Ausência de Dilma no Twitter pós-eleição já tem efeito negativo para a Presidente

É inegável que essas eleições tiveram uma participação sem precedentes de mídias sociaiscapaz de determinar parte dos resultados. Desde o início, os exércitos dos principais candidatos se aglomeraram em blogs e perfis de Twitter, lançaram e repercutiram promessas, combateram-se com boatos, verdades, acusações.

Índice de “saudabilidade” de Dilma Rousseff no Twitter

Saudabilidade (2)

Os monitoramentos de saúde de marcas feitas pelo sistema I-Brands apontaram uma clara relação entre as pesquisas de intenções de voto e a “saudabilidade” de cada candidato nas mídias sociais (ou seja, a proporção positiva de ocorrências relacionadas aos seus nomes em relação ao universo de menções).

No dia 1 de novembro, a já eleita presidente Dilma contava com 63% de “saudabilidade” na rede (versus 37% de José Serra). Chegava ao fim a corrida presidencial.

TwitterDilma

O dia 1 de novembro marcou também o último tweet feito pela presidente-eleita, às 10:54 da manhã, e uma inversão dramática em sua saudabilidade.

Tudo mudou e continuou igual?

As semanas seguintes ao pleito testemunharam notícias que dificilmente fazem os cidadãos comemorarem: tentativas de se aumentar salários no legislativo e executivo, denúncias de irregularidade em obras do governo, o perigo da volta da CPMF como mais um imposto para a já sobretaxada sociedade brasileira.

Nos legislativos e executivos estaduais e federal, o buzz alternava-se entre o silêncio absoluto e o surpreendente apoio multipartidário ao aumento de impostos.

De repente, parecia que os eleitos, em todas as instâncias, eram pessoas completamente diferentes das que receberam o voto do eleitorado – e que a forma de se fazer política no Brasil permanecia rigorosamente a mesma das últimas décadas.

Um olhar mais próximo, no entanto, constata que houve, sim, uma importante mudança nas mentes do eleitorado. Agora, além de votar, o cidadão entendeu que tem o direito de cobrar em voz alta – da mesma forma que ele já faz como consumidor. E que essa voz não precisa ser restrita às urnas: ela pode também ser proferida, com alto poder de influência, durante os quatro anos que separam uma eleição de outra.

Há cheiro de mudança no ar

Verdade seja dita, ainda não deu tempo de Dilma mostrar a que veio e qual será o seu estilo de gestão – mas deu, sim, para entender que o usuário envolvido em uma causa reagirá mal no instante em que se sentir abandonado.

Em novo monitoramento feito pelo I-Brands entre os dias 4 e 10 de novembro, a “saudabilidade” da presidente-eleita (e que ainda nem chegou a tomar posse) despencou dos 63% para assustadores 12% – número mais baixo registrado em todo o seu histórico como pre-candidata ou candidata.

Dentre outras coisas, isso indica também a irritação com a qual o eleitor está recebendo a sua ausência nas redes. Na prática, essa irritação pode facilmente se converter em pressões sociais e quedas em índices de aprovação já nos primeiros dias após a posse, prejudicando de maneira decisiva a sua governabilidade.

E foi aberta a caixa de Pandora…

Ao mergulhar (inevitavelmente) nas mídias sociais como forma de se conquistar os corações dos eleitores, os candidatos abriram uma porta para algo que até então mal existia na política brasileira: o relacionamento direto entre governante e governado.

Iniciado nas campanhas pelos próprios políticos, agora são os cidadãos que, de forma direta, exigem a continuidade desse relacionamento.

Como isso será feito ainda é um mistério a ser revelado nos próximos capítulos da história brasileira. Uma coisa, no entanto, é certa: ignorar a necessidade de se perenizar esse relacionamento pode ser um erro cujas consequências tendem a ser dramáticas para os eleitos.

Exatamente, aliás, como aconteceria com qualquer empresa que decidisse parar de falar com o seu cliente no instante em que assumisse alguma posição confortável de mercado.

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