O que aprendi na minha primeira semana como nômade digital

Passei a semana retrasada testando um conceito que muito me atraiu: o de nômade digital. Em termos práticos: aproveitei a última semana de férias da minha filha, as férias da minha mulher e, em pleno período útil, rumei para o litoral cearense munido de computador e da certeza de Wi-Fi no paradisíaco Pontal do Maceió, a 140km de Fortaleza. 

De segunda a sexta eu segui uma rotina quase militar: acordava às 5:00 para correr nas dunas e areias inacreditavelmente belas, tomava café da manhã e brincava com minha filha até as 9:30 e, daí até a noite, ficava sentado em um canto perto da recepção trabalhando. Fazia uma pausa no horário do almoço apenas para pegar uma praia e comer alguma lagosta estupidamente barata e só. 

Mas confesso que, embora extremamente viável, esse estilo de vida tem as suas peculiaridades e exige uma certa curva de aprendizado que não deve ser ignorada. Dentre as coisas que aprendi, destaco 5 pontos fundamentais para os quais todos os nômades digitais de primeira viagem devem estar preparados: 

  1. Rotina é essencial. A tentação de largar qualquer tarefa pela metade e se jogar no turismo só é grande quando se deixa dominar por ela. No final, tudo depende de disciplina. 
  2. Seu maior inimigo será você. Estar longe dos colegas de trabalho gera uma ansiedade sem paralelos e você acaba afogando a todos com cobranças e pressão em demasia. A preocupação de estar ausente acaba te deixando mais presente que o necessário.
  3. O rendimento cresce brutalmente. Me organizei na viagem trazendo a mesma média de trabalho que fazia em São Paulo. Resultado: a distância de interrupções cotidianas e de pausas para café me faziam matar tudo em poucas horas. Para me manter ocupado até o final do dia acabei adiantando uma semana inteira de trabalho e ainda pegando alguns jobs imprevistos. 
  4. Lidar com a culpa é muito, muito difícil. Até porque ela vem de todos os lados: desde piadinhas desnecessárias e indiretas bem diretas de colegas de trabalho, que insistem em achar oportunidades para dizer que você está “de férias” (a despeito de testemunharem o mar de entregas que você estiver fazendo no dia-a-dia), até a sua própria mente que não está habituada a mesclar trabalho com paraíso. Há uma disrupção de conceitos aí, algo que precisa ser trabalhado. Para mim, esse foi o maior desafio de todos.
  5. Tudo pega na hora de reuniões. Verdade seja dita, reuniões internas podem ser feitas tranquilamente via Skype ou telefone: serão mais práticas, mais rápidas e muito, muito mais eficientes. Mas há as reuniões com clientes da empresa: essas ainda precisam, em grande parte, ser presenciais. Foi o único ponto mais delicado e ainda sem solução que encontrei.

Hoje, claro, estou de volta a São Paulo trabalhando como fazia no passado – responsabilidades que incluem a educação de uma criança, que sempre será minha prioridade, me impedem de largar tudo. Mas, se tem uma coisa que ficou clara para mim, é que posso tranquilamente trabalhar de qualquer canto do planeta desde que consiga organizar a vida por lá (onde quer que seja o “lá”). 

Só essa sensação já é, ao mesmo tempo, um alívio e um temor. Alívio pela constatação da viabilidade; e temor pela dúvida de eu já ter cruzado uma fronteira sem volta, de estar já irremediavelmente contaminado pela vontade de mudar meu escritório da Alameda Campinas, no coração de São Paulo, para o mundo. 

(Afinal, essa vista que eu tive da minha “janela” decididamente não é de se jogar fora)

  

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