[Como gerir marcas na era dos micromomentos] Capítulo 4: Grandes momentos, profundas mudanças

Não quero aqui restringir esse período tão grande da história da humanidade a duas revoluções. Elas são, antes de qualquer coisa, meros exemplos de como o mundo girava até pouquíssimo tempo atrás.

Antes delas, movimentos como a Reforma Protestante e o Renascimento nasceram do mesmo modelo de choques ideológicos, fazendo atores diferentes encenarem a mesma peça.

Depois delas, testemunhamos ainda duas grandes guerras, surgimento e ocaso do comunismo, começo e fim do Apartheid, lutas pelo sufrágio universal, guerras de independência nas tantas colônias africanas que permaneciam ativas até a segunda metade do século XX, ditaduras e redemocratizações pelos tantos estados latino-americanos.

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Em todos esses exemplos – novamente, apenas um pequeno extrato da cronologia de mudanças da humanidade – a receita de mudança era sempre a mesma: gerar uma ideologia subversiva, deixá-la crescer, incubada, por anos, compartilhá-la em grupos até que ela ganhasse forma e peso e, assim, desafiar a ideologia dominante a um duelo em que apenas uma sobreviveria.

Em todos esses exemplos, a receita de mudança tinha um ingrediente fundamental: o Tempo.

Eram tempos em que a parca quantidade de opções de comunicação impunha paciência a todos: pensamentos e ideologias, afinal, eram compartilhados com hora marcada, em reuniões secretas ou edições diárias de jornais, clandestinos ou não.

Eram tempos em que notícias demoravam uma vida para chegar – e que, ainda assim, podiam ser facilmente contestadas pela impossibilidade de se enviar provas cabais de qualquer coisa.

Apenas para ilustrar um outro exemplo disso: quando o Japão perdeu a II Guerra, muitos dos imigrantes que moravam no Brasil se recusavam terminantemente a acreditar na derrota, acusando os fatos de boatos espalhados pela CIA. A incredulidade era tamanha que, na São Paulo da década de 40, um grupo terrorista chamado Shindo Renmei chegou a executar dezenas de nipo-brasileiros pelo “crime” de ter acreditado que o Japão efetivamente perdera a guerra.

Eram tempos, enfim, de extrema dramaticidade.

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