Para entender Zeitgeists (Parte 1: Introdução)

Em minha opinião, o conceito mais importante para se entender inovação e a melhor maneira de trabalhar com ela se chama “zeitgeist”. Não se trata de algo tão simples, mas sim de uma espécie de prisma sob o qual se pode interpretar melhor nichos de civilizações, mercados e povos de uma maneira geral.

Nos próximos dias postarei aqui no blog uma série de artigos sobre zeitgeists, indo de sua origem a conceitos absolutamente fundamentais como a dialética de Hegel e os espíritos dos povos de Herder. Nada, afinal, como um pouco de filosofia para se situar melhor no meio desse buraco negro que é a relação entre o caos e a inovação!

Filhos dos seus tempos

Um dos maiores fenômenos de marketing da década de 60 foi a calça jeans Levi´s 501. Associada a sexualidade, sensualidade e a uma série de termos relacionados à revolução sexual, então tema do momento, a marca conseguiu se calcar em um tipo de espírito predominante na época, criando assim um elo fortíssimo entre o seu produto e os seus consumidores.

Hoje, uma das marcas mais valiosas do mercado é o Google. O carro-chefe da empresa é o seu buscador, que funciona de acordo com um algoritmo matemático que analisa diversos critérios para definir a ordem de exibição dos resultados, tais como a quantidade de pessoas que buscaram determinado termo; links que foram clicados; quantidade de vezes que o termo, ou o site relacionado a ele, apareceu nas páginas etc.

É inegável que a Internet seja um fenômeno mundial tão imenso quanto à quantidade de conteúdo pendurado na rede. Daí que nasce, naturalmente, o próprio conceito de buscador. É natural também que o ato de buscar alguma informação seja precedido por algum tipo de gatilho de comportamento: uma mulher busca um site de vestidos de noiva quando é pedida em casamento; um jornalista busca sites sobre aviação quando deseja montar uma reportagem sobre algum acidente aéreo; e assim por diante. Se elevarmos esses exemplos a um contexto histórico, teremos como gatilhos os grandes acontecimentos mundiais de determinadas épocas, como eleições, revoluções, guerras, acidentes etc.

Talvez a principal chave para o sucesso do Google tenha sido orientar os resultados das buscas feitas no seu software pela soma das características de buscas e resultados do conjunto dos seus usuários. Um produto que, para existir, depende diretamente do uso das pessoas – algo que funciona muito bem em uma época que tem no termo “colaboração” como um dos principais denominadores comuns.

Da mesma forma que a Levi´s, o Google também se aproveitou de um tipo de contexto social – a colaboração – para estruturar tanto o seu produto quanto o seu diferencial competitivo.

Em outras palavras, ambos se aproveitaram de um tipo específico de espírito que reinava as sociedades, algo que permeava os pensamentos de grande parte dos públicos, para estruturar os seus produtos.

Em ambos os casos, esses “espíritos dos tempos” se mostraram densos o suficiente para impulsionar o discurso de marketing de um produto rumo a uma rápida digestão por parte dos seus consumidores.

A calça jeans Levi´s 501 virou o símbolo de uma era que, até então, não tinha representantes. O Google, de tão forte, virou até mesmo um verbo.

Não se trata aqui de analisar as singularidades dos planos de marketing dessas ou de quaisquer outras empresas que conseguiram se prostrar como símbolos incontestes de uma era. Trata-se de analisar algo muito mais relevante: a era em si – ou melhor, o tipo de espírito que regia os comportamentos das pessoas.

Ao isolar este tipo de espírito, você consegue uma arma poderosíssima para que os seus planos fluam como deseja: uma plataforma filosófica sólida, que embase qualquer discurso persuasivo e que, com isso, dê um corpo mais duradouro e sedutor ao que deseja vender.

zeitgeist

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