Percepção vs. Realidade

Quando você olha a seu redor, tem a sensação de que o mundo está piorando ou melhorando? Em geral, a maior parte das pessoas tende a acreditar em um futuro mais sombrio do que ele realmente deve ser. E não é preciso traçar um raciocínio tão sofisticado assim para se chegar a essa conclusão: há pouco mais de 200 anos, seria difícil visitar Paris sem se deparar com cabeças guilhotinadas exibidas em postes ao longo do Sena; some poucos séculos a mais e você estará em um passado com a Igreja queimando pessoas vivas em praça pública, com estupros sendo largamente aceito (uma vez que mulheres eram meros pertences dos homens) e assim por diante. O mundo já foi muito, muito pior.

E, se embora algumas dessas atrocidades continuem acontecendo em lugares como a região entre o Iraque e a Síria, dominado pelo Estado Islâmico, elas estão nitidamente distantes da “normalidade social global”.

Ou seja: o mundo não está ficando pior. Ao contrário: ele está ficando cada vez melhor e a ritmos galopantes.

O problema é que a nossa percepção é muito mais pessimista do que otimista. A explicação para isso talvez esteja na genética: para sobreviver, a raça humano precisou ter o pior cenário sempre em mente – algo fundamental para se proteger de ataques de animais selvagens ou de tribos rivais. O problema é que acabamos vítimas desse pessimismo, desenvolvendo uma projeção invariavelmente sombria de futuro mesmo quando tudo aponta para o lado oposto.

Para ficar mais próximos da nossa realidade: é muito provável que a corrupção no Brasil, hoje, esteja proporcionalmente em níveis muito menores do que na época do Império. Mas – embora não haja estudos comparativos – certamente se acredita que nunca antes na história deste país a corrupção foi tamanha.

Agora considere o seguinte: o que move as nossas ações, o que gera protestos, o que ergue e destitui governos, o que faz com que empresas surjam e morram, não é a realidade: é a percepção popular.

E isso, por si só, cria quase que um universo paralelo onde o que se vê não é o que se é.

Do ponto de vista prático, a percepção é a realidade.

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