O caos, a Revolução Brasileira e o nosso incerto futuro certo

Ante de qualquer coisa: perdoem o post longo. Este, no entanto, se faz necessário. 

A crise e o caos

Com uma avalanche de acusações e denúncias escalando a imagem criminosa da elite política brasileira com a mesma intensidade que a crise chafurda a população na desesperança, o inevitável acontece: o caos. 

E caos, aqui, pode ser interpretado como um conjunto disforme de forças atuando com plena energia para todos os lados diferentes. Há opiniões se radicalizando, cidadãos buscando alternativas de vida em outros países, desemprego levando profissionais a atos de desespero – seja abrindo suas próprias empresas ou tirando as suas vidas – e divergências assustadoras sobre uma visão de futuro para o país. Aliás, eu arriscaria dizer que as visões de futuro vão até um extremo curto prazo. Como será o Brasil em 2020? Ninguém palpita.

Isso não é novidade no mundo, claro. Já houve momentos, inclusive muito mais sangrentos, em que esse caos sócio-político-econômico gerou verdadeiras revoluções pela história da humanidade. Ou se imagina que a Revolução Francesa teria ocorrido se o então símbolo máximo da monarquia estivesse garantindo prosperidade plena a seus cidadãos? 

Crises costumam sempre ter uma causa – dinheiro – que pode ser traduzida de maneiras diferentes (impostos excessivos, enriquecimentos descaradamente ilícitos, concentrações de riqueza exageradas, equívocos em políticas econômicas que acabem gerando um desbalanceamento generalizado na máquina e assim por diante). Até aí, elas não são novidade em nenhum lugar. Mas a própria economia tem esse teimoso hábito de se auto-ajustar garantindo uma estabilidade macro, em grande parte por conta dos esforços da iniciativa privada que, afinal, enxerga nas crises oportunidades claras de inovação – e na inovação generalizada, um novo gás para a retomada de crescimento.

O que ocorre é que, quando todos esses fatores explodem simultaneamente, a situação acaba ficando insustentável. É o que está acontecendo conosco. 

No Brasil, anos de decisões econômicas equivocadas nos catapultaram para a pior recessão da história; a recessão acabou jogando milhões de cidadãos de volta para a pobreza; e o escancaramento da corrupção nos mais altos níveis políticos e empresariais salpicou ódio em todas as camadas da população. 

O resultado: de um lado, o governo está isolado, só, sem margem de manobra. Quem fica eternamente fiel ao lado de alguém publicamente considerado como o responsável por todos os desastres dos últimos anos, afinal? Na outra ponta – ponta que cresce a cada dia – hordas de políticos sem ideologia alguma buscam se colar às massas que clamam por mudança. Aliás, o caos é tamanho que o poder até então mais distante do público – o judiciário, conhecido por ser lento, plutocrático e burocrático – está mais próximo dos cidadãos do que em qualquer outro período da história brasileira.

O que deve acontecer? 
O futuro e um tipo moderno de revolução

A esta altura, instabilidade é tamanha que considerar que Dilma permanecerá no cargo até 2018 chega a ser ingênuo. Abandonada, seu destino certamente será o ostracismo breve ou as grades da Papuda uma vez que, legalmente, ela tem responsabilidade por muitos dos escândalos que impulsionaram sua carreira desde que foi presidente do conselho da Petrobrás. E, se seu cargo de líder do executivo a garantiu imunidade e apoio político até então, dificilmente sua deposição não virá com o distanciamento completo dos então aliados que desejarem se manter politicamente vivos neste jogo que nunca termina. 

A queda da presidente parece inevitável a este ponto. A questão é: o que virá depois?

Aos modos do século XXI, o Brasil está diante de uma revolução. É uma revolução que, sem dúvidas, ocorrerá sem guilhotinas, sem mudanças abruptas e dentro da constitucionalidade – mas ainda assim uma revolução. 

E, como toda a revolução, ela tem data de início – mas não de término. 

Vejamos: em primeiro lugar, haverá a queda da elite governante. Queda retumbante, já cantada, esfacelando junto um partido que por décadas simbolizou a “luta pelo povo”. 

Uma nova elite política assumirá – mas a questão é que ela não é tão nova assim. Ou alguém sério considera que o vice-presidente e o seu partido, o PMDB, tem algum tipo de blindagem ética maior que o PT? Há uma troca de ideologia por pragmatismo – mas, tanto em um lado quanto em outro, os beneficiários exclusivos são sempre os mesmos.

É provável que, em um primeiro momento, Temer consiga alguma margem de manobra para retomar a economia e articular mudanças importantes para o país. Ainda assim, será necessário a ele uma habilidade política inimaginável para se manter no poder frente a uma crise que ainda se arrastará por muito tempo e a uma população já exausta da maneira atual de se fazer política. 

Fazendo uma comparação simples: durante a Revolução Francesa, Danton assumiu um posto de imenso prestígio representando “o povo” – mas acabou guilhotinado, vítima, em grande parte, da sua própria arrogância e embriaguez pelo poder. Com isso, outra figura, Robespierre alçou-se a uma posição de liderança inconteste. Sabe quanto tempo durou? 3 meses. Depois disso, ele também acabou guilhotinado.

Os tempos, claro, são outros. Não se espera que Temer perca a cabeça – mas há outras formas de se cair. 

E se Temer cair, seja por uma deposição formal ou pelo pleito de 2018, considerando que chegue até lá e que lance-se como candidato? Quem assume? Aécio Neves, segundo colocado em 2014 e que já está coberto de suspeitas de corrupção? 

Sobra alguém no panorama político brasileiro que tenha a competência técnica para se tocar um país e a lisura moral para ganhar o apoio público? 

Hoje, não – e esse talvez seja o maior risco da revolução brasileira que está em curso. 

Mas líderes, às vezes, são como ideias inovadoras: surgem de onde menos se espera. 

Também foi assim na França do século XVIII: quem, no final das contas, acabou surgindo do nada e pondo um fim ao clima de caos, pelo bem ou pelo mal, foi Napoleão Bonaparte.

Neste momento, o que se sabe é que estamos no centro do mais completo caos social – e que sair dele incluirá ainda muito sangue de muito político. 

É mais do que óbvio que, dado tudo o que está acontecendo, um Brasil diferente deve sair desse caos. Mas países, assim como empresas, precisam de líderes respeitados pelos seus seguidores e que saibam o que estão fazendo. 

Que achemos o nosso logo.

  

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