Devemos ter esperança quanto ao futuro do Brasil?

Se olharmos o noticiário político, a desesperança de um dia ter o país mudado é grande. Imensa. 

Mas devemos ir além das análises estomacais. Aliás, sempre que qualquer tipo de previsão de futuro é necessária, basta olhar o passado. 

Já falei em posts passados sobre a Revolução Francesa. Hoje, quem anda pelas ruas de Paris dificilmente consegue imaginar as tantas cabeças expostas nos postes ao longo da Notre-Damme ou vislumbrar a situação de fome que abatia a vasta maioria da população. Hoje, a França é um dos mais desenvolvidos países do mundo.

A Revolução Americana também entra nessa análise: quebrar as correntes entre colônia e metrópole foi essencial para que nossos irmãos norte-americanos conseguissem se posicionar como principal potência mundial. 

Mesmo nós, aqui no Brasil, que ficamos independentes de Portugal quase que inaugurando o conceito de “jeitinho brasileiro”, certamente evoluímos muito desde então. 

Revoluções só acontecem quando a instabilidade – o caos – é exageradamente grande. Revoluções nascem de um volume tão generalizado de inquietação que se prefere contrariar a “lei do menor esforço” e sacudir estruturas e crenças com toda a veemência que pode ser carregada nas veias.  

Nós estamos em plena revolução, por mais que insistamos em acreditar que são apenas manifestações e protestos. Puxados por um judiciário que raras vezes funcionou, estamos questionando e prendendo, um a um, os principais líderes políticos. Estamos deixando claro que a maneira com que o país era administrado não cabe mais. Não estamos pintando as nossas ruas com o sangue das revoluções de outros tempos – mas isso é porque estamos em outros tempos.

Só que revoluções não são pontes entre um passado indesejado e um futuro almejado: por mais que imagens utópicas sejam sempre invocadas nos discursos mais inflamados, elas não passam de pura utopia. Revoluções são justamente o oposto: a quebra total das pontes existentes, a destruição de ordens estabelecidas sem que haja construções de novos modelos. 

Sim, elas são fundamentais para que se mude cenários indesejados – mas não são o fim em si mesmas. Com o tempo, as revoluções viram o problema ao impedir que as sociedades em que se instauraram virem a página da história e caminhem para a frente. Com o tempo, o clamor por mudança se transforma no desejo pela ordem.

O que faz essa mudança acontecer? A instauração efetiva de algum novo modelo de gestão que funcione aos olhos de um público cansado da guerra. Reforço o conceito-chave aqui: um modelo que funcione – obviamente mais que o anterior. 

E, partindo do princípio de que uma revolução só termina depois que essa nova ordem é “aceita” pelos cidadãos – e que não temos como viver em estado revolucionário por toda a eternidade – há motivos para sermos otimistas. 

A França do século XVIII virou a França que iluminou o mundo já no século seguinte. A colônia inglesa disforme, perdida pela América do Norte, se transformou em uma das maiores potências mundiais em poucas décadas. Mundo afora, as sociedades evoluíram dramaticamente, sempre embaladas por revoluções.

Pode ser que leve algum tempo e que ainda não tenhamos uma linha de chegada em vista, mas certamente o Brasil sairá dessa revolução muito, muito melhor do que entrou. 

  

 

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