[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] Nós, humanos, já somos a minoria

O caso Lajello foi apenas um de muitos – e sua utilidade como alvo de um experimento universitário acabou evitando influência mais voltada à formação de opinião relacionada a produtos, serviços ou ideologias.

Ele serve, no entanto, para ilustrar.

Da mesma forma que um robô pode ser programado para fazer recomendações de amizades, ele também pode recomendar produtos ou compartilhar opiniões. Basta que eles sejam programados para isso.

E, embora todas as redes sociais tenham sistemas desenvolvidos para localizar e excluir perfis de robôs, o sucesso dessa empreitada é baixíssimo.

Considerando que um sistema anti-robô é, por si só, um outro robô, basta “enganá-lo” agindo com a imperfeição típica de um humano. Exemplificando:

Seria fácil para um perfil robô fazer milhares de posts ou mensagens simultâneas – mas isso também o deixaria exposto ao sistema anti-robô. Como combater isso? Programando-o para fazer apenas dez ou quinze postagens por hora, por exemplo.

Da mesma forma, um robô também se exporia se mandasse exatamente a mesma mensagem diversas vezes para diversas pessoas. A solução? Usar desde sinônimos de maneira automática a recomendações de outras postagens feitas por outros usuários cujas “opiniões” ele compartilha.

Para cada armadilha, claro, há uma solução. E, assim, o universo virtual vai se enchendo de robôs que, em geral, são confundidos com pessoas reais.

Basicamente, os bots seguem uma mecânica simples:

  1. Tem uma página de perfil aparentemente real, criada para que se assemelhe com uma pessoa normal
  2. Buscam amigos com facilidade para enganar as pessoas que, em geral, assumem que qualquer perfil com muitos seguidores é crível. Essa busca tem dois caminhos: via comércio eletrônico, onde efetivamente se consegue “comprar amigos” – sendo a grande maioria deles outros robôs – ou fazendo solicitações automáticas de amizade. Um estudo recente apontou que 1 em cada 5 pessoas aceitam solicitações de amizades em redes sociais mesmo sem conhecer o solicitante[1].
  3. Postam opiniões sobre produtos, serviços ou ideologias ou apenas compartilham posts de personalidades com as quais tenham “afinidade ideológica”

A mágica, a partir daí, está feita: as redes sociais começam a se encher de opiniões de robôs sobre tudo e todos, interferindo de maneira decisiva no Parâmetro de Laggard e efetivamente moldando a opinião das pessoas.

Quer saber o volume disso na vida real? De acordo com a Forbes[2], apenas 49% dos perfis sociais são de humanos e 30% destes humanos acabam sendo enganados (ou “convencidos”) por robôs.

Robôs na campanha para presidente

Em 2015, um documento interno do governo federal acabou sendo publicado pelo Estado de São Paulo[3].

Nele, a própria Secretaria de Comunicação (SECOM) admitiu o uso de robôs na campanha de reeleição da Presidente Dilma Rousseff. O objetivo dos perfis falsos era simples: popular as redes com mensagens positivas sobre a primeira gestão e negativas sobre os candidatos de oposição, além de garantir que hashtags a favor da candidata frequentemente se mantivessem nos sempre desejados Trending Topics do Twitter.

Considerando que mais da metade da população brasileira está na Internet e tem perfil ativo nas redes sociais, é plausível considerar que o papel dos robôs acabou sendo importantíssimo para a vitória petista no pleito federal.

[1] Fonte: http://lersse-dl.ece.ubc.ca/record/264/files/264.pdf

[2] Fonte: http://www.forbes.com/sites/lutzfinger/2015/02/17/do-evil-the-business-of-social-media-bots/#491546aa1104

[3] Fonte: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,governo-cita-uso-de-robos-nas-redes-sociais-em-campanha-eleitoral,1652771

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