[Como gerir marcas na era dos micromomentos] Capítulo 2: A Era dos Grandes Momentos

Estivesse você perambulando pela Paris dos séculos XVIII e XIX, provavelmente se depararia com vultos nervosos cuspindo ideias radicais e bradando por mudanças.

Em todo o globo, aliás, o período entre 1770 e 1870 foi provavelmente um dos mais importantes e determinantes para toda a história da humanidade.

Mergulhada na soberba própria da aristocracia, regime dominante por séculos, a Europa assistiu, atônita, à Revolução Americana de 1776 – apoiada pelos eternos inimigos da coroa britânica, os franceses.

Pouquíssimos anos depois, ironicamente vítima dos mesmos ventos que ajudou a soprar do outro lado do oceano, a corte de Louis XVI assistiu, também atônita, à queda de um dos maiores símbolos da monarquia: a Bastilha, em 1789.

Untitled

Um redemoinho de acontecimentos em velocidade sem precedentes começou a partir daí.

Em 1791, desesperada, a família real tentou fugir da França e foi descoberta no meio da estrada, sendo escoltada de volta a Paris por uma turba urrando um tipo de ódio que nasce apenas do casamento entre estômagos vazios e olhos cansados de invejar a fortuna alheia.

Em setembro de 1792, em meio a boatos de que prisioneiros nobres estariam planejando uma rebelião, uma outra turba, liderada por Jean Paul Marat, invadiu diversos presídios na capital francesa e assassinou cerca de 1.600 presos.

Menos de um ano depois, em 1793, Louis XVI foi guilhotinado.

O estresse dos tempos estava ainda longe de terminar: até 1794, época em que o sádico Robespierre estava no poder, a guilhotina mantinha uma média diária de execuções na casa das 50 a 70 pessoas.

O próprio Robespierre tombou, guilhotinado, dando espaço para o crescimento de Napoleão e uma espécie de renascimento do conceito de monarquia francesa que durou, entre guerras e golpes, até 1870.

Os efeitos dessa era de grandes momentos e mudanças formaram a origem de todo o nosso mundo moderno. Basta olhar o Brasil, terra até então isolada de todo o globo por conta do protecionismo tirânico de Portugal. Sem os sopros de liberdade vindos da Revolução Americana, a Inconfidência Mineira, ainda que fracassada, não teria acontecido para sacudir os pensamentos retrógrados de então.

Sem as guerras napoleônicas, a família real portuguesa não teria fugido para as nossas praias e transformado colônia em metrópole, modernizando, em poucos anos, mais de 3 séculos de pensamentos infestados de ácaros.

Era um tempo sem liberdade de informação, com poucos e quase inacessíveis livros, com acesso caro a instituições de ensino, com excesso de preconceitos e escassez de coragem intelectual.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s