Estamos nos transformando em bois

Era plausível considerar que, na medida em que mais informação fosse ficando disponível para todos, a nossa coletividade desenvolveria um senso histórico muito mais apurado. Ou, colocando em outros termos, que a Era da Informação por si só fosse um gatilho para que o nosso passado ganhasse uma importância analítica cada vez maior. 

E sim: de fato, há mais informação disponível sobre nosso passado e nossa História do que em qualquer outro tempo. Por outro lado, é também seguro afirmar que, ao menos em termos proporcionais, revisitar esse passado nunca foi tão irrelevante. 

A informação disponível ao alcance dos nossos dedos é tamanha que, hoje, passa-se muito mais tempo buscando o presente. Por presente, entenda o exato segundo que compõe o agora, praticamente sem margem temporal de erro. 

O Google fez uma pesquisa recente, cujo resumo está na imagem abaixo, que reforça essa tese. Simplificando: a imensa maioria das pessoas tem seu interesse por informação intimamente vinculado ao contexto em que estiverem, no local em que estiverem e relacionado a ações que puderem fazer. 

Deseja-se pensar menos e fazer mais – conceito que leva o impulso a níveis nunca antes vistos. 

Do ponto de vista antropológico, isso também significa que estamos nos transformando em uma espécie muito menos evoluída e capaz de raciocínios elaborados, sofisticados. 

Sabe quem mais pensa no agora instantâneo, no local em que estiver e focando alguma tomada imediata de decisão? Qualquer outro animal irracional que ronda o nosso planeta. 

Bois, por exemplo. 

Bois pensam em capim apenas quando estão com fome; pensam em mastigar apenas quando enxergam o capim; e ignoram qualquer passado ou futuro que fique a minutos de distância de onde estiverem. 

Sabe quem mais ganha com isso? 

Os vaqueiros que ordenam as boiadas e definem os destinos dos animais. 

O lado mais nefasto da Era da Informação que, até hoje, poucos dedicaram mais que alguns segundos teorizando? A facilidade com que toda a humanidade pode ser conduzida por uma meia dúzia de pessoas que se prestarem à antiga tarefa de raciocinar.

  

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