O outro lado: os 5 passos de Dilma rumo ao Impeachment

No post de ontem, comentei aqui sobre a estratégia que Temer vem articulando (com óbvio sucesso) para chegar ao poder.

Vale também analisar o outro lado.

No caso da Presidente Dilma, no entanto, a análise não precisa ser tão racional. Ao contrário: basta conferir o vídeo abaixo, do primeiro pronunciamento feito por ela depois do congresso autorizar o encaminhamento do pedido de impeachment.

Pontos importantes a se observar:

1. Isolamento: Em todos os pronunciamentos – este sendo apenas mais um exemplo – ela aparece isolada. Em alguns casos ela aparece apenas acompanhada de um punhado de ministros – sempre os mesmos – que buscam aparentar algum tipo de amparo.

2. Vitimização: Desde que o impeachment começou a tomar corpo e passou a integrar o discurso petista, Dilma sempre se colocou como vítima. Vítimas podem até ganhar a simpatia do público – mas, em crises graves como a que estamos, esse mesmo público costuma preferir apoiar alguém com ares de vencedor (e não de perdedor).

3. Repetição de argumentos periféricos, auto-ataque: Quando se é acusado por algo, o único caminho é confrontar a acusação com fatos que comprovem a inocência. Em quase todos os discursos, a presidente ataca seus opositores, culpa o planeta inteiro pela crise e até repete que não cometeu crime uma vez que outros governantes fizeram o mesmo e saíram impunes. A saída para ela aqui é difícil pelo simples fato de que ela cometeu um crime, ao menos de acordo com o texto da constituição brasileira. Só que, ao evocar o argumento de que “se outros erraram, também posso errar”, ela acaba adotando uma estranhíssima estratégia de defesa que começa pelo auto-ataque.

4. Desconsideração com o outro lado: O problema de repetir xingamentos e acusações a opositores poderosos – principalmente quando se tem a população majoritariamente contrária a si – é que se ignora que não há um monopólio da mídia. Basta a presidente tecer um argumento mais estomacal que juristas e cidadãos aparecem, com igual poder de mídia, para responder de maneira mais racional.

5. Falta de articulação verbal: Não saber se comunicar é como uma doença autoimune para quem está na política. Nem preciso falar muito aqui: basta ver o vídeo abaixo para entender o quão difícil é para alguém com tão pouca capacidade de articular palavras conseguir se defender de um processo público dessa magnitude.

E esses são apenas alguns dos argumentos. Não dá para dizer que vencer uma guerra pelo poder de uma presidente em exercício, com toda a força que a caneta executiva a outorga, seja algo fácil. Mas para políticos mais experientes, dá sim para dizer que, de todos os presidentes que o país já teve, Dilma provavelmente foi o alvo mais fácil.

Não se ganha, afinal, apenas colecionando vitórias; é preciso contar com a capacidade do adversário de errar, impondo derrotas a si mesmo.

 

 

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