Crenças religiosas versus o futuro do meio ambiente

Sempre gostei de análises estatísticas. Há algo de sublime na matemática que ninguém consegue questionar: a veracidade dos fatos que ela exibe, geralmente despida de qualquer tipo de viés.

Faz algum tempo, postei aqui no blog um vídeo de Hans Rosling que usa uma série de estatísticas para entender melhor a evolução sócio-política do mundo – contestando de maneira inquestionável aquele pensamento comum de que o mundo está ficando pior a cada dia.

Recentemente, também fiz um post sobre a árvore das religiões: uma imagem que sintetiza o tamanho do caos rascunhado pelas crenças da humanidade, todas se autoafirmando como a verdadeira.

Mas achei nas redes um outro gráfico fenomenal do Josh Rosenau, feito com base em milhares de dados da Pew Research sobre algumas das crenças de diferentes religiões (de habitantes dos Estados Unidos).

Ele trouxe dois diferentes eixos de comparação: o entendimento de que a evolução darwiniana existe (se opondo a teorias à la “Adão e Eva”) e o apoio a esforços humanos práticos, diretos, para se proteger o meio ambiente (se opondo a teses de que apenas Deus tem, por exemplo, o poder de destruir ou salvar o mundo).

No gráfico, ele plotou a crença da maior parte dos membros de cada religião, desenhando círculos de acordo com a quantidade de pessoas que se dizem parte delas:

religiao

O resultado: sob essas óticas, vivemos em um mundo cujo futuro realmente parece sombrio.

Temos uma parte surpreendentemente significativa da população que acredita piamente que a humanidade nasceu a partir de uma criação divina, não de uma evolução biológica – e esse mesmo grupo, em sua maioria, acredita ser inútil todo e qualquer esforço para se salvar o meio ambiente. Aquecimento global, por exemplo, é algo tido como um fenômeno mais gerado por Deus do que pelo homem – o que também está vinculado a uma total falta de vontade em intervir a favor do meio ambiente.

No outro extremo, um grupo pequeno de pessoas que acredita de maneira decisiva na evolução darwiniana apoia também fortemente toda e qualquer medida de proteção ao meio ambiente. Para este grupo, que inclui judeus não ortodoxos, ateus e agnósticos, dentre outros, o futuro do planeta está nas mãos dos homens.

Mas eles são uma minoria: de maneira geral, a grande maior parte das pessoas “pertence” a religiões sem uma opinião unanimemente formada. Católicos, por exemplo, pontuaram +0,5 (na escala que vai de -1 a +1) em relação à sua crença na evolução – e apenas 0 no apoio a medidas de proteção ao meio ambiente. Mais ou menos o mesmo acontece com luteranos, metodistas e judeus ortodoxos.

Um fato fica claro com esse gráfico: há uma parcela maior da população com crenças religiosas mais intensas, quase fanáticas – e esta não acredita ser útil ou necessário mover um único dedo para melhorar o mundo em que vive (uma vez que crê que apenas Deus tem esse poder).

Qual a conclusão, portanto, que esse gráfico aponta? A de que a principal ameaça ao meio ambiente – e, portanto, à humanidade – é o nosso próprio conjunto de crenças que cisma em terceirizar responsabilidade e culpa para um ser externo, divino, ao invés de tomar para si o conjunto de responsabilidades pelos danos causados ao nosso mundo e pelas soluções capazes de salvá-lo.

2 comentários sobre “Crenças religiosas versus o futuro do meio ambiente

  1. Ambas as teorias sobre o surgimento da vida tem falhas e creio que em parte é pelo paradigma newtonianocartesiano utilizado pela ciência e pelas crenças que permeiam seu método assim como pelas crenças como as criacionistas.Quando ciência e religião se unirem, corrigindo mutuamente seu erros haverá um avanço significativo da humanidade.E se a preocupação desse post é com o aquecimento global há vários pesquisadores que contestam a versão imposta do CO2 como causador do processo sendo que a NASA tem um satélite monitorando permanentemente as atividades do Sol que é o fator chave se tratando de aquecimento.Nem estou considerando as denuncias de fraude sobre a teoria do CO2.Este post, pelo visto, também esta usando a metodologia reducionista científica se é que se pode aplicar a palavra ciência pois são apenas crenças ciêntíficas contra crenças religiosas.

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    • Vilmar, esse post inteiro se baseia em uma única coisa: estatística. Números comprovados, dados históricos mensurados, vistos, testemunhados.

      Respeito, claro, as crenças de todos, mas eu prefiro sempre tomar por verdade a evolução e a biologia do que qualquer outra “verdade”, por assim dizer, que tenha nascido a partir do que o homem nunca viu na prática.

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