[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] A matemática da formação de opinião

Toda essa volta dada até aqui foi para chegar a uma conclusão simples: se, no passado, nossa opinião era formada em decorrência de argumentos longos e exaustivamente aprofundados, hoje a nossa ansiedade e impaciência nos transformou em crentes ávidos pela conversão à crença mais popular que aparecer.

Em outras palavras, a vontade de chegar a alguma conclusão qualquer para poder tomar uma decisão rapidamente e começar a formar opiniões alheias é tamanha que a oportunidade costuma superar a necessidade.

Não é à toa que o consumismo cresce tanto em todo o mundo: convencer pessoas de que elas precisam desesperadamente de bens que elas sequer conheciam antes nunca foi tão fácil. O consumismo, aqui, deve ser visto não de maneira isolada e simplista, mas sim como parte de um traço social mais completo que inclui toda a maneira com que interpretamos o mundo à nossa volta.

Não se compra para ter; compra-se para mostrar.

Não devemos também subestimar o “mostrar”: hoje, esse tipo de exibicionismo não deve ser confundido com uma futilidade vazia. Exibir algo diferente, hoje, significa se inserir em um ciclo social em que formar opinião é mais importante do que ter uma opinião, por mais paradoxal que isso pareça.

O Modelo de Nódulos

Em 2008, um estudo sobre o modelo de formação de opinião foi publicado pelos pesquisadores Peter Klimek, Stefan Thurner (ambos da Universidade de Medicina de Viena) e Renaud Lambiotte (Universidade de Liege e Universidade Católica de Louvain) em parceria com o Instituto Santa Fé, nos EUA.

O modelo inteiro se baseou em questões binárias (como opiniões com base em sim vs. não, liberal vs. conservador etc.).

O resultado pode ser visto na imagem abaixo[1]:

Screen Shot 2016-07-22 at 5.31.44 PM

O modelo em si considera que cada nódulo é um ser humano com uma opinião formada.

Na figura “a”, o humano do nódulo central se relaciona duas pessoas que compartilham a mesma opinião que ele e com três que pensam o contrário. Em uma rede em que 3 pensam de uma forma e 3 pensam de outra, há uma tendência à estabilidade: mesmo com o passar do tempo, é maior a probabilidade de que ninguém convença ninguém a mudar de lado.

A figura “b”, no entanto, já é diferente. Nela, apenas duas pessoas pensam de uma forma enquanto quatro pensam de outra. Em uma situação assim, a maior probabilidade é que a pessoa no centro mude sua opinião para melhor se encaixar na sociedade em torno dela.

Essa força matemática que induz opiniões a serem mudadas (ou a permanecerem estáveis) é chamada pelos pesquisadores de Parâmetro de Laggard. De acordo com seus estudos, para que uma opinião seja formada é necessário que o parâmetro seja superior a 50% (como exemplificado na figura “b” em relação à “a”).

Tudo, no final das contas, é uma questão de quantidade.

Mas o que mudou do passado para o presente? Justamente a quantidade de conexões.

Se, digamos, em 1920, uma pessoa normal tinha no máximo algumas dezenas de “amigos”, hoje, um século depois, a média de “amigos” que cada um tem em uma rede social supera os 300.

E nem vale entrar aqui no conceito de amizade em si: na prática, são mais de 300 pessoas opinando sobre temas diversos – desconsiderando conteúdos produzidos por marcas para vender os seus produtos e serviços – que diariamente ocupam o campo visual de cada pessoa.

Esse alto volume de opiniões trafegando na velocidade do pensamento faz com que o modelo de nódulos ganhe um dinamismo como jamais visto antes, principalmente se considerarmos que cada nódulo conectado tem a sua própria rede de formação de opinião simultânea.

Mais conexões, portanto, representam mais opiniões. Em uma situação dessas, um bom formador de opinião é aquele que consegue expressar a sua opinião de maneira mais clara.

E, em uma era com tanta quantidade de opiniões, ser mais claro significa também ser mais “enxuto”, menos prolixo.

Traduzindo: o melhor formador de opinião é aquele que consegue falar de maneira mais simples e óbvia para a maior quantidade de pessoas, interferindo no Parâmetro de Laggard de cada um.

E é precisamente aqui que começam a entrar em cena os robôs.

[1] Fonte: http://phys.org/news/2008-04-physicists-opinions.html#jCp

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