Vivendo no futuro

Olhei o relógio enquanto aguardava um semáforo para poder cruzar e retomar a minha corrida diária: nele vi, estampados, meu ritmo médio, distância percorrida e tempo desde que comecei. Com um clique mudei a tela do visor para um display de mapa mostrando toda a rota que havia feito – algo fundamental, por exemplo, para quem tem o hábito de se perder como eu. 

O iPhone estava preso ao braço e, por meio dele, ouvia um livro qualquer. 

Cheguei em casa: estava sozinho. O tempo curto daria apenas para tomar um banho rápido, engolir qualquer coisa de café da manhã e chamar um Uber para chegar à agência antes da reunião. O trânsito, como de costume, estava infernal – mas nada que o Waze não pudesse dar conta ao indicar rotas alternativas e transformar horas em minutos. 

Quando cheguei, apenas desci do carro: o próprio app do Uber dava conta de pagar o motorista por meio de uma integração direta com meio cartão de crédito.

Começava o dia. 

Há 10, talvez 5 anos, o cotidiano seria totalmente diferente. 

Esportes não eram controlados por aplicativos com acelerômetro, barômetro, cronômetro e bússola. 

Livros não eram narrados a partir de um telefone.

Aplicativos – conceito que mal existia – não conseguiam contar com uma colaboração cruzada de pessoas e satélites para entender, com precisão cirúrgica, a lógica do trânsito paulistano. 

Carros de luxo não eram chamados por celular para desempenhar o papel de taxis, somando mais conforto por preços substancialmente menores.

Andar com dinheiro no bolso era muito, mas muito mais necessário do que hoje.  

Isso pode parecer óbvio mas, ao menos para mim, naquele dia, foi uma espécie de choque: a velocidade com que a tecnologia se apodera dos nossos hábitos cotidianos é muito, muito maior do que a nossa capacidade de entender o que está acontecendo com eles. 

E, se tanta mudança aconteceu em tão pouco tempo, já imaginou como estaremos nos próximos 5 ou 10 anos? Quantas novas empresas, com novas soluções para velhos (ou novos) problemas existirão? Quanta inovação brotará a partir de contextos que, hoje, sequer conseguimos projetar na imaginação? 

Para mim, apenas a certeza de estarmos sempre caminhando rumo a um desconhecido cujo mistério está tão intimamente ligado a melhorias em nossas vidas é absolutamente entusiasmante. 

  

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