Inflação, desemprego e um gráfico muito louco

Veja o gráfico abaixo:

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Ele foi tirado do site Nexo e tem como principal benefício nos permitir enxergar a relação entre inflação e desemprego por uma ótica mais… digamos… tridimensional.

Comecemos pelo final do segundo governo FHC: no instante em que o mercado entendeu como possível a vitória de Lula, uma crise de confiança instantânea se consolidou e a inflação saltou de 8 para 14%. Perceba que se tratava de algo muito mais especulativo: o desemprego em si acabou até caindo no período.

Lula, por sua vez, levou um ano para fazer o mercado entender que ele não seria um louco esquerdista fanático a la Chavez e fechou seu primeiro ano de governo com uma inflação de volta o controle (embora com um desemprego levemente maior).

A partir daí houve uma crise mundial concreta, mas que acabou sendo superada por uma política de expansão de crédito/ incentivo à produção e beneficiada por todo um conjunto de fatores externos.

O problema foi que grande parte desse crescimento dependia de fatores demais para continuar funcionando bem. Quando Dilma assumiu, o cenário já era outro – mas ela continuou reforçando medidas de incentivo à produção, desonerações e manutenção artificial de preços administrados (como conta de luz e preço da gasolina).

Em um determinado momento, essa gestão artificial essencialmente populista tinha que mostrar os seus efeitos – o que aconteceu de maneira acentuada no instante em que ela venceu as eleições para o segundo mandato.

No espaço de 1 único ano, o Brasil regrediu 12 anos em relação à inflação e 6 em relação ao desemprego – com uma infeliz tendência de piora para 2016.

Gráficos assim nos ensinam lições importantes:

  1. Cada tempo é um contexto em si próprio e, portanto, pede métodos diferentes de gestão – seja para governos ou para empresas
  2. Também para governos ou empresas, usar mecanismos artificiais pode maquiar a realidade por algum tempo – mas não a muda. Eventualmente a verdade acaba aparecendo e o custo de evitar enxergá-la a tempo é alto.
  3. Não há fórmulas mágicas. Quando o cenário permitir e o clima estiver positivo, vale se aproveitar de cada instante; quando ele estiver ruim, o ideal mesmo é segurar as pontas, economizar e ser absolutamente ortodoxo.

Reforço: gráficos diferentes nos ajudam a entender melhor os erros do passado – algo essencial  se quisermos evitar repeti-los no futuro.

 

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