[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] A Revolução da Alfabetização Universal

Até que, de repente, as sucessivas revoluções sociais, das mais diversas correntes, acabaram se encontrando no aprimoramento da educação de seus povos.

Na medida em que o analfabetismo foi sendo erradicado do mundo, mais e mais pessoas foram descobrindo possibilidades além das velhas tradições, até então a única fonte de conhecimento que elas tinham.

Essa descoberta não pode ser subestimada: aprender a ler acabou transformando o ser humano em um ávido investigador de seus próprios problemas. Ler, enquanto sinônimo de se informar, passou a ser o ponto de partida para quem quisesse sair da pobreza, melhorar a saúde ou garantir um futuro melhor para seus filhos.

O efeito disso é inclusive matematicamente claro, como pode ser visto no gráfico abaixo que compara a expectativa de vida com a taxa de alfabetização de diversos países[1]:

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A tabela acima não deve ser interpretada, claro, de maneira simplistamente direta: saber ler não é causa única para viver mais. Por outro lado, saber ler significa estar dotado de uma capacidade mais sofisticada de buscar conhecimento – e é essa busca que acaba fazendo a diferença.

Na medida em que uma determinada sociedade ia se alfabetizando, a demanda por cultura escrita crescia mais e mais.

Considere este outro estudo, comparando a evolução na taxa de alfabetização de alguns dos países do mundo:

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Este outro gráfico, abaixo, ilustra a consequência do crescimento das taxas de alfabetização: o aumento da demanda por livros[1].

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Embora sejam dados referentes ao mercado norte-americano, pode-se considerar que as estatísticas representem uma realidade relativamente global principalmente nas primeiras décadas uma vez que autores europeus sempre estiveram entre os mais lidos dos Estados Unidos.

O que esses três gráficos indicam?

  1. O aumento das taxas de alfabetização mundo afora geraram um consequente aumento nas expectativas de vida das populações por dotarem-nas de mais meios para entenderem o mundo a seu redor (e saberem tirar melhor proveito dele)
  2. O aumento da taxa de alfabetização aumentou substancialmente a demanda por conteúdo escrito – o que acabou proporcionando uma verdadeira explosão de livros lançados

Esse é o ponto mais crucial de todo este livro, diga-se de passagem.

Uma sociedade como a de 1911 a 1919, com uma disponibilidade total de 94 mil novos títulos, era absolutamente diferente de uma sociedade como a de 2000 a 2011, com mais de 2 milhões de novos livros publicados.

No passado, poucas pessoas tinham acesso a poucos “conhecimentos” – o que demandava que estes “conhecimentos” fossem densos o bastante para permitir maiores aprofundamentos por parte do público e, portanto, um convencimento acerca de suas teses e teorias.

Em outras palavras, lia-se mais de menos.

Hoje, a grande quantidade de “conhecimentos” subverteu as regras por completo. Há simplesmente coisa demais para poder ler tudo com a devida profundidade.

Hoje, portanto, lê-se menos de mais.

[1] Fonte: Bowkers

[1] Fonte: CIA Factbook, 2009; alfabetismo considera pessoas com mais de 15 anos que sabem ler e escrever

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