Zeitgeists! Entenda o que move o seu público

Zeitgeist é um termo alemão que significa “espírito do tempo”. Ou seja, é uma síntese dos conceitos, pensamentos e movimentos que caracterizam um determinado povo, em um determinado lugar, em um determinado período.

Quando um general romano enfileirava as suas tropas no campo e fazia um discurso inflamado antes de uma batalha, ele trabalhava essencialmente o zeitgeist como ferramenta de guerra, exaltando em cada soldado o orgulho de ser romano – algo pelo qual todos acabavam se mostrando dispostos a morrer.

Séculos mais tarde, foi a vez do ministro nazista Goebbels usar discursos, programas em rádio, desfiles militares e propaganda pura para “implantar” no seu país um zeitgeist que incluía o sentimento de superioridade racial cujas consequências foram tão trágicas para a humanidade.

O próprio Papai Noel (originalmente um duende que andava acompanhado de um demônio) foi metamorfoseado para se transformar no maior ícone do final de ano. Desenhado pelo cartunista Thomas Nast como um “bom velhinho”, ele logo se tornou símbolo de uma época em que presentear os outros era a única forma de se demonstrar amor.

Anos mais tarde, a Coca-Cola conseguiu captar esse espírito de forma tão perfeita em sua estratégia de comunicação (buscando quebrar o hábito americano de se beber refrigerante apenas no verão) que, até hoje, muitos acreditam (erroneamente) que foi ela quem criou o Noel moderno.

Novas ferramentas para novas estratégias

Ao longo do tempo e da história, o fato é que entender os zeitgeists que definem um determinado público-alvo sempre foi extremamente valioso para qualquer estrategista.

Se você consegue captar bem o “espírito” que impulsiona multidões a tomar uma ou outra decisão (seja de caráter político, social ou comercial), são grandes as chances  de que consiga traçar uma estratégia de comunicação avassaladora.

Mas qual a diferença de fazer isso hoje ou há alguns séculos? A resposta está em uma palavra: tecnologia.

Antigamente, entender o espírito que movia um povo era algo que demandava estudos aprofundados e linhas de raciocínio tecidas por verdadeiros gênios da comunicação. Hoje, no entanto, uma pesquisa simples na Web pode responder, por exemplo, quais os termos mais buscados na rede no ano passado – um atalho prático e altamente efetivo para se entender os diferentes zeitgeists que definem um público.

O que moveu o brasileiro em 2011?

Recentemente, o Google lançou o www.googlezeitgeist.com com este único propósito, permitindo inclusive que se filtre por país e período para entender o que moveu a massa de usuários rede afora.

Veja, nas tabelas abaixo, alguns dos itens mais buscados ao longo de 2011 por brasileiros:

Screen Shot 2012-01-11 at 2.01.14 PM

Nessas 6 tabelas ilustrativas, alguns dos termos foram resultados de “acontecimentos” (como shows e programas da TV); outros, por sua vez, foram puras expressões de desejos e curiosidades coletivas (como produtos, instruções e destinos).

O fato é que, no final de 12 meses, esses foram os recordistas em todo o “Google brasileiro”.

Mesmo que em linhas gerais, isso sugere um povo que está enriquecendo, é ligado em redes sociais, novela e futebol, tem gosto musical variado, está mais preocupado em curtir a vida do que o restante do mundo, ainda é inseguro quanto ao que deixar público ou privado e começa a se preocupar em entender questões importantes para a sociedade como um todo (como ética, sustentabilidade e cidadania).

Planejando-se para 2012

Seja qual for a empresa que você represente, entender esses (e outros) traços do seu público-alvo certamente o ajudarão a afinar bastante a sua linha de marketing.

Mas o mais interessante de zeitgeists é que eles mudam de acordo com o tempo, tornando a tarefa de marketeiros sempre dinâmica.

2012 já começou – e promete, por exemplo, novos conceitos populando a lista, como Olimpíadas, Copa e eleições, para citar apenas três.

Com ferramentas como o Google Zeitgeist e os Trending Topics do Twitter, entender o imaginário de um determinado público passa a ser a parte mais fácil da concepção de uma estratégia. O mais complicado agora é saber como trabalhar esses conceitos de forma alinhada com a sua marca.

Não que a criação de uma estratégia como um todo seja algo fácil – mas, a cada ano que passa, é inegável que vem se tornando cada vez menos difícil.

Bom para as empresas, que devem conseguir mais resultados com menos esforço, e para o consumidor, que terá cada vez mais produtos e serviços em sintonia com os seus verdadeiros desejos.

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