Gamificação de negócios: 5 melhores práticas para transformar fidelização em vício

Montar uma plataforma de desenvolvimento de sites está longe de ser algo tipicamente “inovador”. Com mais de 15 anos de vida, a dependência de plataformas de desenvolvimento para a mera existência da Internet fez com que milhares de serviços inundassem o mercado com ofertas que, aos poucos, foram se transformando em inquestionáveis “commodities”.

Há espaço para se inovar em um serviço que permite que usuários possam construir os seus sites online – da mesma forma que empresas, que variam de Locaweb à WordPress, o fazem?

Essa foi a aposta da americana DevHub que, além da plataforma em si, agregou uma espécie de “pimenta” muito em sintonia com a personalidade do usuário moderno ao transformar o seu negócio em uma espécie de “game”.

Ou seja: se o desenvolvedor  inserir em seu site, por exemplo, um vídeo qualquer, ele automaticamente soma pontos e participa de um concurso de vídeos da DevHub valendo prêmios das mais diversas ordens financeiras.

Hoje, há cerca de 40 formas diferentes dos usuários irem somando pontos e concorrendo. A regra é simples: quanto mais ferramentas ele utilizar da DevHub para aprimorar o seu site, mais chances ele terá de vencer. Resultado: em poucos meses, a DevHub aumentou a sua base de clientes em mais de 80%.

Essa mesma estratégia de posicionamento de marca, batizada de “gamification”, tem ganhado adeptos que vão da Coca-Cola à Warner Bros, passando por cadeias de fast food (Wendy’s, nos EUA), por sites de leilão como o E-Bay e, claro, por corporações como a Zynga, produtora de aplicações como Farmville, Mafia Wars e Texas Hold’Em Poker (todas para o Facebook que, por si só, é uma outra plataforma para se “gamificar” negócios e envolver consumidores).

O conceito e as 5 melhores práticas
De uma maneira geral, o conceito de “gamification” prega a inserção de mecânicas de games para fortalecer o engajamento de uma determinada audiência com a marca.

O raciocínio é simples: games, quando bem construídos, viciam – e o vício nada mais é do que uma estratégia incrivelmente agressiva de fidelização.

Isto posto, a questão passa a ser como levar para uma marca tradicional conceitos típicos de “games” de forma a aumentar o consumo e o uso de seus produtos e serviços – algo como a DevHub fez, por exemplo.

Como tudo na vida, não há uma única “receita de bolo” que sirva a 100% dos casos. Cada negócio tem a sua própria dinâmica e o seu próprio perfil de consumidores. O que torna impossível criar uma estratégia única que se adeque a todos. Há, no entanto, algumas melhores práticas – ou regras – que devem ser observadas na tentativa de se “gamificar” uma presença de marca. São elas:

1) Foque no elo entre os seus objetivos e os objetivos de seus usuários
Cada negócio tem as suas prioridades e o seu conjunto de clientes com necessidades específicas. Se você inserir uma mecânica de game para algo que gere pouco interesse do seu cliente e que gere poucos resultados para a sua empresa, o fracasso será inevitável.

O seu objetivo é aumentar as vendas de um determinado produto? Então crie uma estratégia de “gamificação” inteiramente focada nesse objetivo e nos atributos que costumam mais encantar os seus clientes em relação ao produto – trabalhando, portanto, os seus principais pontos fortes.

2) Deixe as regras claras
A grossíssimo modo, um game tem como dinâmica básica a premiação com pontos para usuários que cumpram determinadas tarefas. Quanto mais pontos, mais benefícios o usuário tem – o que o incentiva a buscar sempre mais, na medida em que os benefícios sejam claros.

Da mesma forma, você deve criar uma espécie de tabela de pontuação que indique ao seu usuário onde ele está e o que deve fazer para evoluir. Um cadastro no site, por exemplo, pode render a ele 10 pontos; a visualização de um vídeo, 5 pontos; um tweet mencionando você, 2 pontos; uma compra, 20 pontos; e assim por diante.

No fim das contas, quanto mais engajado estiver o usuário, mais pontos ele receberá – de acordo com uma tabela criada por você e com base nas suas prioridades de negócio.

3) Crie níveis diferentes e selos de reconhecimento
O acúmulo de pontos por si só costuma ser insuficiente para manter usuários engajados por muito tempo. Afinal, é fundamental haver uma diferença entre o usuário novo, que tem apenas 10 pontos, e o experiente, que já somou mais de 1.000 pontos.

Da mesma forma que em games tradicionais, diferentes níveis devem ser considerados para faixas de pontos distintas – sendo que cada nível deve render benefícios aos usuários (seja em status ou em prêmios por reconhecimento).

Selos (ou “badges”), por sua vez, são como medalhas de reconhecimento pelos “feitos” dos usuários em um game. Na rede social FourSquare, por exemplo, um usuário que marca a sua presença em diversos locais com frequência pode receber o selo de “aventureiro”, “explorador” ou “superstar”, dependendo da assiduidade.

Em geral, mais selos significa mais reconhecimento público pelo desempenho de um determinado usuário – algo que fortalece o engajamento com a marca de forma natural.

4) Prêmios não devem ser ignorados
Da mesma forma que qualquer game, também deve  haver sempre  alguma forma de recompensa. No caso de se “gamificar” uma estratégia corporativa, essa recompensa quase sempre significa a troca de pontos por descontos ou produtos e serviços.

Monte a sua tabela de recompensas de forma desafiadora o suficiente para incentivar o uso – mas não de forma impossível ao ponto de gerar frustração.

5) Rankings
Game é competição, mesmo em suas versões mais sutis e eufêmicas. Se há uma corrida por pontos, selos e prêmios, então há também uma questão de ego envolvida, já que os líderes querem sempre ser publicamente reconhecidos.

Viabilize esse reconhecimento da forma mais óbvia possível: montando e divulgando tabelas de liderança em tempo real. Isso dará mais gás à competição e, consequentemente, ao conceito de game como um todo.

Gamifique-se
Se a sua estratégia de “gamificação” for bem sucedida, é possível que ela mude a cara do seu negócio de forma determinante. De uma empresa de produtos e serviços, você provavelmente passará a uma empresa que proporciona engajamento – sendo a compra de produtos e serviços apenas uma das formas de suprir essa demanda.

Em teoria, essa sutil (mas inquestionável) mudança de posicionamento pode acabar impondo uma guinada em todo o foco da empresa e em sua relação com os consumidores.

Se isso acontecer, você estará um nível acima dos seus competidores: afinal, a capacidade de mudar de acordo com a exigência dos tempos já é parte indissolúvel da estrutura de qualquer empresa que busque sucesso em um mercado definido pelo seu próprio dinamismo.

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