Novo livro a caminho: Como Gerir Marcas na Era dos Micromomentos

Estou com um novo livro no forno, quase todo escrito. Talvez seja mais um livreto do que um livro, dado o seu tamanho – mas abordando um tema que considero interessantíssimo: como gerir marcas na era dos micromomentos.

A ideia é entender como a estrutura burocrática de grandes corporações, erigida para mitigar ou mesmo evitar riscos, tem se transformado na principal barreira para que elas se conectem com um público cada vez mais dinâmico e direto.

A ideia também é passear pelos contrastes entre a Era dos Grandes Momentos e a dos Micromomentos, entendendo a relação entre movimentos sócio-políticos e oportunidades de marketing, observando as diferentes posturas de quem está perdendo e ganhando espaço.

Ideias, aliás, não faltam – assim como referências interessantíssimas.

Começarei a postar amanhã, aqui no blog, cada um dos capítulos. Ao final deixarei o livro disponível para download e à venda em formato impresso lá no Clube de Autores.

Será uma jornada interessante.

Até amanhã!

A desnecessidade de gente

Uma das coisas que sempre me incomodou nas atitudes de governos brasileiros (falando plural e apartidariamente) é a maneira populista com que eles enxergam a geração de emprego.

Para as entidades públicas, emprego é igual a ocupação remunerada. Ou seja: qualquer grande shopping que contrate exércitos inúteis de pessoas que ficam prostradas nas suas garagens apontando com os dedos as vagas vazias deve, sob essa ótica, ser louvado pela geração de emprego – e não condenado pela ineficiência.

Sim: de fato esses profissionais exemplificados acima estão ocupados, tem carteira assinada e conseguem sustentar a família. Mas, no longo prazo, até que ponto garantir a empregabilidade às custas da eficiência faz sentido para um país que queira evoluir?

Veja no exemplo do vídeo abaixo, de uma loja que funciona sem vendedores.

A desvantagem? Sob a ótica do “emprego-ocupação”, quanto menos pessoas envolvidas, pior.

Son a ótica da competitividade, uma empresa assim consegue funcionar melhor, com custos mais enxutos e, portanto, garantir preços melhores para seus consumidores.

Ela consegue também expandir seus negócios – algo que certamente envolverá a contratação, direta ou indireta, de mais profissionais mais especializados – como gestores financeiros, marketeiros, especialistas em logística e tecnólogos.

Em resumo: a aposta em modelos mais eficientes troca meia dúzia de empregos pouco qualificados por um volume muito maior de empregos qualificados, ajudando a levar uma sociedade inteira para um futuro muito, muito melhor.

Chegar nisso que parece, para nós brasileiros, uma utopia, não é assim tão impossível. Esse vídeo, afinal, mostra algo real, concreto e, portanto, aplicável. Esse vídeo mostra também que, enquanto chafurdamos no pensamento de que o futuro depende mais de “empregos-ocupações” do que na maior qualificação da mão de obra, vamos perdendo espaço na cada vez mais dinâmica e competitiva economia global.

Está na hora de mudarmos a nossa mentalidade. Não basta empregar: é necessário qualificar a nossa mão de obra a tal ponto que a mera demanda por empregos que envolvam rotinas braçais sequer encontrem oferta no mercado de trabalho.

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Maslow na comunicação moderna

A Pirâmide de Maslow é, já faz algum tempo, um dos raciocínios mais elegantemente completos sobre a evolução das necessidades do ser humano. Seu resumo é: a primeira necessidade humana é fisiológica, seguida por necessidade de segurança, por necessidades sociais, de estima e de realização.

Faz sentido: se você estiver à beira de morrer de fome, dificilmente perderá tempo pensando em se manter bem vestido e asseado para ter uma maior “empatia social”, por assim dizer.

A maior elegância da pirâmide, no entanto, reside na possibilidade de adaptarmos ela a diversas situações diferentes. Um dos exemplos está abaixo, propondo uma releitura de Maslow sob a ótica da era da informação.

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Tecnologicamente, as necessidades fisiológicas são aqui metaforizadas como ter energia e wi-fi, elementos básicos para a comunicação moderna. A partir daí, cada um dos elementos comumente encontrados em nosso cotidiano, de redes sociais a tecnologias, vão assumindo papéis diferentes.

E por que isso é interessante? Porque nos permite uma releitura das próprias redes e do propósito delas em nossas vidas pessoais e profissionais.

Dá um sentido mais teórico para algo que já é tão consolidado na prática.

 

 

 

 

 

 

A vida definida em momentos

Se o que define uma vida é a somatória de decisões que tomamos, entender como essas decisões acontecem pode ser uma das maiores chaves para se destrancar a mente humana.

Não que seja algo fácil, claro: é impossível criar qualquer tipo de receita de bolo para se interpretar algo tão complexo e caótico quanto o ser humano. Mas informação bem estruturada sempre ajuda.

Recentemente, o Google fez um estudo que considerou que o que define a vida são pequenos – minúsculos, por vezes – momentos de decisão.

Vale conferir o estudo, cujos pontos altos estão aqui no post, neste link.

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Os caminhos binários para uma nova ordem social

Para quem gosta de estratégia, analisar a crise política brasileira é um prato cheio. Primeiro, pelo espectro: estamos falando de um país de 200 milhões de habitantes como palco de uma guerra política.

Segundo, pela facilidade de análise de resultados: no momento em que estamos, todo o destino do país depende de uma saída “binária”: ou há ou não há impeachment. Claro: todo um mundo de coisas pode se desenrolar a partir de cada hipótese – mas tudo depende de qual dos dois caminhos tomaremos nos próximos dias.

E aí chegamos à questão do julgamento político.

O grupo pro-impeachment precisa de 342 votos de uma câmara com 513 deputados. O grupo governista precisa de 171 votos ou abstenções.

E o que determinará a escolha de um caminho ou outro? Excluindo as questões mais ideológicas e partidárias (como posições óbvias dos principais partidos antagônicos, PT e PSDB), o voto dos indecisos.

E esse voto depende de se pesar, essencialmente e a grossíssimo modo, dois fatores: dinheiro versus pressão popular.

Não é exatamente segredo para ninguém que o governo está tentando comprar, com cargos, dinheiro e promessas, todo o apoio que precisa para escapar da deposição.

Por outro lado, também não é segredo que o principal opositor do governo não é a oposição política, também antagonizada pela população descontente: é a enorme pressão popular. Os deputados que que migrarem para o grupo pro-impeachment, portanto, provavelmente o estarão fazendo por medo de perderem a elegibilidade futura.

Quais são, portanto, os motores que determinarão a nova ordem da política brasileira?

  1. A aposta em ganhos fisiológicos de curto prazo, confirmando, portanto, que pelo menos por mais algum tempo a mesma maneira de fazer política perdurará
  2. O temor da pressão popular, abrindo uma possibilidade de mudança na maneira de se fazer política no Brasil (que, ainda assim, certamente não será fácil)

Antes que me acusem de ingenuidade, é óbvio que certamente há negociações bem pouco ideológicas, para colocar de maneira eufêmica, rolando no grupo pro-impeachment. Mas é também óbvio que, quando o objetivo é extorquir alguém, as chances de sucesso tendem a ser maiores quando a “vítima” está mais enfraquecida.

Seja em qual for o caso, a onda de migrações pro e contra impeachment tem sido mapeada diariamente pelo Estadão e pelo VemPraRua. A cada nova notícia na imprensa, a cada novo pico de manifestações e a cada nova oferta de cargos, há mudanças no fluxo que determinará o resultado final dos indecisos.

Estamos no curiosíssimo lugar de protagonistas que conseguem acompanhar, em tempo real, o processo de decisão dos seus próprios destinos. Para quem não conhece, vale acessar o http://mapa.vemprarua.net.

Pelo menos até o final desse processo que nos redefinirá enquanto país.

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Quando a lei e a ética se estranham

Há um limite para a nossa autoentrega aos nossos próprios mitos. 

Sim: toda uma sociedade depende da observação comunitária de suas leis, criadas e instauradas como resultado de toda uma história que provavelmente envolve debates, revoluções e derramamento de sangue em torno de causas quaisquer. 

Mas o que se costuma esquecer é que as leis existem para manter uma sociedade dentro de parâmetros éticos considerados vitais para o seu funcionamento. Ou seja: leis existem apenas para reger e proteger a ética. 

Onde quero chegar com isso? Simples: olhe a situação de crise política que o país está vivendo. Há um processo de impeachment correndo solto no congresso recheado por provas dos mais diversos crimes, de uma irresponsabilidade fiscal que gerou uma crise sem precedentes a obstrução descarada de justiça. 

Verdade seja dita, a maior parte dos cidadãos está mesmo se manifestando ferozmente a favor da deposição da presidente. Mas a maior parte não é a totalidade.

Vamos ao episódio dos grampos envolvendo o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Nele, há uma clara, óbvia e indesculpável tentativa de obstruir a justiça usando uma nomeação para um cargo que garantiria foro privilegiado. O problema é que o foco das atenções não está no fato de que a ética pública, que deveria ser o cerne da questão, foi fatalmente ferida com isso; discute-se “tecnicidades”. 

Discute-se se a liberação dos grampos foi ou não correta, se uma presidente poderia ou não ser gravada mesmo não sendo alvo, se tudo deveria ou não ter sido remetido a um tribunal de maior instância. Que essa discussão ocorra entre juízes e advogados, tudo bem: o papel deles, afinal, é discutir a lei, não a ética. 

Mas essa discussão acontecer entre os cidadãos é algo absolutamente tenebroso: cidadãos, afinal, deveriam se preocupar muito mais com a ética. Que importam a eles as tecnicidades envolvendo os grampos se o seu teor, o seu conteúdo, deixa provado de maneira tão clara um crime nos mais altos escalões do governo? Não deveria ser o crime o suficiente para que todos os cidadãos – e não somente a ampla maioria – demandasse a deposição do governo? Como pode, depois disso, qualquer cidadão defender o governo?

Perdoem este post essencialmente político – é realmente difícil ignorar o momento tão singular do país em um blog que se dedica a falar de caos. 

Quando uma parcela da sociedade, mesmo que minoritária, prefere se dedicar a discussões técnico-jurídicas e assim vendar os seus próprios olhos frente às ululantes comprovações de crimes cometidos pelos seus governantes, a sociedade inteira acaba passeando por um território perigoso em que se busca ordem não para anular, mas sim para proteger o caos.

No caso do impeachment da Presidente Dilma, há ainda um agravante a esse kafkiano processo que vivemos: a cegueira deliberada dessa parcela minoritária da população que, em desespero, busca defender um governo que já despejou tantas provas de crime e má administração chamando de “golpe” um processo previsto na constituição e que segue um rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Supremo, aliás, que teve a maioria dos juízes nominalmente indicada justamente pelo próprio governo.  

  

Sobre o que nos faz humanos

Excluindo-se os entediantes detalhes práticos da genética, o que nos diferencia dos demais animais é a nossa habilidade de inventar histórias. 

Toda a nossa sociedade, aliás, é baseada nisso. Dou três exemplos práticos: 

  1. Você conseguiria convencer um cachorro esfomeado de dar um pote de comida que acabou de achar para um outro cachorro, mais fraco e totalmente desconhecido, permanecendo assim com fome, apenas para fazer um ato de caridade e, assim, cair nas boas graças de uma divindade que ele nunca viu mas que a tudo observa dos céus? Não. Para um cachorro, o céu é apenas um troço azul de onde, as vezes, cai água.
  2. Você conseguiria convencer um macaco a não roubar uma banana de um outro macaco desatento usando o argumento de que isso seria eticamente errado? Não. Para um macaco há apenas a oportunidade.
  3. Você conseguiria argumentar com um parasita mortal que, se ele não parar de saciar a sua fome, acabará matando o hospedeiro e, consequentemente, a si mesmo? Não. Para um parasita há apenas a fome.

Ética, religião, justiça e todas as demais bases de sustentação da sociedade humana são conceito anômalos a outros seres vivos. Para eles, só o que existe é a necessidade básica de sobrevivência. A vida é mais simples.

Nós, por outro lado, temos conceitos mais sofisticados. Ao conseguir imaginar situações que atravessam o campo da observação e chegam até a dedução, ampliamos o nosso alcance social de maneira dramática. Ao verbalizar as nossas deduções, verdadeiras ou não, a outros membros, criamos crenças comuns baseadas no intangível. 

Ao espalhar as nossas crenças, atravessamos territórios e criamos as primeiras sociedades do mundo feitas de seres que nunca tiveram contato entre si, mas que passaram a compartilhar os mesmos sensos de ética impulsionados por sensações como, por exemplo, o temor de uma mítica justiça divina. 

Na medida em que nossa sociedade foi atravessando o tempo, as leis dos clãs se casaram com as leis dos deuses míticos, criados para explicar o inexplicável para qualquer humano e irrelevante para qualquer outro ser vivo. Esse casamento gerou frutos: a quebra da relação direta entre hierarquia e força física; a constituição de países demarcados por fronteiras imaginadas, a transformação de tribos de dezenas de membros em sociedades de milhões de cidadãos. 

Pare para pensar: hoje, nós vivemos em um mundo absolutamente mítico, desconectado das leis da física e da natureza onde a mais pura fantasia impera sobre a realidade.

Quer um exemplo? 
A lei imaginária

Imagine que você seja um advogado defendendo um criminoso.

Comecemos pelo crime: desobedecer uma determinada lei, qualquer que seja. O que é uma lei senão uma criação humana, uma espécie de regra documentada? Há algum tipo de penalização natural que acontece quando se descumpre a lei? Quando se rouba algo, por exemplo, o braço do ladrão é contaminado por alguma bactéria e se desprende do corpo? Claro que não. Infrigir uma lei é um conceito desconhecido do mundo natural – mesmo porque leis sociais foram criadas, inventadas pelo homem. 

Ainda assim, o criminoso está em julgamento. E o advogado? Ele estudou por anos, lendo textos e mais textos para conhecer as leis imaginárias e suas brechas. Provavelmente pagou pela sua educação com muito dinheiro – uma outra invenção social. Entregue uma nota de R$ 100 a um coelho e ele provavelmente a mordiscará para ver se tem algum valor, ignorando-a em seguida; para um homem, a “invenção” dinheiro pode abrir praticamente todas as portas sociais existentes. Dinheiro, aliás, é a invenção mais efetiva da humanidade, a única capaz de unir os bilhões de habitantes humanos da Terra. 

A defesa do advogado será apreciada por um juiz, outro especialista em leis e que tem uma posição hierárquica maior. A palavra do juiz vale mais do que a do advogado, mesmo que o advogado seja mais forte que ele – algo impensável se fôssemos uma outra espécie. Cabe, portanto, ao juiz dar a palavra final sobre o destino do criminoso, que pode ser condenado a pagar uma multa – outra invenção humana – a ir para a cadeia ou a sair livre. 

Qualquer que seja o resultado, o criminoso provavemente recorrerá a Deus – um outro ser que ele nunca viu pessoalmente e que, portanto, faz parte do seu imaginário – para pedir misericórdia ou agradecer. 

Tudo isso, todas essas regras sociais, são invenções fruto da mente dedutiva e fantasiosa do homem. Nada é natural, fruto unicamente da observação direta ou experiência empírica. 

No entanto, já pensou em que pé estaria a humanidade não fossem essas regras, essas nossas leis? Provavelmente no mesmo patamar que “espécies inferiores” como cachorros, macacos, pulgas ou bactérias. 

Nós devemos a nossa evolução à nossa imaginação. 

Pode parecer ridículo, mas é justamente a nossa capacidade de criar explicações e regras sem nenhuma base lógica concreta que consegue dar ordem ao mundo em que vivemos. 

Há maior lição de vida do que essa?