A desnecessidade de gente

Uma das coisas que sempre me incomodou nas atitudes de governos brasileiros (falando plural e apartidariamente) é a maneira populista com que eles enxergam a geração de emprego.

Para as entidades públicas, emprego é igual a ocupação remunerada. Ou seja: qualquer grande shopping que contrate exércitos inúteis de pessoas que ficam prostradas nas suas garagens apontando com os dedos as vagas vazias deve, sob essa ótica, ser louvado pela geração de emprego – e não condenado pela ineficiência.

Sim: de fato esses profissionais exemplificados acima estão ocupados, tem carteira assinada e conseguem sustentar a família. Mas, no longo prazo, até que ponto garantir a empregabilidade às custas da eficiência faz sentido para um país que queira evoluir?

Veja no exemplo do vídeo abaixo, de uma loja que funciona sem vendedores.

A desvantagem? Sob a ótica do “emprego-ocupação”, quanto menos pessoas envolvidas, pior.

Son a ótica da competitividade, uma empresa assim consegue funcionar melhor, com custos mais enxutos e, portanto, garantir preços melhores para seus consumidores.

Ela consegue também expandir seus negócios – algo que certamente envolverá a contratação, direta ou indireta, de mais profissionais mais especializados – como gestores financeiros, marketeiros, especialistas em logística e tecnólogos.

Em resumo: a aposta em modelos mais eficientes troca meia dúzia de empregos pouco qualificados por um volume muito maior de empregos qualificados, ajudando a levar uma sociedade inteira para um futuro muito, muito melhor.

Chegar nisso que parece, para nós brasileiros, uma utopia, não é assim tão impossível. Esse vídeo, afinal, mostra algo real, concreto e, portanto, aplicável. Esse vídeo mostra também que, enquanto chafurdamos no pensamento de que o futuro depende mais de “empregos-ocupações” do que na maior qualificação da mão de obra, vamos perdendo espaço na cada vez mais dinâmica e competitiva economia global.

Está na hora de mudarmos a nossa mentalidade. Não basta empregar: é necessário qualificar a nossa mão de obra a tal ponto que a mera demanda por empregos que envolvam rotinas braçais sequer encontrem oferta no mercado de trabalho.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fajplusenglish%2Fvideos%2Fvb.407570359384477%2F698445160296994%2F%3Ftype%3D3&show_text=0&width=560

 

 

 

 

 

Um comentário sobre “A desnecessidade de gente

  1. Ótimo ponto. Me lembrou de um história que ouvi sobre o Domenico De Masi (o cara do ócio criativo), que quando veio ao Brasil teria fica espantado em ver um trabalhador cuja função era apertar os botões do elevador.

    Fantástico esse vídeo. Não só pela eficiência, mas também porque que o fato de tudo ser feito pelo app é um sonho pro empreendedor, já que ele tem métricas pra quase tudo (horários de maior movimento, produtos mais sondados etc.)

    Curtido por 1 pessoa

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