O Clube de Autores e a  globalização como ferramenta de localização

Sabe qual a melhor vantagem da globalização? Ela nos permite enxergar como outros povos do mundo resolveram problemas semelhantes aos nossos. Ou seja: ela nos entrega inspiração em seu sentido mais cru, mais vivo, mais útil.

Isso é oposto ao senso comum, diga-se de passagem: globalização acaba sendo interpretada como a possibilidade de se vender produtos ou serviços para outros países. Não que isso não seja uma inegável vantagem da interconectividade, claro – mas nunca devemos nos esquecer de que, onde quer que estejamos, sempre será mais fácil alcançar os nossos próprios vizinhos que também sempre terão os seus próprios problemas.

Aprendi muito disso com o Clube de Autores. A ideia nasceu de um problema pessoal expandido em uma realidade cultural: a dificuldade para autores publicarem seus próprios livros, tanto no formato digital quanto no impresso, sem precisar pagar tanto. O modelo de um site de autopublicação gratuito vinculado a um conceito de impressão sob demanda nasceu daí – mas se sofisticou bastante depois que consegui mergulhar nas formas com que o restante do mundo lidava com isso.

Descobri, por exemplo, grupos gráficos gigantes que conseguiram oferecer algo semelhante nos Estados Unidos – mas cujas estruturas de custo acabaram tão infladas que elas acabaram se tornando reféns do próprio porte. Aprendi que dificilmente se consegue ter a agilidade que um mercado dinâmico requer nutrindo uma estrutura própria e fatalmente fadada à obesidade mórbida.

Descobri que escritores sabem se virar bem, que não precisam de figuras paternalistas o tempo todo indicando os caminhos – mas que marketplaces de soluções práticas poderiam resolver mais facilmente muitos dos seus problemas. Disso, aliás, todo um outro negócio, o www.profissionaisdolivro.com.br , acabou nascendo.

Descobri há muita gente se focando em produtos e pouca se focando em relacionamento. Aprendi que a chave está no segundo.

Descobri que os grandes negócios acabam tão arrogantes por serem grandes que nutrem, inconscientemente, o ódio do público que eles mais deveriam ter próximo.

E, no final das contas, acabei moldando o meu negócio com uma receita incluindo 20% de ideia própria, 30% de experiências bem sucedidas de iniciativas semelhantes mundo afora e 50% de estratégias desastrosas de empresas no Brasil, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Espanha etc.

Hoje, o Clube de Autores tem atuação essencialmente no Brasil – mas dificilmente existiria se não fosse a interconectividade global. E, aqui, está bem: apenas para citar um indicador, é para o Clube que 10% de todos os livros nacionais anualmente publicados se destinam.

Sem dúvidas, em algum ponto do futuro será o momento de explorar o outro lado da globalização: mas ainda há muito o que se fazer por essas bandas daqui que o mundo lá fora pode nos ensinar.

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