Convergência: O caos que gera a inovação que gera o caos

Inovação, às vezes, dá os seus primeiros sinais de vida em um passado tão distante que acabamos nem percebendo direito o que pode estar por acontecer.

Há algumas eras, a Gradiente lançou uma espécie de Frankenstein eletrônico que funcionava como rádio, TV, computador, DVD Player e só faltava fazer cafezinho. A sua ideia de convergência era essa: montar uma máquina capaz de fazer o que costumava ser tarefa para muitas. Ou seja: a missão da Gradiente com esse lançamento, batizado de OZ, era surfar em algo preconizado como tendência e organizar o caos de devices que pareciam se multiplicar nas mãos e bolsos do consumidor a cada dia.
Até aí, tudo bem. O problema é que a Gradiente ignorou um único detalhe: a necessidade desse novo device “faz-tudo” ser minimamente prático. Como o Frankenstein original, que provavelmente inspirou os seus criadores, o aparelho era grande, esquisito e quase o antônimo da palavra “portátil”. Morreu.


Anos se passaram.

A Palm decolou e naufragou com os seus smartphones; a Apple lançou o IPhone; a Blackberry, sua pérola corporativa que também acabou perdendo o trem do tempo; o Android viabilizou o Galaxy e todo um mar de concorrentes para a empresa de Jobs.

Aos poucos, os celulares da Nokia foram passando de sinônimo de inovação e usabilidade para símbolo de uma era ultrapassada, arcaica, quase ridicularizada.

A Apple lançou o primeiro IPad, iniciando uma corrida por tablets. Com eles, os telefones cresceram em tamanho e foram acomodando mais e mais funções até se tornarem computadores poderosos. Sua força de processamento se uniu à infinita nuvem e permitiu uma capacidade de armazenamento jamais vista antes.

Aos poucos, os Smartphones também se anabolizaram e ficaram em um tamanho intermediário entre os primeiros IPhones e os últimos IPads.

E, também aos poucos, a convergência buscada pela Gradiente acabou se viabilizando por mentes mais inteligentes e bolsos mais recheados.

Um ciclo estava finalmente começando a se fechar.

Hoje, no Brasil, existem 306 milhões de dispositivos conectados à Internet.

Destes, 24 milhões são tablets e 128 milhões são smartphones. Ou seja: metade dos dispositivos conectados à Internet no Brasil já são portáteis – número que obviamente só tende a crescer, indicando que computadores (de mesa ou notebooks) em breve não passarão de peças de museu.

Em cada um desses smartphones há música, fotos, livros, arquivos, desejos, conexões, amizades, amores e quantidades inacreditáveis vidas traduzidas em terabytes de informações armazenadas, claro, na sempre virtual nuvem.

Há programas de email, Whatsapp, Facetime, Skype. Há Word, Powerpoint, Excel. Há Strava, Garmin e uma inifinidade de apps de esporte, saúde etc.

Há tudo.

Não sei se Steve Jobs tinha noção do tamanho da revolução que ele causaria com o primeiro IPhone (embora a sua genialidade sugira que sim). Mas o fato é que o pontapé ensaiado por outros e que virou gol nos pés da Apple conseguiu afunilar a convergência como poucas vezes na história da humanidade.

A grande ironia na relação do caos com a inovação, no entanto, é que ela é sempre cíclica.

Enquanto a inovação vem como uma espécie de resposta à dialética hegeliana originada pelo caos, a sua transformação de ideia em status quo acaba gerando uma nova situação de caos que demanda alguma outra inovação para normalizá-la, caracterizando um ciclo infinito.

Afinal, podemos não ter mais a ululante necessidade de carregar um punhado de devices em nosso dia-a-dia – mas, como contrapartida, temos que navegar entre milhões e milhões de apps e sites cujos serviços atendam necessidades cotidianas que são sempre crescentes.

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