[Como gerir marcas na era dos micromomentos] Capítulo 11: Os novos tempos

A diferença básica entre os nossos tempos e o período da Revolução Francesa é que, hoje, a informação flui a uma velocidade superior à nossa capacidade de compreensão.

Não há tempo, hoje, para que uma determinada ideologia passe pelo período de encasulamento, crescendo quase que clandestinamente até explodir. Opiniões não são mais formadas lentamente, fruto de anos ou décadas de raciocínio sobre determinado tema: opiniões, embora mais superficiais, são instantâneas, assim como tweets, posts no Facebook ou rios de notícias que rasgam a Web.

Basta ver os recentes acontecimentos no Brasil.

No passado, derrubar governos era fruto de anos de inquietação, de confabulação, de mobilização nas mais diversas camadas sociais. Tudo era demorado e, ao mesmo tempo, denso. Não se trocava apenas um governo: se extirpava toda uma classe política e, dependendo da ocasião, se trocava até mesmo o sistema político.

No Brasil de 2015 e 2016, a realidade foi outra.

Embora eleita democraticamente, a presidente alcançou níveis recorde de impopularidade já nos seus primeiros meses de mandato. Ainda no primeiro ano, pedidos de impeachment se enfileiravam na Câmara dos Deputados que, em mais alguns meses, acabou votando pela admissibilidade.

O que aconteceu com sua saída? O vice-presidente assumiu, formando um gabinete feito de um rearranjo dos mesmos políticos tão impopulares quanto a presidente – e ainda por cima investigados por corrupção.

Enquanto tudo isso acontecia, ondas avassaladoras de protestos tomaram conta das redes sociais e das ruas, impondo a falta de opção de voto a deputados e senadores reconhecidamente fisiologistas.

Não obstante, mesmo mantendo boa parte dos atores e apresentando apenas uma mudança de cenário, tanto mercados quanto a própria população tem demonstrado um otimismo entusiasmado com o futuro do país pós-impeachment.

A solução, mesmo que superficial pela semelhança entre velhos e novos protagonistas, trouxe os mesmos efeitos densos aos ânimos populares que se esperaria de uma revolução completa. Eis o retrato dos nossos tempos.

Estivéssemos, por exemplo, no século passado, e todo o processo teria ocorrido de maneira mais dramática. Teria ocorrido, não: ocorreu. No Brasil da República
Velha, a concentração de poder em uma parte pequena do país acabou gerando tamanho desconforto que, quando o contexto permitiu, Getúlio Vargas tomou o poder para si. Ressalte-se aqui duas características importantes:

  1. A República Velha, iniciada com a deposição de D. Pedro II, durou aproximadamente 41 anos e passou por 14 presidentes (desconsiderando Júlio Prestes, que nunca chegou a tomar posse). Foram quatro décadas de reclamações de todas as províncias fora do eixo São Paulo-Minas Gerais, acumulando o tipo de saturação popular que costuma culminar em mudanças dramáticas.
  2. A mudança que finalmente eclodiu depois de anos de inquietação, capitaneada por Vargas, acabou culminando em um outro golpe, mudando o regime político e fazendo-o permanecer no poder até 1945. Mudou-se, portanto, a liderança política e o regime de governo como um todo, rompendo em absoluto com tudo o que o passado representava.

Novamente, o fator Tempo salta aos olhos: na época, mudanças precisavam ser exaustivamente planejadas e cuidadosamente postas em prática. Qualquer erro poderia levar os seus protagonistas ao exílio ou à morte. Tudo, no passado, era mais dramático.

E hoje? Hoje, depois que um governo inteiro naufragou nos seus próprios erros catastróficos, empurrando o país a uma das piores crises de sua história, o máximo de consequência foi uma sutil mudança de cadeiras onde situação passou a ser oposição e vice-versa. Ainda assim, em termos: muitos dos principais partidos da base aliada simplesmente mudaram de lado e permaneceram como a “nova” situação.

Haverá revoltas populares por conta disso? É improvável.

Em larga maioria, a população parece satisfeita com a mudança e esperançosa por um futuro melhor sem precisar recorrer a rupturas mais severas da ordem pública.

Essa é a primeira coisa importante para se entender o conceito de micromomentos: não importa se as soluções buscadas pelo público sejam densas ou superficiais: importa que elas sejam rápidas.

O mesmo paralelo pode ser aplicado ao universo das marcas.

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