos fundadores do Uber. O que ele faz? Conecta qualquer usuário a uma espécie de “rede de concierges”, profissionais especializados nos mais diversos serviços com o objetivo de ajudar o consumidor a se decidir. A aposta da empresa é “destrancar” os quase 90% de dinheiro do comércio que, hoje, trafega fora da Internet. O caminho: mercadologizar o conselho. 


Novamente, um brilhante exemplo de como gerar negócios a partir das complexidades de um comércio que, embora possa ser eletrônico, tem sido cada vez menos binário. 
 

O Índice de Miséria

Na segunda passada eu fiz um posto sobre a situação dramática em que estamos. Às vezes perdemos um pouco a referência em relação ao resto do mundo por nos acostumarmos a sobreviver, sabe-se lá como, em meio a tempestades tão intermináveis. quando terremotos se transformam em cotidiano, acabamos estranhando mais a calmaria do que os tremores.

Pois bem: em um esforço para definir o quão desastrosa está a situação do país, o Instituto Cato criou um Índice de Miséria Global. Sua formula: Taxa de Desemprego + Taxa de Juros +  Inflação – Crescimento do PIB.

Sim: pode-se questionar por dias a escolha desses indicadores específicos – mas reforço que a ideia é apenas ter algum comparativo mais generalizado com o restante do mundo.

O resultado está abaixo: o Brasil é terceiro lugar no Índice de Miséria.

E sabe qual o pior? Quando vi essa figura abaixo pela primeira vez, quase comemorei por não estarmos tão ruins quanto a Venezuela :-/

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O caos só pede um pouco de sensação de ordem

Quando se observa qualquer situação de caos, costuma-se ficar desesperado pelo emaranhado de confusão posto à nossa frente. Desespero, aliás, é a melhor palavra para isso: como não se sabe sequer a dimensão de um determinado problema, criar uma solução parece ser tão impossível quanto entender como chegamos até um determinado ponto.

Sim, sei que posso estar me perdendo na abstração do pensamento. Exemplifico, então.

Vamos à crise brasileira.

Por todo o primeiro semestre, ficamos colecionando números atrás de números que gritavam os efeitos catastróficos do desastroso governo Dilma.

  • Na economia, os dados foram tão estapafúrdios que esse nosso momento ímpar está sendo comparado à Grande Depressão que assolou o mundo no final da década de 20.
  • O desemprego, filho mais velho da crise, atingiu níveis comparáveis aos de países em guerra. Só a região metropolitana de Salvador, por exemplo, registrou 23% no índice que mede a desocupação. 23%!
  • Na saúde, epidemias que sequer conhecíamos no passado recente vieram sublinhar a ineficiência do sistema brasileiro.
  • Na educação, pequenas implosões generalizadas nas esferas municipal, estadual e federal apontaram para o mais puro colapso.
  • Finalmente (e digo finalmente não por ter chegado ao fim de todos os pontos problemáticos, mas sim para evitar que esse post vire um livro à parte), a inépcia política do então governo petista somada à divulgação apartidária da praga da corrupção eliminou do imaginário popular a mera existência de uma figura de líder capaz de nos fazer atravessar mares tão revoltos.

Como caos é insustentável por natureza, o governo inteiro caiu. Foi-se a Era PT.

Tudo mudou? Basta olhar as quedas dos ministros e ler nomes já conhecidos como Alves, Jucá e Geddel para se entender que, nesse aspecto, tudo permaneceu igual. Os mesmos criminosos que trouxeram o país para onde ele chegou permanecem no poder: eles apenas mudaram de ideologia.

E, aparentemente, isso funcionou. Com a mudança na condução ideológica das finanças, veio a até então inexistente perspectiva de melhora. Perspectiva, ressalto: até o momento, as grandes medidas apenas foram para o papel e nem tiveram como surtir efeitos de ordem técnica, prática, efetiva.

É aqui que entra a magia de se aniquilar o caos: o remédio para um problema, a solução definitiva, nunca é essencial em um primeiro momento.

Caos é a consequência febril, estomacal, emocional, de um desarranjo prático qualquer. Caos é o desespero que transforma adultos racionais em pequenas crianças que se perderam de seus pais.

E como eliminá-lo? Basta o dedo indicador apontando para alguma direção. Da mesma maneira que uma criança perdida se acalma imediatamente quando alguém aponta para o lugar em que seus pais estiverem mesmo antes de os enxergar, populações inteiras diminuem suas palpitações cardíacas quando conseguem crer na proximidade de uma mudança, de uma melhora.

Hoje, pouco mais de um mês se passou desde a posse de Michel Temer como presidente interino. Sabe o que aconteceu?

  • A previsão da queda do PIB de 2016 passou de 4% para 3,5%.
  • A queda na venda de alimentos passou de 4,08% para 3,73%.
  • Especialistas já consideram que a SELIC deva cair de 14,25% para 10% em um horizonte próximo.
  • Para 2017, a projeção de crescimento do PIB feita pelo BNP Paribas foi de zero para 2%.
  • E, indo além de qualquer projeção estatísticas, já se sente no próprio mercado um crescimento de demandas que estavam represadas pela absoluta falta de definição quanto aos rumos do país.

Como explicar tanta mudança e perspectiva em tão pouco tempo – menos tempo, reforço, que o necessário para se colocar qualquer medida de ordem prática em vigor?

Confiança.

O que define a economia do mundo não é um conjunto de resultados: é a confiança pelos agentes do mercado de que determinadas medidas levarão a um resultado. É, portanto, a mera perspectiva de resultado.

Nesse aspecto, o Governo Temer conseguiu iniciar um processo claro de ordenação do caos mesmo desafiando toda a lógica e formando uma equipe ministerial tão escandalosamente enlameada.

Aliás, paradoxalmente, a própria demissão imediata de alguns dos ministros por suspeitas de corrupção, se grifou a evidência de que a podridão permanece presente no governo, também sublinhou a disposição do mesmo governo em tomar atitudes concretas para “se limpar”. Seria melhor se os nomeados não fossem vilões célebres? É óbvio. Mas o fato de estarem caindo, um a um, já marca uma diferença do governo Dilma que, em seus melancólicos atos finais, tentou fazer o exato oposto ao nomear o ex-presidente Lula como ministro apenas para ajudá-lo a fugir das grades.

No final das contas, o remédio para o caos não nasce de soluções práticas: nasce de promessas emocionais que abrem viabilidade para a tomada de decisões práticas.

Ou alguém questiona a genialidade da escolha do novo slogan, “Ordem e Progresso”, para um país que, hoje, se enxerga perdido, diminuído, envergonhado e francamente desesperado?

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O livro: Como Gerir Marcas na Era dos Micromomentos

Nas últimas semanas, vim publicando aqui no blog capítulo a capítulo do meu novo livro. Pois bem: ei-lo, agora, no ar, devidamente publicado e disponível em formatos impresso e ebook.

Para quem quiser, basta clicar aqui, na imagem abaixo ou diretamente no link https://www.clubedeautores.com.br/book/208830–Como_Gerir_Marcas_na_Era_dos_Micromomentos

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A partir da semana que vem retomo as postagens aqui no blog 🙂

 

Novo livro a caminho: Como Gerir Marcas na Era dos Micromomentos

Estou com um novo livro no forno, quase todo escrito. Talvez seja mais um livreto do que um livro, dado o seu tamanho – mas abordando um tema que considero interessantíssimo: como gerir marcas na era dos micromomentos.

A ideia é entender como a estrutura burocrática de grandes corporações, erigida para mitigar ou mesmo evitar riscos, tem se transformado na principal barreira para que elas se conectem com um público cada vez mais dinâmico e direto.

A ideia também é passear pelos contrastes entre a Era dos Grandes Momentos e a dos Micromomentos, entendendo a relação entre movimentos sócio-políticos e oportunidades de marketing, observando as diferentes posturas de quem está perdendo e ganhando espaço.

Ideias, aliás, não faltam – assim como referências interessantíssimas.

Começarei a postar amanhã, aqui no blog, cada um dos capítulos. Ao final deixarei o livro disponível para download e à venda em formato impresso lá no Clube de Autores.

Será uma jornada interessante.

Até amanhã!

O sistema educacional, a imigração e a inovação

Esse é o tipo de post que não precisa de muito texto para ser introduzido. Basta ver o vídeo abaixo, contendo uma opinião impressionantemente coerente e disruptiva sobre a relação entre educação, imigração e inovação.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FAvanteCoach%2Fvideos%2Fvb.719755921479606%2F853831638072033%2F%3Ftype%3D3&show_text=0&width=560