O vácuo

Depois da liberação dos áudios do Lula e de se escancarar, publicamente, todas as tentativas de cooptação, corrupção, tráfico de influência e toda uma sorte de crimes que fazem House of Cards parecer Peppa Pig, o caos político no Brasil entrou na sua fase mais crítica até o momento. 

Em Brasília, já de imediato partidos governistas começaram a abandonar o barco, preocupados com as suas próprias elegibilidades futuras. Quem quer se amarrar ao mastro do Titanic, afinal, quando ainda há botes salva-vidas à disposição? 

Com toda a convulsão causada, parece difícil que o governo do PT consiga dar algum tipo de guinada: não há dinheiro para comprar os apoios necessários, seguindo a receita do Mensalão e do Petrolão, não há credibilidade e há uma repugnação popular como provavelmente se viu apenas nos tempos do Brasil colônia. 

Ainda assim, o governo parece resistir, insistindo em uma teimosia que dificilmente dará em algo. Esse é o fato inusitado, o tipo de surpresa que tende a acontecer em situações de caos como a que estamos vivendo.

Por muito menos, afinal, Nixon renunciou nos EUA, há décadas, e outros tantos políticos mundo afora deixaram seu cargo à disposição. 

Parece difícil que o governo resista ao impeachment – mas é também improvável que o impeachment aconteça em menos de 30, 45 dias. 

E esse tempo é longo. É o tempo do vácuo. 

Por 30 ou 45 dias, no mínimo, o Brasil conviverá com o período mais intenso de absoluta falta de governo, como um barco navegando a ermo, levado pela força das marés e dos ventos que, infelizmente, convulsionam nervosamente. 

Tudo deve se desequilibrar: o dólar deve subir, as bolsas devem cair, o comércio deve ficar estagnado e os investimentos, congelados. Vácuo é assim. 

O lado positivo é que, por mais que todos tenhamos que apertar os cintos e nos segurar para não sermos levados pela tempestade, vácuos não duram para sempre. Ao contrário: eles são de uma instabilidade tamanha que tendem a passar logo, instaurando algum tipo de solução que, por sua vez, tende a ser minimamente inovadora ou criativa para apaziguar a ira popular e articular as forças políticas rumo a algum tipo de estabilidade que, claro, é desejada por todos. 

Aguardemos, ansiosos, as cenas dos próximos capítulos – destacando o nome que acabará surgindo como liderança no longo prazo e as tantas mudanças institucionais que devem sustentar o futuro.

Em tempo: testemunhar essa revolução é, para dizer o mínimo, adrenalinadamente empolgante.

   

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