Sobe-se impostos, perde-se receita: eis a Curva de Laffer

Crises de proporções graves como a do Brasil tendem a ser resultado de uma gestão política sofrível. Não estou partidarizando o post, mas acompanhe o raciocínio: com inflação em alta, o governo tende a elevar a taxa de juros; com juros altos, o crédito fica escasso e diminui investimentos; com menos investimentos, cresce o desemprego; com mais desemprego, cai a arrecadação do governo e a capacidade de investimento.

Entra-se em um ciclo vicioso severo, impulsionado justamente pela incapacidade de se raciocinar e de se estruturar um raciocínio de mais longo prazo. E digo isso porque a receita para se sair da crise acaba sendo sempre a mesma: aumentar impostos. Com mais impostos, sobretaxando-se a população até o limite do plausível, o governo espera manter alguma capacidade de investimento para que consiga atravessar a crise.

Mas e se a carga tributária já estiver em seu limite? Até que ponto essa solução é, mesmo, uma solução?

Nesse sentido, há uma teoria econômica chamada de Curva de Laffer que determina um certo ponto máximo até onde se possa aumentar impostos: a partir dele, a arrecadação cai. Esse estudo foi complementado com outro, de Romer & Romer, que indicou esse percentual máximo em 33%.

O que acontece depois disso? Empresas saem para outros países mais atrativos, emigrações começam a ser detectadas, informalidade cresce. Parece familiar?

Pois é: a carga tributária do Brasil está em 35,7%. E, enquanto o governo discute a utopia (para eles) de aumentá-la ainda mais, o caos econômico só cresce. É em momentos assim que uma inovação política, qualquer que seja ela, passa a ser extremamente bem vinda.

Veja o vídeo abaixo para entender a Curva de Laffer em detalhes:

4 comentários sobre “Sobe-se impostos, perde-se receita: eis a Curva de Laffer

    • Não é questão de imparcialidade. É questão de olhar números e aplicar um mínimo de raciocínio lógico para entender que governos, de quaisquer que sejam os partidos, que se focam em aumentar impostos exacerbadamente sem sequer tentar cortar custos, só levam para o desastre.

      Não enxergar isso é buscar, conscientemente, a ignorância, na vã esperança de que uma crise se “autoresolva” usando a mesma receita que a fez surgir.

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  1. Não acredito que esse ponto de equilíbrio seja 33 por cento. 3 pontos acima do nosso só?
    Acredito num Estado mais enxuto e deixar o dinheiro na mão da população. Menos impostos as empresas venderiam muito mais, contratando mais, investindo mais.

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    • Oi Dener! 3% a mais não é ‘só’: é MUITA coisa! Em teoria, o que você fala faz total sentido – e os estados que cobram menos são mesmo os mais desenvolvidos por deixarem a iniciativa privada mais ‘solta’. Ainda assim, eles arrecadariam mais se cobrassem mais, chegando próximos desses 33% do estudo. Só que – e aqui reside um ponto importante – arrecadar mais dinheiro não é sinônimo de gerar mais desenvolvimento, mesmo porque governos, quaisquer que sejam, são péssimos gestores financeiros. E eles entendem isso.

      É onde entra uma pergunta que dificilmente nossa classe política faria: para que arrecadar tanto assim se isso não é efetivamente necessário?

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