Os caminhos binários para uma nova ordem social

Para quem gosta de estratégia, analisar a crise política brasileira é um prato cheio. Primeiro, pelo espectro: estamos falando de um país de 200 milhões de habitantes como palco de uma guerra política.

Segundo, pela facilidade de análise de resultados: no momento em que estamos, todo o destino do país depende de uma saída “binária”: ou há ou não há impeachment. Claro: todo um mundo de coisas pode se desenrolar a partir de cada hipótese – mas tudo depende de qual dos dois caminhos tomaremos nos próximos dias.

E aí chegamos à questão do julgamento político.

O grupo pro-impeachment precisa de 342 votos de uma câmara com 513 deputados. O grupo governista precisa de 171 votos ou abstenções.

E o que determinará a escolha de um caminho ou outro? Excluindo as questões mais ideológicas e partidárias (como posições óbvias dos principais partidos antagônicos, PT e PSDB), o voto dos indecisos.

E esse voto depende de se pesar, essencialmente e a grossíssimo modo, dois fatores: dinheiro versus pressão popular.

Não é exatamente segredo para ninguém que o governo está tentando comprar, com cargos, dinheiro e promessas, todo o apoio que precisa para escapar da deposição.

Por outro lado, também não é segredo que o principal opositor do governo não é a oposição política, também antagonizada pela população descontente: é a enorme pressão popular. Os deputados que que migrarem para o grupo pro-impeachment, portanto, provavelmente o estarão fazendo por medo de perderem a elegibilidade futura.

Quais são, portanto, os motores que determinarão a nova ordem da política brasileira?

  1. A aposta em ganhos fisiológicos de curto prazo, confirmando, portanto, que pelo menos por mais algum tempo a mesma maneira de fazer política perdurará
  2. O temor da pressão popular, abrindo uma possibilidade de mudança na maneira de se fazer política no Brasil (que, ainda assim, certamente não será fácil)

Antes que me acusem de ingenuidade, é óbvio que certamente há negociações bem pouco ideológicas, para colocar de maneira eufêmica, rolando no grupo pro-impeachment. Mas é também óbvio que, quando o objetivo é extorquir alguém, as chances de sucesso tendem a ser maiores quando a “vítima” está mais enfraquecida.

Seja em qual for o caso, a onda de migrações pro e contra impeachment tem sido mapeada diariamente pelo Estadão e pelo VemPraRua. A cada nova notícia na imprensa, a cada novo pico de manifestações e a cada nova oferta de cargos, há mudanças no fluxo que determinará o resultado final dos indecisos.

Estamos no curiosíssimo lugar de protagonistas que conseguem acompanhar, em tempo real, o processo de decisão dos seus próprios destinos. Para quem não conhece, vale acessar o http://mapa.vemprarua.net.

Pelo menos até o final desse processo que nos redefinirá enquanto país.

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