A bike como símbolo de uma mudança de estilo social

Se você já visitou cidades como Amsterdam, entende bem o que é uma malha urbana dominada por meios alternativos de transporte como a bicicleta. A capital holandesa, aliás, é uma espécie de caos de transporte de tal maneira que um desavisado corre o risco de ser atropelado por um trem de superfície, um carro, um ônibus e uma bike – simultaneamente. 

Ainda assim, parece que esse caos “à la Índia” de meios de transporte, permitindo opções a um público crescentemente irritado com automóveis, está cada vez mais se tornando parte da realidade. A maneira de entender isso não é tomando pequenas cidades européias como base, mas sim malhas urbanas descomunalmente maiores – como, por exemplo, São Paulo. 

Diferente da minúscula Amsterdam, Sampa é uma das maiores metrópoles do mundo, com quase 20 milhões de habitantes espalhados pela sua selva de concreto. Tem motoristas mal educadas, policiamento frágil, trânsito caótico e um terreno acidentado como poucos. Tudo na cidade apontaria para uma impossibilidade de se adotar bikes como meios concretos de transporte. Certo? 

Errado. 

Aparentemente, o caos cotidiano é tão maior do que tudo isso que a força de vontade em se mudar de estilo de vida, por assim dizer, ultrapassa e desafia qualquer questão de ordem prática. 

A crescente adoção de bikes em cidades como a capital paulista, aliás, é uma aula de como essa força de hábito coletiva – ou zeitgeist – pode ser forte.

Veja alguns fatos simples: 

  • A cada 2 dias, um ciclista morre em São Paulo
  • Em 2013, 3.200 ciclistas foram internados com ferimentos
  • Não há estatísticas sobre roubo de bicicletas no Brasil – o tópico em si simplesmente não é considerado como prioridade pela polícia ao ponto de ser mensurado. Mas dá para estimar que não seja baixo. 

Ainda assim, com tanta coisa contra, há dezenas de lojas especializadas em bikes abrindo em cada esquina, na mesma velocidade em que novas ciclovias são inauguradas. 

A força dessa mudança foi tamanha que, recentemente, até o Google Maps passou a exibir a opção de rota em seu aplicativo usando bicicleta como meio de transporte – o que o faz optar por terrenos mais planos e ciclovias/ ciclofaixas ao longo do caminho. 

  
A vida urbana, tal qual aprendemos a vivenciá-la, chegou a um nível caótico tamanho que acabou decretando o seu próprio fim. 

Ainda bem. 

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