O princípio da anti-especificidade

Sempre acreditei que inovação é um resultado direto da não especialização.

Quer gerar algo disruptivo, algo que sacuda os alicerces do pensamento humano? Busque inspiração em alguma outra área que não a que seja o alvo da inovação. A minha tese – e confesso que ela encontra respaldo apenas no empirismo e na observação não documentada – é que o excesso de estudo sobre um único tema acaba gerando mais vícios do que perspectivas e, portanto, induzindo o estudante a acreditar que tudo o que poderia ter sido criado já o foi.

Henry Ford começou a sua vida como fazendeiro, tendo atuado como contador e maquinista. Onde ele achou inspiração para inventar a linha de montagem de automóveis? Provavelmente em todos os lugares simultaneamente.

Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, não chegou a se formar em nada: desinteressado no academicismo tradicional, ele largou a faculdade e se dedicou a “brincar” com tecnologias até criar coisas como, por exemplo, o DOS.

Gandhi não estudou filosofia – era advogado. No entanto, ele revolucionou o pensamento da humanidade com o conceito da Satyagraha a partir de suas experiências na luta pela igualdade racial na África do Sul, onde viveu por longos anos.

Casos assim não faltam. E sim: é claro que há temas que demandam um conhecimento mais específico para poderem ser trabalhados. Einstein dificilmente teria desenvolvido a teoria da relatividade se não dominasse, como físico, o que se conhecia das leis do universo. Mas mesmo ele e seu avantajado cérebro em muito lucraram ao explorar a fundo assuntos diversos. Apenas para ficar em alguns exemplos: Einstein era um socialista convicto, acreditava no mesmo “Deus panteísta” de Spinoza e era um violinista apaixonado por Mozart. Política, religião e artes, portanto, eram áreas que um dos nossos principais gênios trafegava com intimidade. Teria ele desvendado tantas leis do universo se tivesse se concentrado, por toda a vida, única e exclusivamente na física? Talvez seja impossível responder a esta pergunta – mas arrisco-me a afirmar, com a mais psicótica das certezas, que não.

Se você vasculhar todos os gênios inovadores que mudaram o mundo – dos caesares e faraós aos profetas, artistas, cientistas e empresários – verá que todos tem um ponto em comum: suas histórias de vida passaram longe da ultra-especialização. Todos estudaram, claro, o tema que gerava neles mais paixão – mas nenhum deles deixou de perambular por outros campos intelectuais, bebendo conhecimento e formando repertório a partir da filosofia, de viagens, de antropologia, da música e assim por diante.

Nessa linha de raciocínio, viver em plena Era da Informação nos dá uma vantagem absurda em relação aos nossos antepassados. Nunca, afinal, tanto conhecimento foi tão acessível a tantas pessoas.

O resultado é uma previsão que faço aqui, novamente sem nenhum medo de errar: as gerações cada vez mais multitasking e generalistas que estamos produzindo presentearão a humanidade com levas de gênios tão poderosas que nós, que aqui estamos agora, pareceremos verdadeiros neandertais.

 

 

Generalismo, afinal, gera o caos informacional; e o caos, por sua vez, é a principal força por trás da inovação.

Teremos um futuro empolgante pela frente.

b2ST51XZ

 

Um comentário sobre “O princípio da anti-especificidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s