Como transformar humanos em robôs: o MIT e o controle das memórias

OK: uma simples estrutura genética pode dizer muito sobre quem somos, mas nem de longe traz uma definição exata de cada pessoa. Essa definição exata e absolutamente individual depende, diretamente, da relação entre cada uma das experiências que acumulamos ao longo de cada segundo de vida. Falei um pouco disso quando o tema era Connecdomes (veja aqui e aqui).

Esse tipo de estrutura garantiria uma certa sobrevida à nossa espécie justamente por ser centrada na necessidade do caos. Afinal, se experiências e memórias são essencialmente individuais – e se são essas experiências e memórias que, em grande parte, ditam as nossas ações e reações, então um elemento de inusitado sempre estaria presente na humanidade.

Exceto, claro, se alguém conseguisse controlar as nossas memórias.

Sim: há todo um universo de filmes de ficção científica pautados pelo controle da mente – e parece que a realidade está se aproximando da arte.

Há duas pesquisas de grande porte sendo feitas no MIT que tem recebido pouca atenção, mas que podem mudar tudo. Por tudo, entenda ABSOLUTAMENTE TUDO, incluindo a nossa própria existência.

A primeira foi uma descoberta, anunciada em 2011, do gene Npas4. Sua função: controlar a formação de memórias. é simples assim: sem esse gene, memórias simplesmente não são formadas em nosso cérebro, causando limitações drásticas na nossa própria habilidade de sobrevivência. O MIT conseguiu “gerar” ratos sem o Npas4, diga-se de passagem.

A segunda pesquisa é mais nova: a descoberta do local exato das memórias. Até pouco tempo, se convencionava que memórias eram mais conceituais do que físicas, dependendo de toda uma rede de conexões. Pois é: aparentemente, elas tem endereço preciso e ficam encodadas em alguns neurônios.

Em um experimento, cientistas deram um choque elétrico em ratos para criar uma memória de medo na região do hippocampus (vide imagem). Em seguida, eles utilizaram iluminação a laser para ativar os neurônios onde a memória estaria armazenada. Adivinha? Imediatamente, os ratos se prostraram em posição de defesa, deixando claro que o medo havia sido ativado com sucesso.

OK… se já se sabe o gene responsável pela formação da memória e o endereço exato em que elas ficam, o que falta?

Controlá-la. Sabe-se o que e o onde, mas não o como.

O próximo passo, portanto, é óbvio: entender como, fisicamente, o cérebro aprende, para se testar a criação mecânica de memórias e forçar uma aprendizagem artificial. Há, claro, um lado bem obscuro nisso tudo: a instituição que conseguir controlar isso terá o domínio da humanidade ao seu alcance. Afinal, da mesma maneira que ela conseguirá criar superhumanos com uma inteligência capaz de aniquilar qualquer tipo de inimigo em praticamente qualquer campo de conhecimento, ela também conseguirá inserir códigos de comportamento e de subordinação em toda a nossa espécie.

E o mais impressionante é que esse tipo de pesquisa está em graus tão avançados que dificilmente poderá ser revertida a essa altura. O que isso significa?

Que talvez a humanidade esteja a um passo de aniquilar o caos que nos torna indivíduos valiosos – e, por consequência, a um passo de gerar uma nova espécie de humanos que certamente nos fará obsoletos.

Parece que o mundo que estamos criando terá pouco espaço para nós mesmos.

optogenetics-neuron

 

 

 

4 comentários sobre “Como transformar humanos em robôs: o MIT e o controle das memórias

  1. Eu acredito que em pouco tempo, alienígenas serão vistos por ai como nós vemos nossos colegas de trabalho todos os dias, mas os alienígenas não virão do espaço, mas sim da terra mesmo, criado por nós mesmos! Muito legal a publicação!

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  2. Republicou isso em S U P R I M A T E Ce comentado:
    Nosso colega Ricardo almeida fala sobre uma evolução que estamos passando, ou estamos nos preparando para passar, eu acredito que em pouco tempo, alienígenas serão vistos por ai como nós vemos nossos colegas de trabalho todos os dias, mas os alienígenas não virão do espaço, mas sim da terra mesmo, criado por nós mesmos!

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    • Mardanio, toda forma de vida gera sofrimento – isso faz parte da essência da competição pela sobrevivência das espécies. Pode-se até argumentar que alguns humanos sentem prazer em gerar sofrimento, o que é verdade.

      Mas, dado que nos transformamos em espécie tão dominante em tão pouco tempo, será que esse “sadismo” não é também um dos ingredientes responsáveis por estarmos tão no topo da cadeia alimentar?

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