3 indícios de que sairemos da crise pior do que entramos

Se tem uma coisa que os noticiários tem deixado claro é que a crise na qual o Brasil se chafurdou está longe de terminar. Com alguma margem de segurança, aliás, palpito que ela esteja apenas começando. 

Enquanto demissões em massa já passam a ser anunciadas, o governo retira o manto de mentiras eleitorais da realidade e confirma a efetiva eliminação de investimentos em infraestrutura fundamentais para que consigamos insistir em crescer. O cenário, aliás, é pior: com todas as grandes empreiteiras virtualmente na cadeia, nem que houvesse a vontade (política ou financeira) de se erguer as vias do desenvolvimento, não haveria quem conseguisse empilhar os tijolos. 

Em resumo: estamos no escuro, cegos quanto a um futuro que cisma em soar mais aterrorizador a cada dia. 

Estamos no mais pleno caos. 

E caos, por natureza, é instável: ele tende a se eliminar, a gerar soluções que insiram no seu caldo amorfo algum tipo de ordem que defina uma direção para a sociedade como um todo. 

Em crises anteriores, essas soluções eram inovações nascidas nas mais diversas classes – da política, que criou, por exemplo, o Plano Real aqui no Brasil, à tecnológica, que lançou mares de produtos e serviços que, ao suprirem novos tipos de demanda que nem conhecíamos, acabaram puxando consigo economias de todo o mundo. Mas essas inovações levaram algum tempo para se maturar e, exceto por contextos como o que levou à estabilização econômica no Brasil, foram fruto de períodos muito menos conturbados que os atuais. 

O caos em que estamos hoje é tão denso que nem de longe conseguimos palpitar de onde sairá a ordem capaz de eliminá-lo. No curto prazo, tudo o que ele desperta pode ser traduzido em uma só palavra: desespero.

E o desespero também tem suas consequências – três delas, pelo menos, que podem deixar o cenário ainda pior. 

1) A perda de cérebros

A primeira é a emigração das nossas grandes mentes: tem sido cada vez mais comum ler relatos na Web (ou em rodas de amigos) de pessoas dando adeus à terra mãe e partindo para países mais calmos, para ambientes onde possam planejar vidas com menos contratempos que em nossas praias. Esses países, claro, estão atentos: já desenvolvidos em sua maioria, atrair mão de obra qualificada de outras regiões do mundo, somando óticas diferentes aos seus próprios caldos cosmopolitas, é uma das maneira mais eficazes deles despertarem o seu próprio caos. Claro: um tipo diferente de caos, mais brando e resultado de conflitos de opiniões e visões capazes de gerar inovações mercadológicas que ganhem o mundo e tragam para eles ainda mais relevância.

O que quer que aconteça em nossas praias, o fato é que elas já ficaram intelectualmente mais pobres, mais secas de mentes capazes de forçar uma escalada brasileira na pirâmide global do desenvolvimento. 

2) A culpa que sempre é do outro

A segunda das grandes consequências é uma mudança na linha de pensamento. Crises geram desemprego e desemprego gera tempo em excesso para parcelas grandes da população. E tempo em excesso sem dinheiro para ser aproveitado gera uma espécie de “repensamento” sobre a vida como um todo. 

Há dois caminhos que esse “tempo de ócio” costuma abrir: entender as causas reais do absurdo que vivemos, o que pode levar, por exemplo, a decisões mais sábias nos próximos pleitos; ou arrumar culpados externos a quem apontar os dedos (sejam as empreiteiras, a Globo, os Estados Unidos ou todo o “maléfico sistema capitalista”). Infelizmente, a América Latina tem essa mania de arrumar culpados externos, sempre eximindo seus próprios votos e líderes de qualquer tipo de responsabilidade. A campanha eleitoral petista, aliás, se elegeu culpando uma inexistente crise econômica mundial por todos os males que estavam ocorrendo no Brasil – e, a despeito do universo de informações disponíveis a todos provando a insensatez do argumento, conseguiu arrancar de mais de 50% da população mais 4 anos de poder.

Seria excelente que o Brasil aprendesse com os seus próprios erros, que se entendesse como único responsável pelo seu destino e mudasse. Infelizmente, a história e as manifestações nas redes sociais parecem confirmar que continuaremos culpando o mundo pela nossa desgraça, nos aprofundando em ideologias que já se comprovaram ineficazes com vizinhos nossos como Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador e tantos outros.

3) A priorização da sobrevivência

Finalmente, a terceira grande consequência do desespero é voltarmos a nossa economia para a subsistência. Aqui entra uma leitura quase matemática da Pirâmide de Maslow: com uma economia em queda, desemprego em alta e dinheiro escasso, passa-se a se focar mais na sobrevivência do que no crescimento. E passa-se a basear todo um discurso político cada vez mais em uma mescla de populismo com esmolas. 

Agrobusiness virão um palavrão quase satânico, cedendo lugar à agricultura familiar; empresas bem sucedidas viram inimigas dos trabalhadores em um discurso de conflito de classes tão falido e ultrapassado quanto a União Soviética; e a expectativa de que o governo seja o salvador da pátria faz com que parcelas cada vez maiores de pessoas acreditem piamente em qualquer promessa, por mais vazia que seja. 

Olhe a Argentina. De uma das mais evoluídas potências do mundo na década de 20, passou a país cujo futuro é tão sombrio quanto o presente. Ainda assim, o populismo dos Kirchner tem garantido a eles eleições após eleições, colocando-os mais como uma família de monarcas do que de políticos democraticamente eleitos (embora eles realmente tenham sido eleitos pelo povo). 

Sim, a crise que estamos vivendo tem sido dolorosa como poucas outras no passado recente. Mas talvez o que mais doa seja o entendimento de que há uma probabilidade maior dela epiorar substancialmente, nos deixando, no futuro, com saudades desses tempos tão desesperadores de hoje.  

  

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