Preconceito e resistência à inovação

Uma organização pouco inovadora nem sempre é resultado de uma estrutura que não tenha foco em criar, em conceber novas ideias ou em gerar produtos tão revolucionários quanto os resultados que esperam.

Em muitos casos, falta de inovação está intimamente ligada a uma (surpreendente) incapacidade de se observar contextos, parâmetros e evoluções pelas quais nós mesmos testemunhamos.

Em um exemplo prático: quando se fala em Internet, muitos dos profissionais de marketing de grandes empresas “entendem” um meio de nicho, muito utilizado por um público jovem e com concentração óbvia no sul e sudeste, as regiões mais ricas do Brasil.

Dados e mais dados já foram disponibilizados por institutos de pesquisa brasileiros e internacionais, mas essa mentalidade não muda.

Apenas para reforçar alguns:

De acordo com o eMarketer, em novembro de 2014 havia 108 milhões de usuários de Internet do Brasil. Mais da metade da população dificilmente pode ser interpretado como algo “de nicho”:

Em estudo de 2013 do IAB, mais da metade dos internautas brasileiros tem entre 25 e 49 anos. Aliás, há mais internautas com mais de 50 anos do que nas faixas etárias mais jovens:


O estudo “Classe C, de Conectados”, feito pelo Google, apontou que 54% dos usuários brasileiros de Internet são da classe C:


Em 2014, a ComScore publicou um estudo que colocou a Web como o meio com mais “heavy-users” de todos. TV, rádio, revistas e jornais acabam sendo meros coadjuvantes do ponto de vista de comunicação. Aliás, o mesmo estudo também apontou que 75% dos usuários de Internet usam e navegam em dispositivos conectados enquanto assistem TV.


Finalmente, já passou da hora de entender o nordestino como uma espécie de neo-Lampião, visão carregada de preconceito que ainda domina as grandes empresas. Em uma pesquisa da SECOM de 2015, o nordeste é a região que mais se destaca em todo o país pelo tempo de navegação diário de seus cidadãos:


Sabe o que tudo isso significa? Que poucos são os meios mais alinhados com a própria realidade brasileira.

Difícil é continuar achando tanta gente que, por falta de informação, insiste em acreditar que o digital é um ambiente sulista, elitizado e jovem.

Querer caçar inovação mantendo-se preso a uma realidade da década de 90 em pleno 2015, então, passa a ser algo ainda mais complicado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s