[Algoritmos & Robôs: Os novos públicos-alvo das marcas] Do instinto à pura dedução lógica

O que diferencia o ser humano de um outro animal qualquer é justamente a nossa intenção onipresente de “formar opinião”.

Entenda-se por “formar opinião”, claro, a capacidade de provarmos a terceiros que alguma ideia abstrata, fora do campo observacional, efetivamente exista. Pode não parecer, mas isso exige uma capacidade de raciocínio lógico, em cadeia, extremamente complexo e sofisticado.

Animais diferentes dos humanos, por exemplo, são “movidos” essencialmente por seus instintos. Não se convence um macaco esfomeado de que há bananas a quilômetros de distância: ou ele as vê ou já sabe da sua existência de maneira quase instantânea, seja por memória ou por uma dedução baseada muito mais nos instintos e na observação do que na lógica.

Vamos a outro caso: antes de tempestades se abaterem sobre algum território qualquer, pássaros sempre pressentem o perigo e saem em revoada buscando refúgios mais seguros. A questão chave aqui é o que os faz tomar a decisão de partir céus afora: instintos interligados às suas memórias. Para ficar em apenas um exemplo: toda grande tempestade é sempre precedida por mudanças bruscas na pressão atmosférica.

Pássaros sentem essas mudanças com o próprio corpo, usam as memórias para interligá-las a um sinal de perigo e, imediatamente, tomam a atitude de fugir.

Tudo é linear e, na falta de um termo melhor, automático.

E essa é a diferença entre os humanos e os demais animais com quem compartilhamos a terra.

Humanos tem também os seus instintos, claro – mas o raciocínio lógico, a dedução, acaba ganhando proporções sempre maiores na tomada de decisão.

Não há nenhuma evidência instintiva, por exemplo, que nos indique que em algum ponto do futuro terremotos avassaladores ceifarão as vidas de sociedades inteiras. No entanto, toda uma série de pequenas observações geológicas e análises históricas, traduzidas em matemática e interpretadas por gerações de cientistas que passaram décadas se especializando no assunto, garantem que essa possibilidade é altamente concreta.

O resultado dessa cadeia lógica transformada em conhecimento praticamente inconteste, por sua vez, foi toda a estruturação de um modelo de urbanização focado na prevenção de danos por terremotos.

Traduzindo em números que ilustram bem os efeitos dessa cadeia lógica: em fevereiro de 2010, um terremoto de magnitude 8,8 na Escala Richter que se abateu sobre o Chile matou “apenas” 0,1% das pessoas atingidas por ele. No mesmo ano, um terremoto mais fraco, de magnitude 7,0, destroçou o Haiti, país muito menos preparado: 11% das pessoas impactadas morreram.

Aqui, os cientistas chilenos tiveram sucesso maior em convencer a sua sociedade do perigo de um desastre natural, fazendo todos se prepararem melhor, por exemplo, por meio da adoção de códigos de urbanização muito mais sofisticados que os haitianos.

 

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