Mapeando o caos (a partir de uma open-source queniana)

Em todo o mundo, a qualquer momento, há sempre alguma tragédia interrompendo ou pelo menos mudando vidas. Homens-bomba explodem cafés e igrejas no Oriente Médio, atiradores fanáticos metralham crianças em escolas americanas, terremotos e vulcões sacodem cidades inteiras e, enfim, tremores sociais parecem simplesmente não ter fim. 

Não há como evitar que desastres assim, que circunstâncias de caos profundo, aconteçam. Infelizmente, faz parte da maneira com que o mundo gira. 

Mas há, claro, como tentar mapear esse caos para identificar saídas mais práticas, para tentar buscar ordem. 

Uma das iniciativas nesse sentido é a queniana Ushahidi, plataforma aberta de crowd-data nascida a partir de problemas internas do país quando este passou por uma escalada de violência pós-eleitoral em 2008. O que ela faz? 

Permite a coleta sistematizada de relatos de problemas a partir de redes sociais, SMS e Internet de maneira geral, criando um mapa físico do problema. E o que um mapa físico permite? Um senso de direção. 

O Ushahidi cresceu, se transformando em uma das mais utilizadas plataformas do gênero do país – um exemplo clássico de como o caos gera inovação. Para ficar em dois exemplos, foi ela a plataforma utilizada para mapear as crises do Haiti e da Síria, ajudando cidadãos e forças de paz e diminuir as tensões. No caso da Síria, veja um exemplo do mapa: 

  
E tem mais: mapas assim não precisam ser utilizados apenas para crises abruptas, mas também para mapear situações mais dramáticas e duradouras.

Outro exemplo: a conectividade digital da África. 

Comunicação é inegavelmente a ferramenta mais crítica para se modernizar uma nação e um continente como um todo. E como fazer isso em regiões que tem blackouts de telecom que podem durar dias sem fim? Por outro lado, a própria carência de infraestrutura física tradicional fez com que a África evoluísse de maneira diferente do restante do mundo, por meio de uma implementação quase onipresente de redes 3G. 

Um dos mapas feitos pela Ushahidi mostrou incontáveis reclamações de conectividade, mas uma certa estabilidade de 3G. Estava pavimentado o caminho para uma inovação criada pelo mesmo time: o BRCK.

O que é? Uma espécie de “backup de conexão”. Sempre que a rede cai em uma determinada situação, a BRCK se liga à rede GSM mais próxima e garante, embora com qualidade inferior, uma manutenção da conexão. O sucesso foi tamanho que, em 2013, o case virou um dos temas do TED, que reproduzo abaixo. 

Vale conferir abaixo. E vale ter em mente que, às vezes, a melhor maneira de se entender como lidar com o caos é mapeando-o.

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