O mapeamento de Connectomes e a previsão precisa da inteligência individual

Olhe para esta imagem:

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Ela é um exemplo do Connectome, ou rede de conexões neurais feita pelas pessoas com base em suas experiências de vida, que comentei no post de ontem. E sabe o que é mais impressionante? Como o Connectome é absolutamente individual – cada um tem a sua – é possível isolar e interpretar pessoas a partir de uma análise.

Na verdade, é um pouco pior: analisar o Connectome permite se prever a inteligência de uma pessoa. Por inteligência, não estou falando aqui de medir QI: estou falando de coisas bem mais abstratas como a capacidade de raciocínio sobre determinado tema, a propensão a violência, a capacidade de concentração e de solução de problemas cotidianos etc. Ou seja: inteligência mesmo.

O estudo publicado pela Nature (veja aqui) deixa claro que há, de fatos, mentes melhores que outras pela simples maneira com que as suas conexões são estruturadas.

A maneira mais fácil de entender esse modelo é olhando novamente para a imagem deste post. Perceba que, nela, há conexões mais fortes e conexões mais fracas. Para efeito de puro entendimento, considere o cérebro como o seu bíceps. Se você levantasse peso diariamente, certamente seu bíceps seria mais avantajado, forte… certo? Pois é.

Quanto mais fortes as conexões entre diferentes áreas do cérebro, mais desenvolvidas essas conexões ficam. Em um exemplo dado no estudo: uma conexão mais forte entre os lobos frontal e parietal indica uma inteligência mais sofisticada uma vez que essas duas áreas do cérebro são responsáveis por atividades mentais de altíssimo nível.

E para que serviria tudo isso? Simples: em um futuro hipotético, escolas poderiam usar uma análise de Connectome para colocar os seus alunos em ambientes realmente ideais para desenvolver determinadas conexões.

Na outra ponta, empresas poderiam pedir Connectomes  de candidatos a empregos ao invés de currículos para decidir quem é mesmo ideal para ela.

Sim: há toda uma leva de questionamentos éticos envolvendo privacidade aqui. Na medida em que a ciência avança, aliás, os grandes paradigmas da humanidade tendem a ser mais éticos do que técnicos.

Mas o fato é que há a possibilidade real, concreta, de prevermos a inteligência de indivíduos. Que podemos utilizar essa informação das mais diversas maneiras, para o bem ou para o mal, isso é claro. Se queremos mesmo, como sociedade, invadir os cérebros de todos os indivíduos, isso é outro questionamento.

Um comentário sobre “O mapeamento de Connectomes e a previsão precisa da inteligência individual

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