No último dia 10, fiz um post ilustrando as mudanças de poder na Europa a partir do século XVII. Gosto desses mapas interativos, dessas animações que, de certa forma, simplificam e sintetizam em minutos verdadeiros massacres em nome de Deus, Alá ou de qualquer governante mais empolgado com o próprio poder. 

Mas o fato é que mudanças de fronteiras mundo afora costumavam ser mais definidas por conquistas ideológicas, pela estipulação de uma crença dominante qualquer que unisse os povos sob uma bandeira única. 

Achei outro mapa que ilustra bem isso, ainda que carregando alguma miopia ocidentalista: a disseminação de duas das maiores religiões do mundo (o cristianismo e o islã). Digo miopia, aqui, porque algumas das religiões mais importantes e dominantes ao longo da história – do Zoroastrianismo persa ao Judaísmo, passando ainda pelo Hinduísmo, pelo Budismo e por tantos outros “ismos”, acabaram ignorados. 

Mas, se apenas tivermos em mente que o mapa expressa um movimento de disseminação que não representa, necessariamente, dominação, a sua leitura acaba ficando mais interessante. 

O que chama mais a atenção? 

A incrível (embora óbvia) relevância do Império Romano para a disseminação do cristianismo

O papel do Império Bizantino – apenas um outro nome para a ala oriental do Império Romano – ao espalhar a crença para outros territórios

A inacreditável velocidade com que o Islã se tornou dominante em toda a Península Arábica e o Mediterrâneo

O susto dos mongóis, que dominaram a maior parte do mundo conhecido sob a liderança de Genghis Khan para desaparecer instantes depois – mostrando a força que uma liderança sozinha consegue ter sobre todo o globo

O quão fundamental foi a descoberta do Novo Mundo e as navegações para o crescimento do Cristianismo – mesmo no próprio norte da Europa e na Ásia

Tudo isso pode nos levar a conclusões incríveis sobre as forças ideológicas que efetivamente fazem a engrenagem sócio-política mundial girar. Já imaginou se as navegações não tivessem ocorrido – ou se tivessem ocorrido sob bandeiras muçulmanas? Ou se Genghis Khan tivesse conseguido assegurar a força mongol por meio de uma sucessão mais organizada?

Tudo, absolutamente tudo referente a nossa cultura poderia ser totalmente diferente. 

O mundo de hoje é um reflexo da sorte e do acaso que encadearam, sob uma ordem caoticamente determinada, a história da humanidade. Ou, colocando em outras palavras: somos inegavelmente filhos do caos.  

Veja abaixo e tire suas próprias conclusões.

<p><a href=”https://vimeo.com/113801439″>The Spread of the Gospel</a> from <a href=”https://vimeo.com/user2978961″>Western Conservatory</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Mapa interativo de ideologias e religiões “prova” que somos filhos do caos

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