Riqueza, capitalismo e educação

Olhe para os mapas abaixo:

   
 
O primeiro reflete o PIB per capita em 1500, plena era dos descobrimentos. Por motivos óbvios, as Américas estavam totalmente fora do planeta. Perceba que apenas os países que dominavam o comércio conseguiam uma posição de prosperidade e protagonismo. No mundo de Cabral e Colombo, a península itálica, o império Otomano, a Grã Bretanha e, claro, a Espanha, eram os grandes motores propulsores da humanidade. Não que todos tivessem uma vida de abundante luxo na época – mas um espanhol médio certamente viva em condições muito superiores às de um francês médio. 

Em todos esses impérios mais prósperos, uma regra básica figurava: investia-se somas impressionantes no que hoje chamamos de pesquisa e desenvolvimento. Seja em novos modelos de naus (como nos casos da Espanha ou Inglaterra) ou em novas rotas para o oriente (como no caso dos turcos), o foco era achar maneiras de se localizar matéria prima (de ouro a especiarias) em um lugar e revender em outro. O foco era investir em minas de novas riquezas.

Agora adiante 510 anos e veja o segundo mapa, ilustrando o PIB percapita em 2010. Nesse período, muita coisa mudou – inclusive ondas de conservadorismo abalando muitos dos protagonistas do passado e que os relegaram a distantes planos secundários. 

A mudança abrupta veio principalmente com a Revolução Industrial, como pode ser visto no gráfico abaixo, permitindo a produção em escala de produtos e a sistematização de processos. O resultado mais importante desse período: mentes passaram a valer mais do que braços uma vez que estes poderiam ser mais facilmente substituídos por máquinas. A consequência disso: ao se investir mais em cérebros, consegue-se mais inovação que, por sua vez, gera mais riqueza. 

  
Olhe novamente para o segundo mapa: Estados Unidos, Japão e quase toda a Europa ficam absolutamente à frente do resto do planeta ao puxar o capitalismo criativo. Olhe à sua frente: de tablets a canecas, a maior parte dos produtos que utiliza podem até ser produzidos na China – mas foram pensados, concebidos e patenteados por alguns dos “países azuis”. 

Olhe para os demais países. Brasil, China e Rússia estão em patamares parecidos, uma medíocre colocação no capitalismo global por conta de uma crença sem embasamento de que o capitalismo faz mal. Faz mesmo? Para quem está à frente dele, dificilmente. 

Reforço um raciocínio simplório: o capitalismo moderno não tem nada a ver com explorar uma classe trabalhadora para que uma aristocracia minoritária possa viver no luxo. Ao contrário: quanto mais capital a “classe trabalhadora” tiver para viver melhor, mais ela consumirá; como o consumo está intimamente ligado a demanda, surge daí mais ofertas de emprego para suprir a demanda, mais competição por mão de obra, mais investimento em educação para qualificar a mão de obra etc. 

Riqueza gera riqueza, como todos os “países azuis” aprenderam. 

E esse ciclo todo tem um nome principal: a educação. Afinal, que outro papel as grandes mentes tem senão o de conseguir observar o caos e estruturar inovações capazes de dominar o mundo?

Sorte a dos países que realmente investem nisso. 

Azar o do Brasil.

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