Tsunami do Japão está mudando o papel das redes sociais

Na sexta-feira, 11 de março de 2011, um terremoto seguido de tsunami marcou uma das piores tragédias que o mundo moderno já viu.

Em pleno Japão – país já habituado a desastres naturais – vilas inteiras sumiram, reatores nucleares entraram em pane e números estratosféricos de vítimas foram contabilizados.

Mídias sociais, fase 1
Tanto geográfica quanto social e politicamente, já há algum tempo que o mundo entrou em uma espécie de estado constante de revolução cujas consequências ainda são difíceis de prever.

Em grande parte, esse estado de revolução foi protagonizado por um elemento que passou a fazer parte dos nossos cotidianos há pouquíssimas décadas: o engajamento proporcionado pelas redes sociais.

Mas até então – e salvo raras exceções – o poder desse engajamento social estava restrito a falar para o mundo e a ouvir o que o mundo estava falando.

E isso já não era pouca coisa: foi por conta desse “trânsito livre de vozes” que povos se uniram e conseguiram derrubar, por exemplo, uma ditadura que já durava décadas, como no caso do Egito; foi graças às mídias sociais que líderes de todo o globo começaram a ser pressionados pelos seus eleitores para interferir politicamente em países como a Líbia, marcada por um dos governos mais sanguinários que o mundo moderno já viu. E isso sem falar no Iemen, Irã, Bahrain e tantos regimes que mostram claros sinais de colapso.

Ainda assim, é seguro afirmar que, por mais decisivo que tenha sido o seu papel, as mídias sociais atuaram apenas de forma indireta. Como meio de comunicação, elas comoveram e mudaram pensamentos, mas não desempenharam ações. Estas últimas foram executadas em campo e apenas pelos cidadãos que lá estavam, vivendo o momento.

Isso mudou com a tragédia no Japão.

Mídias sociais, fase 2
Em poucos dias, falar e ouvir já não bastava para a comunidade global. Era necessário fazer algo mais concreto, participar de forma ativa para ajudar vítimas que poucos conheciam, mas todos entendiam. Mas como, se o Japão fica no meio do oceano, tão distante do ocidente e do oriente continental?

Foi nesse momento que alguns dos maiores impérios capitalistas mundiais começaram a entrar em cena – cada um a seu modo, mas todos servindo como uma espécie de canal entre as vítimas da tragédia e os cidadãos globais dispostos a minimizar as suas dores.

Na própria sexta-feira do desastre, a Apple disponibilizou, via iTunes, links para que usuários pudessem fazer contribuições diretamente à Cruz Vermelha. Doações online não podem ser consideradas exatamente inovadoras – mas o alcance conseguido por Steve Jobs começou, por certo, a fazer a diferença.

Tsunami

Na sequência, a Microsoft lançou um formato no mínimo peculiar: a cada “retweet” dado no perfil oficial do buscador da empresa, o @bing, ela doaria US$ 1,00 para o Japão por conta própria. Pegou mal: a comunidade a criticou severamente por explorar a tragédia como pretexto claro para conseguir mais seguidores e audiência. Pelo próprio @bing, a Microsoft se desculpou oficialmente e informou ter doado US$ 100 mil para causa.

tsunami1

O Google, por sua vez, utilizou uma tática mais prática e direta: lançou o Japan Person Finder, uma espécie de buscador de vítimas. Na página, usuários podem inserir ou buscar informações sobre desaparecidos, montando uma rede de conteúdo sem paralelo no auxílio a desastres.

Até o início da tarde da sexta, o Japan Person Finder tinha 7.200 registros de pessoas; 3 dias depois, o número já havia chegado a mais de 160 mil registros.

Some-se a isso o sem número de mensagens de apoio e rezas (o #prayforjapan passou os últimos 3 dias como parte dos trending topics, ou assuntos mais comentados, do Twitter) e se tem um panorama claro da direção para qual a sociedade está caminhando.

Globalização 2.0
Globalização já não significa mais ter contato e se comunicar diretamente com sociedades separadas por quilômetros de terras e mares. Essa é, digamos, uma espécie de definição 1.0 do termo.

Estar em contato constante com o mundo é tão básico que não choca ou encanta mais ninguém. Essa é uma estrada que já foi percorrida pela nossa própria evolução.

Globalização, hoje, significa interferir diretamente nas vidas de cidadãos de todo o planeta – e não apenas com ideias, mas também (e principalmente) com ações claras.

Nesse novo contexto, o papel de organizações globais também começa a se desenhar: por terem marcas conhecidas e reconhecidas pelos quatro cantos do mundo, são elas que melhor podem servir de canal direto entre os povos.

Seja por interfaces de doações, mobilizações ou ações, o fato é que a onda que devastou o Japão parece ter trazido consigo uma nova era de integração global pautada por uma mobilização social mais ativa e dinâmica.

Uma era que provavelmente definirá as formas que o mundo deve se reconstruir após as tantas revoluções políticas, sociais e geográficas pelas quais está passando.

E que, de muito esperada, já está se tornando muito bem-vinda.

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